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O que me salvou da depressão

Com apoio, Tatiane superou a dor de ter de parar de amamentar Pedro após sofrer violência sexual

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno, mães contam o que mais as ajudou a amamentar os filhos. Mande seu depoimento para nós também gabriela.varella@revistapaisefilhos.com.br!

Minha trajetória é marcada de lutas e vitórias diárias e sinto-me mais feliz por ser mãe e ter tudo isso para contar. Tive o Pedro Francisco em Dezembro de 2011 e um dos momentos mais importantes foi a primeira mamada. Sentia medo e insegurança, afinal era mãe de primeira viagem, mas costumo dizer que o Pedro é uma bênção e esse primeiro momento foi super tranquilo, sem traumas para nenhum dos dois. Foi realmente algo lindo, um momento único, pois sabia o quanto isso era importante para ele.

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Meus planos eram manter a amamentação até pelo menos 1 ano, mas a vida nos pregou uma peça e, aos 10 meses de idade eu precisei desmamá-lo, pois sofri um sequestro seguido de estupro e, para tanto, tive de tomar medicamentos que passariam para ele através do leite. Resumindo: ele havia mamado normalmente durante o dia e de repente, sem aviso prévio, se viu sem o leite materno de uma hora pra outra. Meu pavor diante da situação que eu havia sofrido se tornou nada quando eu lembrei que não ia poder amamentá-lo… E aí vieram os questionamentos: “E agora? Por que isso aconteceu? Como será o sofrimento dele? E a saúde dele será fragilizada?”

Bobagem… Repito que o Pedro é uma bênção e, mais uma vez, vivenciamos mais um momento sem traumas. Parecia que ele nunca tinha mamado ao seio na vida, já que aceitou a fórmula e as papinhas. Sofri muito mais que ele e, nesse momento, vi o quanto foi importante ter quem me escutasse. Encontrei muito apoio nos meus pais e no pai dele (por sinal já estávamos nos separando e, mesmo assim, ele foi super importante nesse momento da nossa vida, sou eternamente grata a ele por isso).

No Projeto Violeta, que é um projeto público que apoia vítimas de agressão sexual, encontrei outro anjo com nome de Kyola Vale, a psiquiatra que se tornou uma amiga orientadora, que me ajudou e me apoiou, me dando orientações inclusive sobre a alimentação do Pedro após o “desmame”. Lembro que a primeira frase que ela me falou, foi: “A baba do seu filho é que salvará você da depressão”. E ela estava certíssima. Agradeço a Deus todo suporte que encontrei nela.

Hoje o Pedro tem 1 ano e 8 meses e é uma criança extremamente saudável. Sei que o fato de eu o ter amamentado enquanto pude fez toda a diferença hoje. Não basta ser mãe, é necessário estar disposta a fazer os sacrifícios que essa condição impõe.

Então, digo às mães de plantão: amamente. Esse ato salva vidas e nos enobrece como mães e mulheres, doe leite e, caso algo de extraordinário aconteça, não se culpe: acredite que o amor de mãe é capaz de suportar todas as dificuldades impostas pela vida. Desejo que tenha sempre quem te escute. Um ouvido amigo e uma mão companheira fazem toda diferença na nossa vida.

Agradeço aos anjos que fizeram parte desse momento.

Saiba Mais:

Projeto Violeta

Em Brasília, atende vítimas de acidentes e violência, com equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, ginecologistas, pediatras e assistentes sociais.

www.saude.df.gov.br