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Toque e brinque

Tecnologias podem ser boas ou ruins. O jeito é econtrar o equilíbrio

Redação Pais&Filhos

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Vovó, o seu celular está quebrado”, disse Nínive, de 3 anos, quando tentou mexer em um celular que não era touchscreen. A gente sabe que isto é um fato: desde os primeiros anos de vida, as crianças estão cada vez mais conectadas a smartphones, androids ou tablets. Ou todos os gadgets juntos. Antes de chegar à escola, elas já brincam com jogos eletrônicos e aplicativos, principalmente nos celulares e computadores dos pais – às vezes muito mais ágeis do que os próprios pais.

Por se tratar de um fenômeno muito recente, saber quando começa a “geração touchscreen” ainda é uma incógnita entre especialistas. Alguns acreditam que os pais devem sempre deixar a criança acessar a internet, pois proibir seria como impedir que ela falasse ao telefone. Outros são a favor de adiar ao máximo esse contato, por entenderem que a internet seria artificial e desestimularia a troca interpessoal.
Mas é consenso que o equilíbrio é a palavra-chave da questão. “Não há como proibir o uso de tecnologias pelas crianças, a grande questão é saber dosar. Esse papel é da família”, afirma Simone de Carvalho, pedagoga pesquisadora em Educação Infantil na UNICAMP, e mãe de Rafael e Rebeca.

Aprendendo sozinhas

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Uma das contribuições que o mundo virtual traz para adultos e crianças é a capacidade de nos ensinar muitas coisas novas, com a facilidade de um simples toque na tela. A pesquisa Another Way to Think about Learning (Outra Forma de Pensar sobre a Aprendizagem, em tradução livre) conta o caso de crianças, na Etiópia, que usam um tablet para brincar, ler e jogar, sem nunca terem visto uma palavra escrita na vida. A ação faz parte do projeto de inclusão digital e educacional One Laptop Per Child (Um Laptop por Criança), que lançou o computador XO, em 2005 – modelo barato que tem como objetivo difundir o conhecimento e novas tecnologias a crianças de todo o mundo.
“Sob o ponto de vista do desenvolvimento cognitivo, os jogos eletrônicos proporcionam novas estratégias de construção do conhecimento, como o pensamento não-linear, convergente, a simulação e a multimídia (texto, imagem e som), que são, de fato, o caminho para uma educação do futuro”, diz Isabel Orofino, mãe de Rafael e Guilherme, professora doutora no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM.

Veja como proteger seu gadget

Mãe de João, 4 anos, Fernanda Tso conta que o filho adora entrar em um aplicativo que ensina inglês por meio de brincadeiras: um quebra-cabeça digital treina o vocabulário dos pequenos iniciantes em línguas estrangeiras. Somente arrastando o dedo na tela, é possível deslocar figuras, encaixá-las no lugar correspondente e falar em voz alta a palavra que diz respeito ao objeto. Assim, João aprendeu que, em inglês, carro é car e flor é flower, de um jeito lúdico e com a ajuda das novas tecnologias.

Brincadeiras offline

A pesquisa realizada pela AVG Technologies revelou que, atualmente, 58% das crianças sabem jogar no computador, porém apenas 20% sabem nadar ou andar de bicicleta. O estudo foi feito em 2010, a partir de entrevistas com 2200 mães de filhos de 2 a 5 anos, com acesso à internet.
Mesmo assim, pula-pula, amarelinha, casinha e futebol de botão continuarão presentes no universo infantil. Estudos têm demonstrado que brincar continua sendo a atividade preferida das crianças. Ou seja, nem tudo o que vivemos está nas telas eletrônicas.

Como as coisas estão caminhando juntas e as brincadeiras ainda têm seu espaço, elas precisam ser estimuladas pelos adultos. “Além de dosar o tempo, é preciso proporcionar outras atividades concretas, criativas e educativas para os filhos, e isso depende da observação e dedicação dos pais”, defende a pedagoga Simone de Carvalho.

De acordo com a psicóloga Nívea Fabrício, as atividades fora do computador devem preencher a maior parte do dia das crianças, mas os pais podem negociar o tempo de permanência delas no mundo virtual, caso elas tenham rotinas com horas de sono suficientes, estudo, e, principalmente, convívio social. As melhores coisas da vida ainda acontecem no mundo offline.

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Consultoria
MARIA ISABEL OROFINO, mãe de Guilherme e Rafael, é professora doutora no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); NÍVEA FABRÍCIO, avó de Gabriela e Ricardo, é psicóloga psicopedagoga, conselheira da Sociedade Brasileira de Psicopedagogia; SIMONE DE CARVALHO, mãe de Rafael e Rebeca, é pedagoga pesquisadora em

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