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Culpa por não se sentir culpada

Priscila Dutra, mãe de Lorenzo, não chorou no primeiro dia de aula de seu filho, pelo contrário estava feliz por proporcionar a ele essa experiência

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Desde que o Lorenzo nasceu eu sempre soube que teria de estimulá-lo ao máximo, que precisávamos correr contra o tempo, por isso a ideia de deixá-lo no berçário após o período de licença sempre foi considerada. Mesmo após os 45 dias de internação na UTI e de todos os cuidados que ele precisava, nós optamos por isso.

Pesquisei muito, visitei mais de cinco berçários e escolhi um que fosse de encontro ao que procurávamos: profissionais experientes, limpeza, cuidados e segurança. O fato de o berçário disponibilizar o acesso via câmera também me deixou mais segura.

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Eu estava ansiosa para levá-lo, sabia que ele iria gostar de ficar com as outras crianças e que seria muito importante para os estímulos que ele precisava. Fui feliz e segura. Fizemos um período de adaptação que foi bem rápido, pois desde o primeiro dia ele já se sentiu bem, gostou do ambiente e nem precisei ficar junto.

A minha culpa veio justamente pelo contrário, pois via as outras mães chorando em deixar os filhos e eu estava sentindo exatamente o oposto… Estava feliz em proporcionar essa experiência a ele, sabia que ele estava gostando de ficar perto de outras crianças e o ambiente era muito rico em estímulos. Cheguei até a pensar que existia algo errado comigo… Conversei com as professoras que me disseram que provavelmente todo o processo de adaptação dele foi tranqüilo e rápido, pois eu havia passado essa segurança e tranqüilidade para ele.

Até hoje ele ama a escola, já chegou a chorar quando fui buscá-lo porque queria ficar lá. Ele adora os amiguinhos e as professoras. Apesar de sua limitação, devido à paralisia cerebral, não houve dificuldade de adaptação ou aceitação por parte dos amiguinhos e da escola. Algumas dificuldades como a alimentação e as restrições motoras foram superadas com informação e treinamento. E hoje tenho certeza de que levá-lo ao berçário aos cinco meses foi nossa melhor escolha.