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Escritores contam de onde vêm as histórias

Cenas de cotidiano e lendas das florestas são alguns dos temas de os autores Leo cunha e Rony Wasiry Guará mais se inspiram

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Quando a gente lê ou escuta uma história que mexe com nossa imaginação, ficamos com aquela perguntinha na cabeça: “como o autor pensou nisso?”.  Essa reflexão foi o tema central da Ciranda dos Autores, na Tenda da Flipinha com os escritores Leo Cunha e Rony Wasiry Guará, na última sexta-feira (1)

Para saber como a mente de um escritor cria uma história é preciso saber um pouco sobre a história do próprio autor. Leo Cunha disse que desde pequeno ele sempre teve contato com esse universo. “Minha mãe tinha um sebo em Minas Gerais e costumava me contar muitas histórias. Isso influenciou o meu gosto pela leitura”, lembra.

Além disso, Leo sempre foi muito curioso e observador. Essa prática de reparar em tudo e todos que estão ao seu redor é uma das ferramentas que ele usa para criar suas histórias.

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O escritor indígena do povo Maraguá Roni Wasiry Guará, membro de uma das poucas tribos de origem Aruak do Baixo Amazonas, tem uma história um pouco diferente. Enquanto Leo foi criado no meio das páginas dos livros, ele cresceu no meio das folhas, das folhas das árvores. Ele conta que os índios de sua terra gostavam muito de contar histórias e mesmo que ele não tivesse contato com livros obteve muitas referências ao longo da vida.

“Na época que eu aprendi a ler nossa escola não tinha livros. As primeiras palavras que eu aprendi estavam escritas em um pacote de torrada que levavam para nossa aldeia. O homem que levava o alimento me ensinava o significado de cada junção de letras”, conta.

De junção em junção Rony não apenas aprender a ler e interpretar belas histórias, mas também encontrou na literatura uma forma de aproximar de seu povo as pessoas que não conhecem a história de seu povo.

“Comecei a escrever já na escola, pois recebia pedidos para registrar as histórias dos índios. Passei a escrever livros para registrar e enviar para o papel as narrativas do meu povo”.

Inspirações

Mesmo que Rony e Leo tenham trajetórias diferentes eles compartilham o pensamento de que um escritor é como uma esponja, absorve tudo o que vê.

Leo conta que uma de suas principais inspirações são as situações cotidianas de sua família. Uma história peculiar presente no livro  de crônicas “Ninguém me entende nessa casa” tem o comportamento divertido de seu pai como pano de fundo.

“Uma vez cheguei em casa e meu pai me disse que estava criando um dinossauro. Disse a ele que isso não era possível, mas ele insistiu e ainda me chamou para ver o tal dinossauro. Quando chegamos ao quintal de casa, vi que tinha uma iguana na coleira. Falei para ele o verdadeiro nome do bicho, mas ele disse que nunca tinha ouvido falar nesse negócio de iguana”.

Rony se chama “O caso da cobra que foi pega pelos pés”. A história fala sobre um indiozinho que fez sua primeira caçada. Na tribo Maraguá caçar significa crescer, por isso é um momento de orgulho para todos. É comum na cultura indígena os pais darem orientação aos filhos para que respeitem a floresta e a conheçam bem, pois ela é fonte e vida e subsistência.

O escritor conta que as lendas que falam de possíveis entidades que vivem dentro da mata também lhe servem de inspiração, assim como o amor pela natureza e pelo ser humano.

Por fim, a mensagem que os escritores deixaram que o ato de escrever surge do nada e  é preciso dar vasão a esse sentimento, pois faz com que eles se sintam mais vivos