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Contando as horas pra te ver

Olívia, mãe da Catarina, aprendeu a se sentir segura quando a filha ficava aos cuidados de outra pessoa

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Eu, como qualquer mãe,  sofri com o fim da licença-maternidade. Fiquei insegura com a ideia de viver longe da minha pequena cria. A Catarina não pegou nenhum tipo de bico, tudo era oferecido no copo, para aumentar o meu desespero. 

O dilema era de voltar a trabalhar ou não, mas, como diz minha avó: “para tudo há um jeito”. Então, tive uma conversa franca com minha chefe, expliquei a possibilidade de não retornar e, para minha surpresa, ela permitiu que a levasse para o escritório.   

Adaptamos a sala com cercadinho, carrinho, brinquedos, cadeirão. Confesso que a minha produtividade caiu. Porém, fazia as coisas com mais qualidade. Quer motivação maior do que trabalhar ao lado de um filho, por mais trabalhoso que seja? 

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Ficamos juntinhas do 4º ao 14º mês e amamentei exclusivamente até o 6º mês. Acompanhei os avanços: engatinhar, sentar, ficar em pé, andar.  Entre os funcionários, ela era paparicada e mimada. O aniversário de um aninho foi comemorado no escritório.

Esse período me preparou para a separação inevitável, que só de pensar já ficava com o coração partido. Pensei que sofreria horrores, mas Deus sempre coloca as pessoas certas nas nossas vidas.

Desta vez, ele colocou a Dona Regina, que cuida da filha de uma amiga desde o 4º mês, hoje com 6 anos e que permanece sob os cuidados dela. Foi simpática desde o início: ela, com aquele jeitinho meigo com criança, me trouxe segurança desde a adaptação.

No primeiro dia, chorei. Não sabia andar sem minha filha, sentia um vazio enorme. Ligava o tempo todo para saber como ela estava,  se comeu, se dormiu, se chorou.

Para minha surpresa, a Catarina se adaptou muito rápido e isso me trouxe alívio, tranquilidade, segurança. Após a primeira semana, ela já não chorava, pelo contrário: alguns dias, não queria nem ir embora. Ela fecha a porta e nos dá tchau, já chega dando os bracinho para Dona Regina, o que me deixa segura, porque sei o quanto ela está sendo bem cuidada.

Percebo que foi uma loucura traze-la para escritório durante 10 meses, mas fiz o melhor por nós e no final deu tudo certo, embora tenha sido muito trabalhoso, mas muito gratificante.

Hoje, aos cuidados da Dona Regina, a Catarina está ótima, se alimenta melhor, dorme a noite inteira, ficando cada vez mais independente.  É bem zelada, principalmente, é amada e isso não dinheiro no mundo que pague.

Às vezes bate a culpa, por ficar tanto tempo longe dela, conto as horas para chegar em casa, me desconecto do mundo e as atenções são todas dela: brincar, dar banho, mamada, ninar para dormir.

 E assim são os nossos dias, às vezes com culpa, outras não.