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A hora certa para a escolinha

Juliana Palombo, mãe de Roberto, tinha tudo planejado quando estava grávida, mas quando a licença acabou percebeu que ainda não estava na hora

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Juliana Palombo mãe de Roberto participa da campanha Culpa,Não! O tema do mês de Maio é  “Culpa por deixar a criança na creche”  se você também quiser participar siga a nossa página no Facebook e mande um depoimento sobre o tema do mês para giovanna@revistapaisefilhos.com.br .  

Durante nove meses preparei minha cabeça para que ao fim da licença maternidade, meu filho fosse pra escola.

Esse era um tema super bem resolvido e sem culpas. Mas que se complicou na semana que eu voltaria a trabalhar. O que era uma decisão virou uma demissão.

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Sim, eu pedi demissão porque não achei que era a hora de colocá-lo na escola ainda. E aí passei a me perguntar:

– E quando será a hora?

Não tem resposta, pra cada mãe o seu tempo.

Pra mim foi mês passado, quando ele completou 1 ano e 4 meses. Na verdade queria esperar ele completar dois anos, mas alguns projetos pessoais/profissionais começaram a tomar proporções que na dedicação integral com ele não conseguiria dar foco. Porém, estava mais segura de lançá-lo a mais esse desafio. Ele já fala algumas palavras, compreende bastante coisa, corre, “se defende” de algumas situações e considerei um bom espaço para gastar tanta energia.

Mais segura não significa sem culpa, pois quando nos tornamos mães, por vezes esquecemos que somos seres humanos e nos damos a obrigação de sermos seres irrepreensíveis, o que nos remete à culpa, e essa é uma cobrança interna… e eterna.

A todo tempo a culpa por algo. A culpa é um sentimento que se apresenta à consciência quando o sujeito avalia seus atos de forma negativa, sentindo-se responsável por falhas, erros e imperfeições.

A mais recente que vivi foi no dia que meu filho foi para escola pela primeira vez, a minha irmã me acompanhou e tornou-se testemunha de quão anestesiada eu estava pelo misto de emoções dessa situação.

Como foi estranho a sensação de terceirizar os cuidados dele, de ser responsável por alguma falha, por ser um erro essa inserção escolar tão pequeno, e quantos medos de que tudo possa repercurtir em falhas, erros e imperfeições na educaçao e caráter dele.

Busquei aliviar-me da tensão na palavra desculpa escolhida como parte do título do meu texto. Foi à primeira palavra que sussurrei no ouvido do meu filho ao deixá-lo pela primeira vez na escolinha. Seriam seis horas de separação. Muito tempo pra quem até então, só havia ficado no máximo 4 horas longe e esporadicamente.

Com um ano e quatro meses, idade que foi para escola, não pôde me dar uma resposta efetiva ao pedido de desculpas. Apenas chorou ao sair do meu colo.

O que seria esse choro? Se decodificado em palavras, estaria ele dizendo:

– Não mãe, nao te perdoo? Ou

– Mãe, sentirei saudades, mas  vou ficar bem. 

Na verdade precisei esperar o choro parar para retomar o raciocínio daquele primeiro dia, ainda bem que durou pouco. E ai, mais do que esperar que ele me desculpasse, eu pude me desculpar. Afinal o choro não era uma resposta ao pedido feito em seu ouvido e sim uma manifestação normal e natural do que chamamos de adaptação.

O primeiro dia na escola é sempre difícil. Não é à toa, que esse dia ganhou até um nome: adaptação. Adaptação dos filhos, que chegam a um ambiente novo, diferente e desconhecido. E adaptação dos pais, que também sofrem com a ansiedade e o medo da reação da criança. A adaptação escolar é exatamente esse tempo dado às crianças (e aos pais) para que se acostumem à nova rotina.

Hoje com um mês e alguns dias no papel de aluno, não chora mais. Brinca muito, se desenvolve, já fez galo, já se estranhou com um colega por posse de brinquedo, já quis ficar ao invés de ir embora, já se adaptou, ou melhor, estamos nos adaptando.

A cada culpa um aprendizado, é o que me conforta. Além de saber, que errando ou acertando estou tentando fazer o meu melhor.