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Ele não conseguiu sugar

Pedro Henrique, filho de Luisa Aranha, nasceu com um “defeitinho de fábrica” e depois do primeiro mês de vida ficou só na mamadeira

Redação Pais&Filhos

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Luisa Aranha mãe de Pedro Henrique e Eduarda participa da campanha Culpa,Não! O tema do mês de Junho é  “Não dou leite comum, dou fórmula”  se você também quiser participar siga a nossa página no Facebook e mande um depoimento sobre o tema do mês para giovanna@revistapaisefilhos.com.br

 

Eu sou daquelas mulheres que acreditam que amamentar é o melhor, o mais prático e econômico. Quando minha primeira filha nasceu, em 1997, a teoria sobre a amamentação era que ela só precisava ser dada até os seis meses, e com 4 meses começava-se a introduzir sucos e frutas na alimentação do bebê. Então a Duda mamou até os seis meses, como indicado, e depois passou a tomar leite de vaca.

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Quando o Pedro Henrique nasceu, agora em 2012, as teorias já eram outras. Aleitamento exclusivo até os seis meses e amamentação até os dois anos. Pois bem. Eu estava preparada para isso. Foi tão simples, lindo e perfeito com a primeira que não tinha porque dar errado com o segundo.

Acontece que o PH se apressou e nasceu antes. Não foi considerado prematuro, apenas das 36 semanas, pois tinha peso e ficamos menos de 48 horas no hospital. Mas PH não dormia sem ser no braço. Ele mamava e dormia e se a gente colocasse ele no berço acordava aos berros e assim foi seu primeiro um mês e meio.

Em casa nos revezávamos para dormir. Eu acordava inevitavelmente de 3 em 3 horas.  Então dormia 3 horas, ficava 3 acordada. Passa para o braço do papai e dormia novamente.  E assim foram as nossas rotinas.

Na consulta dos sete dias ele tinha perdido 200 gr. Até ai, sem problemas, é normal os bebês perderem algum peso quando nascem. Na consulta do primeiro mês ele tinha engordado apenas 60 gr. Pediatra  recomendou que eu tirasse o leite e desse em uma mamadeira para ver se, quem sabe assim, ele começava a engordar mais e marcou nova consulta para 15 dias

Então a rotina das mamadas ficou mais desgastante com aquele aparelhinho de tirar leite. Tomei um remédio para estimular a produção. Sentia o leite ali, muitas vezes vazando, e pouco indo para o PH, se não fosse o que eu tirava para a mamadeira.

Tinha algo errado com ele. Ele mal começava a sugar e dormia, cansado, exausto e ainda fazia um barulho muito estranho, como se tivesse um apito acoplado em sua garganta. E a rotina de revezar os braços para ele não chorar continuava e parecia, que cada dia que passava, ele ficava mais inquieto e menor.

Até o dia que acabou as férias do marido e me vi sozinha com ele. Bateu o desespero, não podia nem fazer xixi, que ele berrava desesperadamente. E cada dia eu conseguia tirar menos leite e ele seguia no ritmo de pouco sugar. Liguei para o pediatra chorando. Eu não sabia o que fazer, expliquei tudo, disse do barulho que me incomodava, da falta de força para sugar e o fato dele só ficar no braço e se largava ele acordava e queria mamar. Enfim, chorei desesperadamente para o pediatra.

Ele me sugeriu que comprasse uma lata de fórmula infantil (na verdade, ele tinha dito que se o PH não engordasse pelo menos 300 gr em 15 dias iríamos introduzir a fórmula) e desse uma mamadeira para ele. Ainda me disse que podia ser possível que a gente precisasse testar algumas para ver qual seria a ideal para ele. Desliguei o telefone com dor no coração. Liguei para a farmácia, era uma tarde chuvosa e pedi a fórmula indicada.

Quando chegou a tele entrega, fiz a primeira mamadeira, e dei chorando para ele. Me sentia  inútil, incapaz de alimentar meu próprio filho, a pior mãe do mundo. Depois da mamadeira, o arroto tradicional e… PH dormiu as primeiras 4 horas da vida dele, confortavelmente em seu berço. A tristeza com a experiência frustrada de amamentar ele e a alegria de vê-lo dormindo feliz se misturavam.

Meu filho tinha fome e passou chorando o primeiro mês e meio de sua vida por isso.  Em uma semana de fórmula ele engordou 600 gr. No mês seguinte 1,400 gr e por aí foi se desenvolvendo.

PH veio com um defeitinho de fábrica chamado laringo traquemalacia, que é uma cartilagem que segura a faringe sem estar totalmente formada. Por isso o apito e por isso também, a sucção era tão cansativa para ele.  Faltava força para mamar.

Mas ai vinham as milhares de “talimães” a favor do aleitamento materno, sem nem saber o que se passava com meu filho a me julgar e dizer que eu era uma mãe desnaturada e não ajudava na causa oferecendo uma mamadeira em público para um bebê tão pequeno. Se não bastasse os meus sentimentos confusos, a minha culpa e frustração, ainda tinha que lidar com o julgamento de toda a sociedade materna e os pitacos de quem recortava uma cena da minha vida por um segundo que me via.

Depois que a fórmula entrou em nossas vidas, passamos a ter rotina dentro de casa, noites bem dormidas e um  bebê se desenvolvendo sadiamente. Meu leite foi secando aos poucos, pois só a maquina tirando não estimulava a produção, até que aos 3 meses ele passou definitivamente a tomar só fórmulas.

Queria muito ter amamentado o PH até os seis meses. Mas não deu. Hoje agradeço por existir as fórmulas e profissionais competentes que lidam com isso de forma natural.  Sabemos a importância do aleitamento, mas meu filho não é menos apegado a mim por usar uma mamadeira e também não deixa de ser uma criança saudável por isso.

 E a culpa sumiu, depois que vi, que apesar de tantas campanhas sobre amamentação existem muitas mães que por n motivos precisam recorrer as fórmulas. E ainda bem que elas existem, afinal não precisamos ver os filhos morrendo de fome.