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Tempos modernos

Nem tudo é como antigamente. Nós evoluímos, ainda bem!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Quando você era pequeno, a educação provavelmente era muito diferente da que seus filhos estão recebendo. Você talvez tenha recebido alimentos sólidos antes dos 6 meses de idade ou apanhado de cinta. Isso era normal, mas a gente evoluiu. Ainda bem!

Por Alexa Joy Sherman/ Tradução e reportagem de Samantha Melo, filha de Sandra e Tião

Se você olhar para suas fotos de infância, provavelmente vai estranhar mais do que as roupas e os penteados. Pode até ficar chocado ao ver o que era considerado adequado na criação dos filhos naquela época. Se você foi clicado em preto e branco dormindo com o rosto para baixo em uma pilha de travesseiros ou andando no banco da frente sem cinto no carro, pode achar que seus pais eram uns loucos irresponsáveis. “O que eles estavam pensando???”

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Mas pode ter certeza: aquelas fotos não são provas de que seus pais foram negligentes. Eles simplesmente não conheciam nada melhor. As diretrizes de saúde e segurança evoluíram. Lá no comecinho da Pais & Filhos, em 1968, as coisas eram beeem diferentes. Estávamos vendo a edição número 1 da revista e nos deparamos até com um anúncio de cigarro! Agora, no número 500, a gente comemora todas as boas mudanças e conquistas que tivemos nesses anos e lembramos com carinho das coisas malucas que aconteciam na nossa infância.

Cadeirinha no carro

Quando Gelasia Croom, de Chicago, estava se preparando para o nascimento de seus gêmeos, a sua mãe não entendia por que ela havia ajustado as cadeirinhas no carro com tanta antecedência. "Ela achou que a gente iria segurá-los no colo durante a volta do hospital para casa", diz Croom.

Assentos de segurança não são brincadeira, eles reduzem o risco de uma criança morrer em um acidente de automóvel em mais de 71% – e mesmo assim acidentes de carro continuam sendo uma das principais causas de morte entre crianças no Brasil. Não é de se admirar que agora as leis que exigem a cadeirinhas são muito mais rígidas. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou que, desde o dia 9 de junho deste ano, crianças de até 7 anos e meio deverão ser transportadas no banco traseiro usando um dispositivo de retenção, de acordo com a idade.

A importância da amamentação

O número de mães nos EUA que tentam amamentar mais do que triplicou desde 1971. "Minha mãe, que me alimentou com fórmulas, foi surpreendida com a minha experiência de amamentar", diz Cathy Hale, de Austin. "Os médicos dela nunca mencionaram os benefícios. Ela até me incentivou a parar no meio de uma mamada!” Naquela época, a amamentação parecia arcaica e inconveniente em comparação com o uso da fórmula. Mas nos últimos 20 anos, estudos documentaram como a amamentação transfere anticorpos importantes para um bebê, desencadeia a liberação de hormônios das mães que ajudam a afastar a depressão pós-parto e ajuda a reduzir o risco de câncer de mama e ovário. É por isso que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as mães amamentem exclusivamente até os 6 meses de idade e continuem por pelo menos um ano. Antigamente, as crianças também costumavam receber os primeiros sólidos em 6 semanas. "Minha mãe e minha sogra me incentivaram a colocar cereal de arroz na mamadeira da Ila para ajudá-la a dormir", lembra Jessica Katz, da Califórnia. Hoje, especialistas afirmam que você nunca deve colocar sólidos na mamadeira de um bebê. Um estudo recente mostrou que as crianças que receberam sólidos antes dos 4 meses dormiam muito pior, além de uma relação entre a introdução precoce de sólidos e a obesidade mais tarde.

Disciplina sem tapa

Em 1998, a Academia Americana de Pediatria analisou que 90% dos pais dos Estados Unidos bateram em seus filhos em algum momento. Naquele ano, a organização aconselhou contra o castigo corporal, citando a pesquisa que ligava a agressão física ao aumento da agressividade em crianças e problemas de controle da raiva na vida adulta.

