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Todos os partos são normais

Redação Pais&Filhos

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Tanise queria parto natural, mas não conseguiu e acabou descobrindo que a cesárea não é tão ruim assim.

Minha amiga Vicky ficou 10 horas em trabalho de parto, dois meses antes de eu ter minha primeira filha. Era o que eu mais queria para mim. Passar por tudo o que eu tivesse direito na hora de ver minha filha nascer. Só era contra parto em casa ou na banheira. Na maternidade, meu objetivo era passar por todas as dores do mundo.

Infelizmente, minha primeira filha não encaixou. Nem a segunda. Para minha tristeza, nunca tive nem mesmo um centímetro de dilatação. Mas senti milhares de contrações e meus partos foram as experiências mais lindas e emocionantes da minha vida.

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A Sofia, minha filha mais velha, estava prevista para o dia 8 de janeiro. Entre o Natal e o Ano Novo, as contrações ficaram mais frequentes. Numa terça-feira, ligamos para o doutor Kalil, meu obstetra, dizendo que a barriga tinha ficado dura e depois não tinha mais voltado ao normal. Ele disse que isso não poderia estar acontecendo. Nos tocamos para o Hospital Albert Einstein com mala, cuia (como bons gaúchos) e muito nervosismo. Alarme falso. Voltamos para casa e, quatro dias depois, às sete da manhã de novo já estávamos no hospital. E pouco antes das três horas da tarde nascia Sofia, de cesariana, nos enchendo de felicidade.

Eu, que lutei com todas minhas forças para ter um parto normal, acabei me apaixonando pela cesárea e desta mesma maneira imaginava ver nascer Catarina, quase três anos depois.

O doutor Kalil não aceitou tão fácil e ainda quis me convencer: "Vamos tentar parto normal. Agora até para você ter as duas experiências e comparar."Tudo bem, vamos tentar. Mais nove meses fiquei na expectativa de horas e horas em trabalho de parto, fazer aquela força e tudo o mais que envolve parto normal.Chegou a 40ª semana de gravidez e de novo as contrações iam aumentando na mesma medida em que Catarina não descia. Nada de dilatação. Marcamos  a cesárea. Só depois que ela nasceu descobrimos que o cordão umbilical enrolado no pescoço não deixava minha pequena encaixar. Não daria para ser de outro jeito mesmo.

Como já sabia o que estava por vir, consegui me planejar, avisar os parentes que moram fora de São Paulo e organizar com eles como seria o grande dia. As horas que antecederam o segundo parto foram bem mais tranquilas que na primeira vez. Fiz escova, as unhas, organizei a rotina – para que a minha irmã e a minha sogra levassem Sofia à natação – enquanto fui com meu marido, meus pais, padrastos, sogro e cunhado ao Einstein.

No caminho, até paramos em um posto de gasolina e eu comi, sem que o médico liberas-se, um pão de queijo. Na hora da anestesia, fiquei um pouco enjoada por conta dele. Depois relaxei e quando Catarina nasceu, chorei ainda mais que no primeiro parto. Foi naquele momento que percebi como era possível amar as duas filhas com a mesma intensidade e ao mesmo tempo!

Mesmo sem dor, não consigo imaginar emoção maior do que as que eu senti nos dois partos. Tudo tão perfeito que dá vontade de ter mais meia dúzia.

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