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Superando a depressão pós parto

Estefani Reis, mãe de Mariana, conta como encarou a depressão pós-parto

Redação Pais&Filhos

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Apesar da minha depressão já ser crônica, já que eu a tenho desde criança, eu não me safei de uma crise após ter tido a minha filha. Mas eu não tive a crise de imediato foram 5 meses e meio após o nascimento dela. 

Durante a gestação eu tive acompanhamento psicológico com uma terapeuta que é especializada em saúde da mulher gestante e um psiquiatra, isso me ajudou muito durante a gravidez já que ela não foi planejada. Durante a gestação eu tive uma crise depressiva pelo fato da minha filha não ter sido planejada e ter vindo no meio de uma crise do meu casamento. Na época eu só tinha 18 anos e estava cheia de planos e sonhos que não incluíam um bebê.

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Com o tempo e com a terapia eu fui aceitando a minha gestação até pegar amor por ela e conforme ela foi avançando foi ficando cada vez mais difícil ir as consultas de terapia, já que eu tinha pré natal e não estava muito bem disposta, então abandonei o tratamento, e me julgava melhor.

Tive a minha filha e durante os primeiros meses de vida dela foi tudo ótimo, consegui cuidar dela, sentia muito amor por ela, até que por volta dos 5 meses eu comecei a me sentir estranha, não queria ficar do lado dela, não tinha muita paciência com o choro, pensava repetidamente como seria a minha vida sem minha filha. Mas eu lutava contra isso, até que chegou um momento que eu não consegui mais, e pedia para que mantivessem longe dela pois me sentia doente. Comecei a ter alucinações foi uma fase super difícil, meu marido não me deixava sozinha com ela, inclusive havia horas em que eu sentia raiva dela mas não entendia o porque. Até quase fui internada porque uma série de coisas passou a acontecer comigo, já estava se tornando perigoso me manter em casa. Foi uma fase super difícil para toda minha família, principalmente para o meu marido, tendo que cuidar de uma filha bebê e de uma mulher doente. 

Logo retomei o tratamento, e tive que parar com a amamentação pois passei a tomar remédios mais fortes do que o que eu tomei durante a gestação (esse eu podia inclusive amamentar tomando ele). Foi uma escolha que tive que fazer, ficar saudável e cuidar da minha filha, ou me manter doente e culpada por não poder cuidar dela direito, apenas amamentar não era o suficiente, mesmo em meio a crise eu conseguia amamenta-la, mas até quando eu ia suportar amamenta-la naquele estado? 

Retomei meu tratamento com os remédios, mas ainda assim a culpa me perseguiu por muito tempo por ter sentindo tudo o que senti em relação a minha filha durante a crise, como eu pude pensar tudo o que pensei, sentir tudo o que senti negativamente em relação aquele ser maravilhoso? 

Com tempo e terapia, fui reconhecendo que tudo isso não foi uma escolha minha, foi uma bagunça química no meu organismo e uma série de fatores que me fizeram ficar daquele jeito, e o mais importante é que eu estava lutando para sair daquela situação e que de verdade eu amo minha filha, e todo aquele sentimento fazia parte de uma doença e não do meu eu verdadeiro.

Hoje eu ainda faço terapia com a mesma terapeuta da minha gestação, tenho uma relação maravilhosa com a minha filha, e já não me sinto culpada, pelo contrário, me sinto vencedora, por ter superado essa situação, e é esse sentimento que espero que todas as mães que passam ou passaram por isso tenham, pois isso que nós somos vencedoras.

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