Mais

Vi, vivi e venci

Angi, mãe de Antônio e autora do blog mãe de guri fala sobre depressão pós parto

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

A Depressão Pós Parto me pegou de jeito. Eu não aceitava que tinha acontecido comigo. Logo comigo, que sempre sonhei em ser mãe? Por que justo agora, ao realizar meu sonho de ser mãe eu teria depressão? Como assim ? Eu que sempre estou bem humorada e alegre? Essas perguntas não saiam da minha cabeça enquanto eu não me reconhecia, me fechei no meu mundo e era feliz do meu jeito. Achava que estava doente e que morreria, tinha medo, muito medo. Tinha muitos pensamentos negativos… Sentia vontade de chorar por TUDO e chorava. 

Para mim, se eu não aceitasse que estava com depressão, ela iria embora, assim como veio… Sempre achei que só tivesse depressão quem se permitia, que se sorríssemos ela não aparecia! Nunca falei dos meus sentimentos para ninguém. Não queria demonstrar tristeza na fase que era para ser a melhor da minha vida. Eu convivi com a depressão mais de um ano, aguentando na cara e na coragem suas dores. Até que não consegui mais aguentar, estava exausta! Mas minha força do pensamento não funcionou, lógico. Então eu resolvi procurar ajuda profissional. …

Anúncio

FECHAR

Uma das razões de não procurar ajuda antes, era que queria muito amamentar até os 2 anos. Sabia que teria que me medicar e teria que parar de amamentar. Mas nessa altura do campeonato eu queria ficar bem, para poder cuidar bem do meu filho. Nunca me senti incapaz de cuidar dele, pelo contrário, sempre achei que só eu sabia como cuidar dele. 

Depois de muuuuito procurar, conheci uma ótima profissional, que conversava, me escutava, me ajudava a refletir…. e me medicou. Para mim foi a melhor coisa que pode ter acontecido desde o nascimento do Antônio. Eu não aguentava mais viver naquela situação, não aguentava mais ter pensamentos negativos sobre minha vida. Para minha surpresa esse medicamento poderia ser tomado mesmo amamentando, porém, poucos dias depois Antônio não quis mais mamar. E desde aquele dia, fazia uma sessão de terapia por semana e tomava a medicação receitada por ela. 

Minha vida foi mudando, meus pensamentos, minha alegria foi voltando. Fui descobrindo as origens dos medos, da ansiedade e aprendendo a lidar com ela. E surgiu a oportunidade de nos mudarmos de estado, porém acabei não procurando um profissional para seguir minha terapia aqui. Mas continuei com a medicação…

Isso faz 1 ano e pouco, e no começo de novembro, resolvi que pararia de tomar a medicação. Procurei um médico que me disse como deveria parar de tomar o medicamento. Confesso que os primeiros dias foram difíceis, mas agora é só alegria de viver…

Sei que foi MUITO importante todos os momentos: auto-analise, desabafar sentimentos, escutar, medicação… um conjunto de fatores que foi decisivo para minha vida.Espero que nunca mais tenha esses sentimentos e pensamentos, mas se tiver, vou saber lidar melhor desde o começo…

É normal nos sentirmos tristes e cansadas de vez em quando, mas se sentir triste todos os dias não é BOM. É normal ter medos e não saber como lidar com eles, mas deixar que o medo tome conta de você não é SAUDÁVEL. É normal ter vontade de chorar, se emocionar, mas chorar por TUDO não é NATURAL!

Temos que ser sinceras com nós mesmas. Se sentir que tem alguma coisa estranha, procure ajuda! Se não achar a terapeuta certa,continue procurando, tem ótimos terapeutas por aí. Se alguém disser que você precisa tomar medicação, pesquise sobre esse medicamento e saiba que você não é dependente dele. Nem que terá que tomar medicação para sempre, pode ser que sim, ou que não. Mas acima de tudo, olhe para você, cuide de você, isso é muito importante para que possamos cuidar dos nossos filhos.

Pais&Filhos TV