Notícias

Casa é lugar de criança

Pai arquiteto explica como a casa precisa se adaptar aos filhos

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O arquiteto Marko Brajovic explicou em entrevista a Pais & Filhos como a casa precisa se adaptar à chegada dos filhos.

Como a arquitetura de uma casa se adapta a chegada de uma criança?

Anúncio

FECHAR

Bom, depende. Existem dois tipos de pais: os que acham que a
criança não pode invadir a casa, e fazem um cantinho para ela, isolado; e os que aproveitam a presença da criança para refazer alguns pedaços da casa e integrá-la.

De que tipo você é?

Na minha opinião, é preciso deixar a criança conquistar os próprios espaços na casa, para se sentir parte dela. Eu e minha mulher aproveitamos a chegada da nossa filha, Zoe, de três anos, para observar os cantinhos que ela mais gostava de ficar. A partir daí fomos adicionando coisas para estimulá-la a ficar nestes lugares. Na sala, por exemplo, embaixo da rede,  é onde ela gosta de brincar de comidinha. Tem lá um fogão, mesinha, panelinhas…
Perto da chaise-longue,  ela gosta de ficar com seus bichos de pelúcia.
No terraço tem um jardim de bambu e é um dos cantos que ela elegeu para fazer sua pequena horta e plantar. Claro que para poder fazer isso tivemos que ficar muito mais rigorosos em relação ao tipo de brinquedos que deixamos entrar em casa. Não temos aqueles brinquedos horrorosos de plástico…
Preferimos brinquedos de madeira, de pano, aqueles que de algum modo despertam também a criança dentro de nós.

Como fazer com a bagunça?

O que a gente chama de bagunça ela chama de brincar. Mas organizamos um pouco isso colocando uns nichos onde ela pode guardar as coisas dela. Claro que tem dias que ela está cansada, vai dormir e deixa tudo fora do lugar… A casa fica mesmo meio infantilizada, no sentido bom da palavra. Tem coisas até que nem dá para separar se é nosso ou dela. Ela adora animais e eu trago bichos de pelúcia de todas a minhas viagens para ela: da Amazônia, da China, da Europa. Nós também gostamos muito desse imaginário de animais, temos papel de parede de bicho, móveis e enfeites com o tema. Então, acaba misturando muito o nosso com o dela.

Depois que você teve sua filha, seu trabalho mudou? Ser pai influenciou na sua arquitetura?

Temos um escritório multidisciplinar de arquitetura, cenografia, design, onde cada trabalho é coletivo.
Sempre tratamos muito com o lúdico no nosso trabalho e com a chegada da Zoe o lúdico invadiu meu cotidiano. Ter isso no dia a dia vai educando a gente. Com certeza ajuda muito, e influenciou sim nos meus projetos.