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Autores encantam público da Flipinha falando de cultura popular

Arievaldo Viana e Fábio Sombra recordam suas raízes e enaltecem a importância da literatura de cordel

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

As rimas e versos ritmados foram destaque na tenda da Flipinha neste sábado. O escritores e ilustradores Arievaldo Viana e Fábio Sombra participaram da ciranda dos Autores falando sobre Cultura Popular e Literatura.

Arievaldo conta que foi criado à luz de lamparina, bebendo água de pote e foi alfabetizado com cordéis recitados pela avó, durante sua infância em Quixeramobim, no Ceará. “Ela tinha uma maleta cheia de poemas de cordel. Essa experiência fez com que eu me interessasse pelo assunto desde pequeno”.

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Até os 10 anos de idade Arievaldo nunca tinha visto uma televisão, porém já tinha lido e estava começando a escrever e recitar seus próprios cordéis. O tempo passou e ele se tornou grande admirador de literatura tendo nomes que vão de Ariano Suassuna a Willian Shakespeare entre seus escritores preferidos e fonte de inspiração.

Atualmente ele é autor de livros como “História do navegador João de Calais e sua amada Constança”, “A Peleja do Chapeuzinho Vermelho com Lobo Mau” e “Rei do Baião Nordestino para o Mundo”. E é também autor de mais de 100 folhetos de cordel.

Para celebrar os 450 anos do nascimento de Shakespeare Arievaldo adaptou o clássico “Sonho de uma Noite de Verão” para a literatura de cordel infantil. Além disso, ele já havia adaptado o livro “Otelo e Desdemoda”.

“A primeira peça que assisti foi Romeu e Julieta e fiquei completamente admirado com a história. Um dia vi que Shakespeare também é poesia popular e foi assim que tive a ideai de adaptar seus contos para o cordel infantil”.

Saindo da caixinha

Fábio Sombra era contrário. Nascido no Rio de Janeiro, sua origem é de uma criança urbana. No entanto, parte de família era Lajinha, zona da Mata de Minas Gerais e em uma de suas férias escolares foi para o sítio dos primos no interior e viu pela primeira vez uma Folia de Reis, festa popular que celebra os Três Reis Magos, com músicos visitando às casas das pessoas e tocando cantigas.

“Foi nesse momento que o mundo desabriu para mim e a Folia de Reis entrou na minha vida e nunca mais saiu e se tornou um dos principais assuntos que abordo como escritor e ilustrador”.

Um dos momentos marcantes de sua trajetória foi quando, após voltar de uma viagem ao exterior, ele foi convidado a ilustrar a história de Aladim e a lâmpada maravilhosa, recontada em versos de cordel pelo poeta Patativa do Assaré.

Em suas histórias ele gosta de contar das coisas que admira, como disputas de versos e violeiros, as situações que vive em suas viagens e as pessoas que encontrar por ai.

Gratidão pelas raízes

Já deu para perceber que os dois autores são declaradamente apaixonados pela cultura popular. Mas a gratidão por suas raízes e as ações que realizam para fomentar esse folclore na literatura também é uma característica presente em ambos.

Sombra é criador do Projeto Tropeiros da Literatura, uma iniciativa que leva livros para crianças e jovens que moram em áreas rurais de dificil acesso. O objetivo é fazer com que essas pessoas tenham a possibilidade de se aproximar da literatura, assim como ele também teve.

Por tudo o que a literatura de cordel lhe ensinou Arievaldo sente que tem uma “divida de gratidão” com seu passado Como forma de possibilitar que outras crianças tenham contato com a arte nordestina ele criou o projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, que leva a poesia popular para alunos, professores e arte-educadores do Brasil.

O projeto existe desde 2002 e possui adesão de algumas secretarias de Educação, Arievaldo ressalta que o, entre muitos benefícios, o cordel facilita o o processo de alfabetização por usar essencialmente uma linguagem simples e de fácil alcance.

O autor possui também o livro Acorda Cordel, que conta desde a origem do cordel até os dias de hoje, destacando as principais modalidades, técnicas e contagens de sílabas.