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As dores e os prazeres da escolinha

Elaina Furlan, mãe de Davi, Daniel e Sara, os benefícios e as sérias dificuldades que a escolinha trouxe para sua vida

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Quando meu 1º filho nasceu eu tinha como certo somente colocá-lo na escola com 6 anos (idade obrigatória na época). Porém nem tudo que desejamos conseguimos realizar, e quando o Davi estava com 1 ano e 3 meses eu engravidei novamente, e vi que seria melhor colocá-lo na escola para que eu pudesse ter um tempinho a sós para cuidar do bebê quando ele nascesse.

No segundo semestre coloquei o Davi na escola, na época ele estava com 1 ano e 8 meses. Era a 1ª vez que o Davi passava um tempo longe de mim, pois como parei de trabalhar para cuidar dele, desde que ele nasceu éramos somente eu e ele o dia todo.

Como acontece com a grande maioria das crianças o Davi frequentou a escola por 1 semana (a semana de adaptação) e já ficou doente. Tomou antibiótico pela 1ª vez e faltou quase 1 mês. Imagina meu coração de mãe, achava (claro) que ele estava doente por minha culpa (ah esse sentimento implacável que nunca abandona a mãe). E fora que eu ficava arrasada, pois foi um sentimento de separação enorme, pois seria o começo da vida particular dele, pois ele iria fazer coisas que eu não estaria participando, foi muito ruim para mim.

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Então o Daniel nasceu, e tenho que admitir que ter o Davi na escola facilitou um pouco minha vida com um bebê, e ele também já estava bem adaptado, com amigos e amando a escola (isso ajudou muito a aliviar aquela culpa inicial).

Fou quando  tive uma proposta para reiniciar o mestrado (que tinha parado quando o Davi nasceu) mas teria que colocar o Daniel na escola também e teria que ser integral para eu me dedicar aos estudos. E nessa época o Daniel tinha acabado de fazer 1 ano. Como o Davi tinha se adaptado super bem achei que não fosse ter problemas.

E lá foi meus 2 meninos para a escola. O que posso dizer é que experiência da adaptação do filho mais velho não me ajudou naquele sentimento de perda horrível que tinha naquele começo de ver meu filho tão pequenininho entrando naquele mundo desconhecido com pessoas estranhas e que nunca iriam cuidar tão bem dele quanto eu, mas tentava me convencer de que aquilo era necessário para meu crescimento profissional.

Após 1 mês de aula o Daniel ficou doente, porém não foi uma coisa simples como foi o Davi, ele pegou uma pneumonia associada a bronqueolite (lembrando que esse é uma das maiores causas de morte em criança até 1 ano, e o Daniel estava com 1 ano e 2 meses). Foi tão grave que ele teve que ser internado na UTI e passou por 2 cirurgias no pulmão.

Para resumir a história, foram 15 dias de internação, e nesse tempo que passei todo ao lado dele tive muito tempo para pensar em muita coisa, e a culpa dominou grande parte desses pensamentos pois tive que deixar meu filho mais velho (que estava com 3 anos na época) sozinho com o pai ( e graças a Deus o pai deu conta perfeitamente) e eu tinha a total noção de que se eu não tivesse voltado ao mestrado eu não teria colocado-o na escola e ele não precisaria ter passado por nada daquilo.

E quando ele saiu do hospital, a primeira coisa que fiz foi desistir do mestrado e tirá-lo do período integral, só não o tirei da escola pois ele via o irmão indo e pedia muito para ir também ver os amigos (claro que depois de 2 meses de recuperação).

Hoje graças a Deus o Daniel está bem e nem se lembra de toda dor e sofrimento daqueles dias, mas esses dias de hospital, com o Daniel tão pequeno chorando e me olhando com um olhar de desespero de tanta dor que ele sentia eu nunca esquecerei.

Como eu disse ele nem se lembra de tudo que passou, mas eu, toda vez que dou banho nele (isto é, todos os dias) me lembro de tudo vendo a cicatriz que ficou daquelas cirurgias tão dolorosas.

Tem dias que a culpa ainda me assola, mas tento pensar em tudo aquilo como um aprendizado, tiro o que ficou de bom e deixo o passado para trás para poder viver bem comigo mesma e não me martirizar por ter sido a causadora de tudo aquilo para ele. E passou, como tudo na maternidade passa.

E ainda penso em voltar ao mestrado sim, mas agora sei que meus filhos são prioridade e só voltarei quando a Sara, minha caçula tiver uns 3 anos, a idade, que na minha opinião (e depois de tudo que passei) é a melhor idade de se ir para a escola.”