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Eu fumo, mas não quero que meu filho fume: como agir

Filhos com afeto e diálogo têm uma probabilidade menor de aderir ao tabaco

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Você fuma e sabe que não faz bem, mas não consegue deixar o vício. E, por saber que fumar prejudica a saúde não quer que seu filho fume. Contraditório? Sim, como muitas coisas que envolvem o ser humano. Mas, como pais e mães, podemos querer que nossos filhos tenham uma vida melhor que a nossa. O cigarro entra nessa conta.

É comum que as mães fumantes se sintam culpadas. Liliane Martins, mãe de Luccas e Arthur Henrique, não fumava perto dos filhos para não os prejudicar. E quando fumava, lavava as mãos e escovava os dentes para disfarçar o cheiro. “Procurei conversar e mostrar que fumar não era legal. Comecei porque era moda e hoje vejo que não é nada disso: temos que ter uma vida saudável”, conta. De acordo com a Pesquisa Especial de Tabagismo de 2008, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 17,5% dos brasileiros com 15 anos ou mais são usuárias do tabaco. Se você está incluído nessa porcentagem, é claro que não quer que o seu filho siga o seu exemplo.

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Leia o depoimento da Camila, mãe de Catarina, que cortou o cigarro dentro de casa e mudou a alimentação

Nesse caso, o melhor a fazer é conversar. “Muitas vezes, a atitude dos pais é mais importante do que o comportamento. É importante conscientizar as crianças sobre não fumar, explicar como se estabelece a dependência e até aproveitar sua própria experiência para alertar contra o tabagismo”, diz a pneumologista Maria Vera Castellano, mãe de Flora e Nina, pneumologista da comissão de tabagismo da SPPT (Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia).

Filhos com afeto e diálogo têm uma probabilidade menor de aderir ao tabaco. Segundo a psicóloga Elizabeth Monteiro, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco, “jovens que têm vínculos familiares muito fortes são muito menos influenciáveis e têm medo de decepcionar os pais”. Você não é perfeito, mas se preocupa com seu filho. E ele precisa saber disso.

A partir de um estudo concluído em 2011, feito por instituições nos EUA, analisou-se o comportamento de 2.970 pessoas que começaram a fumar na adolescência. Após dez anos de consumo, apenas 381 haviam parado de fumar. A conclusão foi que, nas relações entre pais e filhos em que não havia proximidade, havia maior dependência.

“É importante que o pai reconheça que é uma droga e que faz mal. Você deve mostrar que não consegue largar, mas que está se esforçando para fazê-lo. Por isso não se deve fumar dentro de casa nem na frente da criança”, explica Betty. Não repreenda o seu filho quando ele vier dar uma bronca em você. Como ele sabe que o cigarro faz mal, provavelmente se preocupará com a sua saúde. Tentar justificar vai ser o mesmo que passar uma mensagem dúbia para a criança: ela precisa entender que não deve fumar. “Se você reprimir a atitude do filho, estará desconsiderando os cuidados dele. Isso também pode ser entendido como uma maneira de que a criança também pode desrespeitar os pais de volta”, explica.

Segundo a pneumologista, a fase na qual se deve ter mais cuidado é na idade pré-escolar, porque os filhos permanecem mais tempo em casa. Fumar só fora de casa. Sim, parar seria o ideal. Isso você já sabe. Mas se você está lendo essa matéria é porque não conseguiu. Para além da questão do exemplo, fumar dentro de casa prejudica a saúde do seu filho, até mesmo quando não há um cigarro aceso. Pesquisa da Universidade da Califórnia – Berkeley mostra que as substâncias tóxicas da fumaça do cigarro penetram no carpete e no ambiente, deixando-o contaminado por até dois meses. “Quando as crianças são expostas à poluição causada pelo cigarro, passam a ser fumantes passivas e por isso têm maior frequência de otite média aguda, infecções respiratórias e crises de asma“, explica a pneumologista.

Na gravidez

O ideal é que a mãe pare de fumar assim que decide engravidar. “A exposição ao ciagarro já tem interferência na evolução da gestação desde o início”, explica a pneumologista Maria Vera.

O uso do tabaco durante a gestação pode causar abortamento, resultar em crianças abaixo do peso, placenta prévia e outra série de complicações. Além disso, após o nascimento do bebê, todo o cuidado é necessário para que ele não fique exposto. “A exposição pré-natal pode alterar o desenvolvimento neurológico da criança e, até os oito meses, ainda há o risco da morte súbita do bebê”, orienta a médica.

Consultoria

Elizabeth Monteiro, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco, é psicóloga e escritora, autora do livro Criando adolescentes em tempos difíceis

www.elizabethmonteiro.com.br

Maria Vera Castellano, mãe de Nina e Flora, é pneumologista da comissão de tabagismo da SPPT (Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia)