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E foram só seis meses

Para Michelle Mariotto, mãe de João, o maior fardo da maternidade é mesmo a exaustão

Redação Pais&Filhos

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Michelle Mariotto mãe de João participa da campanha Culpa,Não! O tema do mês de Julho é  “Não preguiça é cansaço”  se você também quiser participar siga a nossa página no Facebook e mande um depoimento sobre o tema do mês para giovanna@revistapaisefilhos.com.br .  

Coincidência – ou não! – enquanto escrevo esse relato completo meu primeiro semestre como mãe. E posso dizer com a maior convicção do universo que o maior fardo, e o mais pesado, dessa minha nova condição é a exaustão.

Dizer que não tenho sequer uma única digna noite de sono ininterrupto há seis meses – um pouco mais, na verdade – é chover no molhado. Afinal, que mãe não passou por isso? Minha particularidade é que o João chegou causando. Minha bolsa rompeu às 23:00h, ele nasceu às 03:00h e inaugurou em alto estilo meu saldo negativo no banco de horas do sono com uma noite em claro…

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Não ter tempo para ir ao banheiro, comer, pular o dia de lavar o cabelo, sair sem maquiagem e mal vestida – isso quando não contabilizo dias sem colocar o nariz para fora da porta de casa… Tudo em função dos cuidados com o pequeno. Também não acredito que seja exclusividade minha. Certeza que qualquer mãe de primeira viagem morando longe da família – traduzindo: sozinha no mundo! (sem exagero, é assim que me sinto às vezes) – sabe bem do que eu estou falando. E aí a exaustão é notória: olheiras profundas, pele e cabelo sem viço, humor oscilante, falta absoluta de energia para cozinhar um ovo – que dirá comê-lo… Na boa, não dá para sentir culpa por algo tão visceral, tão humano, tão… óbvio!

Mas aí entra o cérebro! O manda-chuva. O vilão supremo. Que, levado pela falta de sono, a alteração absoluta e definitiva da rotina e impossibilitado de atuar na sua máxima capacidade – quando não completamente ocioso – nos leva a pensamentos obscuros, intensos, dolorosos, maldosos. “Eu não estava preparada para isso”. “Não nasci para ser mãe”. “Meu filho merecia uma mãe muito melhor do que eu”. “E se eu pudesse voltar no tempo?”

Se eu pudesse voltar no tempo nada seria diferente. Porque, apesar do meu sofrível estado de esgotamento, meu filho foi o melhor presente que eu ganhei na vida! Nunca fui tão feliz, plena, realizada, satisfeita, madura, esperta, descolada, dedicada e antenada como depois da sua chegada. E, em toda a minha vida, nunca amei tão profunda e desesperadamente como eu o amo. Tanto que no meio do caminho (meio que para passar o tempo…) encontrei forças para criar e manter um blog. Para falar de que? Maternidade e filhos. Eita bicho esquisito que é mãe!

O cansaço físico é natural e esperado. O verdadeiro perigo é a exaustão psicológica!

Xô culpa! Vá de retro…