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Cumplicidade indescritível

Janaina, mãe de Matheus, trabalha e cursa a faculdade. Mas sabe que o filho é o motivo do seu sorriso

Redação Pais&Filhos

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E aí a campanha “Culpa, Não” trouxe o tema que mais me consome, o mais tabu, com o qual eu não consigo lidar. Juro que pensei em correr. Em não pensar mais nisso, em passar por essa página. Mas aí reconsiderei e cheguei à conclusão de que seria uma boa terapia. Então vamos lá: Não importa o quanto eu faça pelo meu pequenininho. Nada parece ser o suficiente.

Eu sou mamãe de primeira viagem. Quando nós (eu, o pimpolho e o maridão) viemos para casa, as pessoas costumavam dizer que parecia que eu tinha nascido sabendo. Que cuidava dele muito direitinho e que a tal “intuição de mãe” parecia estar presente em mim. Fato é que apesar dos elogios eu me sentia um caco. O Matheus chorava de cólica eu me sentia culpada, minha mãe ficava com ele para que eu conseguisse dormir algumas horas e eu me sentia negligente. Depois dos primeiros meses, as coisas ficaram mais fáceis, mas a sensação de estar aquém das expectativas nunca me abandonou.

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Quando o Matheus tinha cinco meses eu voltei a trabalhar e recentemente voltei a cursar a faculdade. Acho que já deu pra imaginar que a minha rotina virou uma loucura, né? Eu tenho muita sorte. Meu marido é super presente e meus sogros (nós moramos na casa deles) são super parceiros e compreensivos. Não são raras as vezes em que ficam com o pequenino a noite toda para que eu possa dormir com mais tranquilidade. O problema é que essa situação me consome. Sinto como se estivesse perdendo momentos importantes da vida do meu pimpolho. Acho que nenhuma outra mãe faz isso e que eu sou a mãe mais distante do universo.

Tudo o que eu vivo, penso, faço, falo e leio tem de alguma forma a ver com o meu bebê. Ele é a minha vida, o motivo dos meus sorrisos, das minhas reflexões e o que me fez querer ser uma pessoa cada vez melhor. Nós brincamos horrores, nos comunicamos só com o olhar e temos uma cumplicidade indescritível. Será que o fato de eu aceitar a ajuda que me é oferecida de bom grado me desqualifica como mãe?