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Sexo feminino

Redação Pais&Filhos

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Quando descobriu que sua mulher estava grávida de uma menina, Guilherme precisou se preparar emocionalmente

É claro que a vida me aprontaria uma dessas, eu não achava que escaparia incólume. Mas no fundo acreditamos que acontece com os outros e não com a gente.

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Minha esposa tinha certeza que na primeira gravidez teríamos uma menina. Uma, porque ela sempre quis ter uma filha. Outra, porque os sonhos premonitórios (que os coreanos valorizam muito) da mãe, que sonhou com joias, e da irmã, que sonhou explicitamente com alguém tendo uma menina, indicavam uma gravidez feminina.

Eu estava apreensivo, mas confiante no histórico familiar prolífico masculino e não deu outra: Nicholas chegou como o meu presente de meio século de existência, motivo de muita felicidade e da crônica na Pais & Filhos de novembro de 2009.

Quando engravidamos pela segunda vez, perguntei o que ela gostaria de ter e ela disse: “eu sempre sonhei ser mãe de uma menina, mas ser mãe do Nicholas é tão maravilhoso que eu vou adorar ter outro menino.” E lá fomos nós para o ultrassom morfológico.

O médico perguntou o que ela achava que era e ela respondeu: “um menino”. Ele disse: “não. É uma menina.” Gelei. No fim do exame, perguntei disfarçado: “Doutor, qual a possibilidade de um equívoco?” e ele: “nenhuma”. Gelei².

Daí em diante foi um exercício de conformação e zoação dos amigos. “Vai passar de consumidor a fornecedor, hein?”, foi das piadinhas mais sutis que ouvi enquanto desenvolvia estratagemas para lidar com a situação.

Primeiro, pensei em tirar uma licença para porte de armas pesadas. Depois, projetei sua vocação religiosa, preferencialmente em uma ordem enclausurada como as Clarissas, Carmelitas ou Maristas. Finalmente, em terceira e dolorosa opção, que ela escolhesse um marido entre os Top 10 da Revista Forbes. Um sobrenome Slim Helu, Gates ou Buffet até que cairia bem na genealogia.

Então, um dia depois do aniversário do irmão (é, sou bom de mira), nasceu mais um fruto do nosso amor e eu cumpri o prometido. Sempre critiquei o machismo dos pais que enaltecem, superlativos, o genital do filho homem e quando recebem uma menina falam: “Que bonitinha que ela é!”.

Pois bem, participei do parto como sempre, cantei na sala cirúrgica as canções que a embalavam na barriga e quando me ofereceram a pequena… Para embaraço da mãe e assombro da equipe médica, enchi o peito orgulhoso para exaltar com aquela mesma grandiloquência a beleza do sexo feminino.

Hoje, meu principal problema é o estoque de babador, não consigo mantê-los secos. Layla é escandalosamente linda, risonha e sossegada. Uma princesa mestiça de olhos claros, bom temperamento e, para sorte dos pretendentes, quando entrar na idade reprodutiva, terá um pai babão complacente e dois irmãos carinhosos para sabatinar os candidatos.

PS.: Troquei a ideia truculenta do armamento pesado, pelo bom, silencioso e contundente bastão de beisebol.

Guilherme Isnard é neto de Flora e Yvonne, filho de Mary, marido de Yoo Na, genro de Kil Ja, pai de Layla, de 3 meses, Nicholas, de 3 anos, e Daniel, de 30 anos. É cantor, compositor e DJ nas (atualmente poucas) horas vagas.

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