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As delícias da maternidade

Bruna, mãe de Pedro, abandonou a carreira de microbiologista e hoje é mãe sem culpa

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Desde criança quando nos perguntam “o que seremos quando crescermos” a resposta “mãe e dona de casa” nunca nos passa pela cabeça. E eu cresci assim, com grandes ambições profissionais. 

Corri atrás e era muito satisfeita com a carreira que havia construído como Microbiologista em uma Multinacional. Fiz uma ótima faculdade para chegar onde cheguei, aprendi a falar inglês e espanhol, me tornei coordenadora de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento de produtos. 

O custo disso era trabalhar muito, viajar e adiar a vida pessoal. Me parecia um custo muito baixo para realizar meus sonhos.  

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Até que, com 29 anos, engravidei. 

Trabalhei e dirigi até o dia anterior ao nascimento do meu filho, durante a gravidez viajei muitas vezes, inclusive para o exterior. Com uma barriga de 9 meses, eu estava dando palestras. E tudo aquilo me parecia perfeitamente normal. 

Certo dia, durante a gravidez, meu chefe me chamou e perguntou se eu gostaria de continuar a trabalhar após a licença-maternidade. E a pergunta dele me soou muito estranha, afinal de contas, “o que mais eu faria se não continuar a carreira que vinha construindo?” 

E um tiquinho chamado Pedro nasceu: lindo, delicado e tomou conta do meu coração. 

Com aqueles 3 quilos de criança no meu colo, desenvolver projetos parecia algo tão pequeno quando comparado com suas bochechas rosadas! 

Durante a licença-maternidade visitei escolinhas, fiz sua matrícula e chorei a cada dia que o via fazer algo novo, pois sabia que nossos dias de descobertas estavam contados. Logo mais seria sua professora que me contaria, e isso me apavorava! 

Voltei a trabalhar dizendo que o Pedro continuaria a ser minha prioridade número 1. E após 15 dias do meu retorno ao trabalho ele adoeceu, era uma virose. Mas eu me vi mandando meu bebê de 5 meses para a escola com 38 de febre, medicado, pois eu tinha uma reunião importante. 

E no meio da reunião me caiu a ficha, ele não estava sendo a minha prioridade, ou ele não estaria na escola doente.  

Naquele dia eu saí do trabalho e nunca mais voltei, nem mesmo para cumprir aviso prévio.  

Troquei carreira, uma vida bem planejada e corrida por lentas tardes de sol ao lado do meu menino. Troquei também status por pia cheia de louça e banheiros para limpar. Mas troquei principalmente pessoas agitadas por abraços e beijos babados que chegam do nada e dizem “Eu te amo, mamãe”.  

Agradeço por trabalhar fora ou não ter sido uma escolha, pois, mesmo tendo que adaptar a vida financeira, meu marido poderia nos sustentar. Sou muito grata por isso.  

Hoje o Pedro tem 2 anos e 9 meses… Eu o vi sentar, engatinhar, andar, aprender a falar… Mas descobri que não são essas grandes descobertas dele que mais fazem diferença na maternidade… E sim perceber aquele olharzinho diferente, notar que ele prefere ser beijado no pescoço do que na bochecha, descobrir que no quintal tem um lugarzinho que sempre tem formigas. Essas são as delícias da maternidade, coisas que precisa de tempo, quantidade e qualidade de tempo.  

Não acho que eu seria uma mãe pior se eu trabalhasse fora, mas sei que eu não teria tempo para essas pequenas descobertas.  

Não me sinto culpada, mas me sinto julgada. Algumas pessoas nunca mais me disseram que tem orgulho de mim, outros não se conformam por eu ter abandonado tudo. Mas, o que sei é que eu nunca fui tão feliz e que o Pedro é uma criança carinhosa, tranquila, esperta e bem educada. E é disso que precisamos.  

Hoje não penso em voltar a trabalhar. Eu quero fazer suco de laranja para ele quando ele voltar da escola, quero estar aqui quando ele tiver sua primeira briga com um amiguinho, quero ajudá-lo na lição de casa, quero estar aqui quando ele tiver uma decepção amorosa… E claro, quero sim outros filhos! 

Foi difícil decidir pelo abandono da carreira, mas uma vez decidido a culpa me deixou em paz. Hoje eu vivo uma maternidade “sem culpa” e isso faz toda a diferença.