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Amamentar é possível e bem difícil também

Bárbara Miura, mãe de Kenzo, fez de tudo para amamentar com o menor uso de fórmula possível, mas não foi fácil

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Bárbara Miura mãe de Kenzo participa da campanha Culpa,Não! O tema do mês de Junho é  “Não dou leite comum, dou fórmula”  se você também quiser participar siga a nossa página no Facebook e mande um depoimento sobre o tema do mês para giovanna@revistapaisefilhos.com.br .  

Vou contar todo minha historinha de lactante com o objetivo de ajudar outras mães que passam por dificuldades na amamentação e que por falta de apoio de uma boa equipe (tanto técnica quanto familiar), acabam desistindo de seus sonhos de continuar amamentando. Não tenho intenção de julgar ninguém que tenha desistido, é muuuuuito difícil em alguns casos e só com muito apoio para prosseguir.

Nem todas mulheres estão preparadas ou querem passar por isso e suas vontades devem ser respeitadas! Cada mãe sabe o que é melhor para ela e seu filho!

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Meu parto, apesar de cesárea, foi humanizado e Kenzo veio para meus braços assim que saiu da barriga. Como chorou muito, o pediatra foi deixando que ele se acalmasse para ai sim começar a mamar. Não precisou de nenhuma intervenção, ainda mais pq seu choro tão forte foi suficiente para limpar as  vias aéreas rsrsrs, foram 40 min “esgoelando” deitado em meu peito. Quando começou a acalmar, o pediatra o posicionou para começar a mamar e foi ensinando p/ mim e meu marido como ajuda-lo a fazer a pega correta. Não senti qualquer dor ou incomodo naquele momento. Ele mamou por 1h ainda na sala de parto.

Durante os 3 dias na maternidade a experiência da amamentação foi um pouco dolorida mas suportável. Quando não aguentava muito, colocava o protetor de bico, o que não era recomendado pelas enfermeiras nem pelo pediatra, pois ele poderia confundir e fazer a pega errada, mas só eu sabia o grau de dor que suportaria e também não queria correr o risco de ter rachaduras ou sangramento. Além do protetor em pelo menos 1 das mamadas, usava também a concha anti-empedramento, que deixava o bico “respirando” e a pomada de lanolina. Kenzo sempre foi faminto e não passava de 2h sem mamar, mas com esses acessórios não tive qualquer problema.

E assim foi durante 2 meses, ele mamando com intervalos de no máximo 2h e com espaçamento maior só na madrugada, quando dormia umas 5h, o que dava um bom descanso. Fui totalmente adepta da livre demanda.

Kenzo teve estirões de crescimento consideráveis, ele esticava muito e engordava pouco o que fez com que ouvissemos muitas vezes – ele não precisa de reforço? Seu leite é suficiente? etc, etc… – um saco, mas fui firme e tive o aval do pediatra que ele não precisava de reforço, pois o desenvolvimento dele no conjunto estava ótimo e como eu e meu marido fomos crianças magras, mesmo tendo tomado fórmula.

No 3º mês, entretanto, ele esticou muito, muito, muito e não engordou, e fomos avaliar o que teria acontecido.  

Ele chamou a fono da clinica e ela observou que a língua dele era muito presa e que ele não estava mais fazendo a pega correta , e assim, não estava extraindo o leite posterior (a parte gorda do leite), pois meu peito enchia muito e ele extraia só o anterior (a parte que tem os anticorpos – o que o povo chama erroneamente de “leite fraco”). Na hora de extrair o posterior, que é mais grosso, ele começava a chorar. Eu não sabia, e mudava de peito, pois achava que já estava sem leite, uma vez que normalmente ele ficava mais de 30 minutos em cada um. Esse excesso de esforço também consumia calorias dele desnecessariamente.

A sugestão da fono foi que fizesse o corte do freio, mas era uma decisão que cabia a nós. Como eu tinha feito essa cirurgia quando criança e meu marido tb tem um pouco de língua presa, avaliamos que era melhor fazer logo para que ele voltasse a mamar direito pois não queríamos entrar na formula desnecessariamente, principalmente pq eu tinha muito leite.

Tentamos primeiro fazer somente translactação (“trans”), extraia o leite anterior com bombinha elétrica e já deixava no posterior para ele mamar. Se ele quisesse mais, passava para ele o que tinha extraído pela “trans” enquanto ele mamava.

