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Em busca da escolinha perfeita

Graziella Piccoli, conta a maratona que foi encontrar a melhor escolinha para sua pequena

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Pois bem, aqui estou contando mais um “drama” da vida de mãe. Na época em que participei com meu depoimento, minha filha contava com menos de 1 ano e era cuidada, enquanto eu trabalhava, pela babá. No início do ano (e com a aprovação da PEC das domésticas), meu marido e eu começamos a analisar a ideia de a Bia começar a frequentar uma escolinha, ainda que por meio período.

Percebemos o quanto ela fica(va) feliz ao se relacionar com outras crianças e como isso faz(ia) bem a ela. Decidimos, então, em abril, que ela começaria a ir a uma escolinha.

Começamos durante as ferias do meu marido uma verdadeira “via sacra” em busca da escolinha. Tínhamos diversos requisitos – tinha que ser perto de casa, a ponto de podermos ir a pé, não queríamos uma escola muito grande ou com muitas crianças em uma mesma turma, etc. A primeira que fomos foi verdadeiramente desanimadora: tinha dois bebês (bebês mesmo!) gripados e fazendo inalação, o espaço era escuro, muitas crianças dividiam o mesmo “tatame”, enfim, desolador para quem tinha uma criança sendo cuidada exclusivamente por uma pessoa, no conforto da sua casa. Fiquei com o coração muito apertado e quase desisti de ir adiante com a decisão.

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A segunda escola visitada me deu a péssima impressão de ser um depósito de crianças, pois na “turminha” que viria a ser a da Bia tinha umas 12 crianças, todas confinadas em uma sala cheia de brinquedos e sem qualquer (aparentemente) incentivo pedagógico. Tudo muito limpo e organizado, mas com a sensação de que o tratamento era dado no “atacado” e não no varejo. Mais uma vez fiquei bem preocupada com o universo que a Bia seria inserida.

Quase desistindo da nossa decisão visitamos uma última escola, que não tinha uma grande divulgação, mas conta com uns 20 anos de funcionamento. De início, fomos recebidos sem a necessidade de agendamento prévio (o que não aconteceu nas anteriores e que já me deu a boa impressão de que nada tinham a esconder!). Eu adorei logo de cara. O berçário era limpo, organizado e com muitas cuidadoras, considerando a quantidade pequena de bebês. A “turminha da Bia” não seria grande (no máximo, 4 coleguinhas), o que dava a entender que cuidado seria imediato.

Ainda fiquei com o coração partido de ver bebês tão pequenos, ficando sob os cuidados de terceiros, o dia inteiro (alguns, das 07h00 às 19h00, segundo uma das proprietárias), o que não tinha acontecido com a Bia, que, até hoje, fica pelo menos até às 09h00 comigo e/ou com o meu marido. Batemos o martelo e escolhemos a escolinha que atendia no “varejo”, como eu gosto de dizer.

Relatei a minha busca, que durou algumas semanas (e tiveram escolas que passei na frente e sequer entrei, só de medo do aspecto que tinham externamente), por que todo esse processo também foi um período de convencimento para mim e para o meu marido. A Bia ficava exclusivamente com a babá, com espaço limitado a um apartamento (sem espaço kids, playground, etc.), sem contato com outras crianças (pois é a única neta por parte dos meus pais e a neta mais nova, depois de 17 anos, pelo lado do meu marido) e, com um ano e dois meses, ainda não andava (por conveniência ou excesso de zelo da babá, ela passava muito tempo no berço – em pé, na cadeirinha de balanço ou no berço de acampamento transformado em “chiqueirinho” que fica na sala).

Por todas essas razões, somado a questões financeiras (pela aprovação da PEC das domésticas), acredito que fizemos a melhor opção para a Bia. Com umas três semanas frequentando a escola, a Bia já deu os seus primeiros passos sozinha e passou a comer toda a refeição, sem qualquer auxílio (televisão, tablet, brinquedo – tudo era usado para que ela comesse tudinho!).

Tudo na vida tem seus prós e seus contras, inclusive a escolinha. Estou encantada com a evolução da Bia, mas a adaptação não foi fácil (duas semanas de choro da Bia, meu e do meu marido na porta da escola) e a série de viroses já começou (e causou o afastamento dela por uma semana – pois, por sorte, pude deixá-la em casa para se recuperar plenamente). Questiono(ei) minha opção diversas vezes, mas resisto à tentação de manter a Bia em uma “redoma”, por que a vida nem sempre irá poupá-la de todos os percalços (como a resistência ao novo ou a exposição a doenças) e tudo faz parte do aprendizado e da criação da resistência. Sempre repito para mim mesma que é para o bem dela (como se eu fosse me convencendo!?!).

Tenho a sorte de ter tido a possibilidade de mantê-la em casa até a idade de um ano e dois meses e fico muito compadecida com as mães que tem que deixar seus pequenos, aos quatro meses (quando se encerra a licença-maternidade para muitas trabalhadoras), em ambientes estranhos e nem sempre confiáveis. Chorei muito só de imaginar que a Bia podia ter sido exposta a isso, sem que eu tivesse qualquer alternativa, e de imaginar o coração daquelas mães que deixavam seus filhos no início da manhã e só voltavam no final do dia, mal tendo tempo de interagir com eles, delegando o convívio a terceiros e perdendo as “novidades” dos pequenos. 

Essa culpa de perder, ainda que um pouquinho, da vida da Bia é que me corrói e é contra a qual eu luto todo o dia. E para isso, lembro da minha mãe, que foi uma das que não teve escolha e tinha que trabalhar, mas pode me deixar aos cuidados da minha avó, até que eu entrei na escola aos três anos de idade, e dedicou todo o seu tempo livre a mim e à minha irmã, como forma de compensar a distância no dia a dia. Faço isso com a Bia, por mim e por ela. Meus finais de semana, férias e todo o resto do meu horário livre é para ela e por ela. É uma forma de amenizar a minha culpa e de encurtar a distância que essa vida louca – de trabalho e escola – faz surgir nas famílias.

Ser mãe é, com certeza, saber lidar com a culpa, sob todos os aspectos e fases que a vida nos coloca na frente, e seguir optando. É tudo uma questão de tentativa, acerto e erro, e vamos indo!