Hoje, bater em crianças é politicamente incorreto em muitos países e, aqui no Brasil, desde julho de 2010, está em trâmite na Câmara dos Deputados a Lei da Palmada, que prevê que crianças e adolescentes têm o direito de serem educados sem o uso de castigo corporal. De acordo com um estudo recente da revista Pediatrics, cerca de 80% das crianças pré-escolares do mundo foram disciplinadas com castigos físicos. "Quando o pai perceber que há formas mais eficazes para controlar o comportamento, isso vai mudar", acredita o Dr. Christopher Greeley, professor associado de pediatria da Universidade do Texas.

Quantidade de vacinas
Lembra o quão assustador era para ir ao posto para uma dose de vacina? Você vai precisar ser corajoso na hora de levar seu bebê: o esquema de imunização atual recomenda que uma criança pode receber até 23 doses até os 2 anos (que é três vezes mais de que era recomendado em 1983). "Minha mãe foi comigo para o check-up do meu bebê de 2 meses e quando ela viu quantas injeções ele estava tomando ficou chocada", diz a pediatra Wendy Sue Swanson.

Ainda assim, todas aquelas picadas de agulha são uma prova de quanto nós aprendemos. Em 1983, crianças em idade escolar eram vacinadas apenas contra o sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral); difteria, tétano e coqueluche; e poliomielite. Hoje, as vacinas adicionais incluem a varicela (catapora), hepatite B, Haemophilus influenza tipo B (que inclui meningite, pneumonia e outras doenças bacterianas), gripe e doença pneumocócica. “Há mais doses, mas há menos antígenos e menos efeitos colaterais”,
diz a Dra. Swanson.

Na hora de dormir

Jessica ficou surpresa quando sua mãe quis colocar Ila em sua barriga para dormir, uma posição que representa um risco de sufocamento. Apenas em meados dos anos 80 que os estudos começaram a ligar outras posições – especialmente a de barriga para baixo – a maiores taxas de morte súbita infantil. "A principal preocupação era dos bebês se engasgarem se regurgitassem para cima", diz o professor Christopher Greeley. Em 1992, a Academia Americana de Pediatria (AAP) desaconselhou a posição de barriga para baixo e, dois anos mais tarde, começou a fazer campanhas sobre a importância de remover colchões macios e brinquedos do berço. Desde então, as taxas de morte súbita caíram mais de 50%. Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), desde 2009, movem a campanha “Dormir de Barriga para Cima é Mais Seguro. .Esse é só mais um exemplo de como o pensamento muda ao longo das gerações. A maioria das vezes para melhor!

Diretrizes da Unicef para a amamentação

– Iniciar a amamentação na primeira hora de vida
– A amamentação deve ser exclusiva até os seis meses, ou seja, o bebê não deve receber nenhum outro alimento ou líquido, nem mesmo água
– Que a amamentação aconteça sob demanda, ou seja, todas as vezes que a criança quiser
– Não usar mamadeiras nem chupetas
– A partir dos seis meses, os bebês precisam de uma alimentação variada, mas o aleitamento materno deve continuar até o segundo ano de vida da criança ou mais

Há 43 anos…

– As crianças iam para a escola mais tarde, com 6 ou 7 anos;
– A maioria das escolas era ou só de meninas ou só de meninos;
– As crianças tinham férias de 3 meses no verão;
–  As escolas ensinavam a disciplina de Educação Moral e Cívica;
–  Algumas crianças aprendiam latim na escola;
–  As escolas dividiam o ensino médio em Clássico e Científico;
–  Não se usava protetor solar;
–  As crianças brincavam na rua sozinhas;
–  Não existia TV em cores;
–  Ninguém usava cinto de segurança, que chegou ao país naquele ano.

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