Na “trans” vc coloca o leite em um copinho e com uma sonda coloca uma ponta dentro do copo e a outra presa no peito, ai a criança vai mamando o peito e sugando o “canudinho” ao mesmo tempo. Isso é muito usado inclusive para estimular a produção de leite em prematuros e já há relatos de sucesso até para mães adotivas, que começam a produzir leite através dessa técnica.

Na semana seguinte, voltamos ao pediatra e nada de ganho de peso.

Li bastante sobre a cirurgia e vi que seria bem simples e lá fomos nós para uma odontopediatra que faz a mesma. Realmente é tranquilo, em apenas 5 minutos a língua já esta solta e o bebê mamando. Mas, para uma mãe, esses 5 minutos parecem 5 horas rsrsrs… 

Após isto, ele passou por 2 sessões com a fono e ela foi ensinando como posicioná-lo corretamente durante a mamada e exercícios para a língua também se posicionar corretamente.

Antes, achava que era uma índia, que podia pendurá-lo no peito e fazer mil coisas enquanto ele mamava e vi que não era bem assim, que precisava dar atenção para aquele momento.

Em uma das sessões, fiquei tão estressada com tantas coisas que teria que fazer (exercício para a língua, posicionamento correto na hora de amamentar, extração de leite com bombinha, translactaçao, …!), que ao chegar em casa, meu leite quase secou, não saia nada e Kenzo estava ficando faminto. Liguei p/ o pediatra e optamos por entrar com a formula através da “trans” e se meu leite não voltasse, tomaria um medicamento para voltar a produzir. Sou um pouco reticente quanto a tomar medicamento, mas se não tivesse jeito, fazer o que…logo eu que tinha tanto leite…

E ai, entrei com minhas “técnicas pessoais”. Tomei missoshiro com iriko (peixe seco), que já haviam dito que aumentava o leite.

Foram apenas 2 doses de 60 ml de formula através da “trans” e ao acordar no dia seguinte, estava com as mamas bem cheias!

Mesmo assim, por 1 semana, continuei passando 60 ml na ultima mamada e fui reduzindo ate retirar completamente.

Continuei retirando o leite anterior e passando por “trans” em 3 mamadas durante o dia por 2 semanas. Kenzo ganhou um pouco de peso, não muito, mas já estava mamando corretamente.

Com 4 meses e meio, decidimos apostar no reforço 2 vezes ao dia p/ ver se isso dava um incremento de peso para ele. Começamos com 2 de 60 ml, sempre através de “trans”. Ele continuava esticando bastante e ganhando peso mas não muito. E sempre ouvindo comentários – nossa, ele é comprido ne? – rsrsrs, para não dizerem – nossa, ele é magrinho ne? – rsrsrsrs

Continuamos com o reforço nesse esquema e assim foi até o 6º mês. Ele chegou a tomar 210 ml por dia de formula, o que para uma criança nessa idade, que só toma formula, é o equivalente a quantidade de apenas 1 mamada + ou –

Somente após o 6o mês, entrei na fase do prazer da amamentação. Não que antes não fosse gratificante, mas no fundo ficava essa auto-cobrança de que eu precisava alimentá-lo, que ele dependia daquele leite p/ crescer saudável.  Hoje, aos 15 meses, ele ainda mama livremente.

Por isso, ficam aqui os pontos principais do que vivi:

– leite fraco – NÃO EXISTE! “pelamordedeus” ! existe criança que não extrai todo o leite, que foi o meu caso

– pouco leite – é possível, mas pode ser aumentado através do estimulo (quanto mais mama, mais produz) e pode ser incrementado com a translactação/ relactação. Há diversos relatos que podem ser encontrados no google sobre isso. Há medicamentos que também ajudam na produção, mas fica aqui minha sugestão do missoshiro com iriko, no meu caso deu muito certo.

– leite secar e voltar – totalmente possível, já vi relatos inclusive de mães que ficaram mais de 1 mês sem amamentar e conseguiram voltar com a “trans”

Mesmo assim, continuo dizendo, amamentação depende de todo um apoio, principalmente do parceiro, e de muita disposição, pois consome bastante a mãe e a produção de leite depende muito da condição emocional da mãe, pois é o cérebro que libera a ocitocina que vai produzir o leite.