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Da próxima vez será melhor

Graziella Piccoli, mãe de Beatriz, não conseguiu amamentar sua pequena, mas espera que como segundo filho a história mude

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Amamentação foi um estresse enorme para mim e para a Bia. Ela pegou super bem logo de cara, mas como sou muito clara tive problema para amamentar sem dor.

Já saí da maternidade com o peito todo rachado e logo na primeira consulta com o pediatra fui aconselhada a alugar uma bomba para tirar o leite. Comecei, então, alternando mamadas no peito e na mamadeira (com leite materno), para dar uma folga para o peito. Além disso, não tinha muito leite, pois a Bia ficava meia hora no peito e saía só 60 ml (isso foi aferido com pesagem antes e depois, pelo pediatra). Para aumentar a produção (ou concentrar mais leite), oferecia fórmula durante as mamadas noturnas. De manhã, estava com o peito cheio e a Bia se fartava. No entanto, isso pouco resolveu, pois continuava sangrando e doendo muito, tanto na amamentação quanto na bombinha.

Aí comecei a apelar para tudo e todos. Enchia o peito de pomada (de lanolina), usava luz infravermelha para cicatrizar, alternava mamadas no peito com a fórmula, usava medicação que aumentava a produção láctea, mas nada resolvia.

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A minha maior culpa era de não sentir o “maior prazer do mundo” ao amamentar. Aliás, eu não entendia como uma mulher podia se sentir tão bem e feliz com toda aquela dor e todo aquele sofrimento que eu estava passando.

 

Quando a Bia fez 45 dias, me vi diante do fato de estar tirando, com bomba, no máximo 60 ml, o insuficiente para matar a fome dela. Aí foi que a culpa realmente pesou. Culpa por não ter suportado as dores com mais bravura, culpa por não conseguir aguentar ver minha filha com a boca cheia de sangue (das feridas dos mamilos), culpa por não amamentar exclusivamente no peito, culpa por não ter sido mais insistente, etc. Enfim, culpa por não ver aquele “prazer maior do mundo” ao amamentar, aquele que a gente vê em propaganda governamental estimulando a amamentação exclusiva ou aquele que a gente ouve de várias outras mâes, lê em blogs, etc.

Pior é ouvir (e ler) por aí que isso que me aconteceu ocorre quando não se tem a correta orientação. Não me considero uma pessoa que não tenha sido orientada, que não tenha buscado esclarecimento ou que me tenha faltado dedicação por parte dos profissionais que me atenderam, mas, sim, que a amamentação é algo que flui naturalmente e que se não for assim, não acontece. E, hoje, eu vejo que a amamentação é importante, mas que pode ser suprida, sem culpa, de outra forma.

A Bia nunca teve qualquer problema com o leite artificial e talvez isso tenha me deixado mais tranquila.

Minha esperança é que, no meu segundo filho, seja tudo diferente, que eu tenha mais disposição, que eu não seja surpreendida por esses acontecimentos, que eu seja mais insistente e que, principalmente, o meu peito já esteja calejado. Minha fé é de que nenhum filho é igual a outro.

Enfim, esse é o meu relato e resolvi escrever por que vejo muitas mães “fãs” da amamentação exclusiva (até uma idade avançada da criança, inclusive), condenando outras mães que não tiveram a sorte de poder amamentar naturalmente e sem estresse.