Mais

Reviravoltas

A vida certinha de Raquel tomou outro rumo com o nascimento dos filhos

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Quando a editora Mariana Setubal pediu meu depoimento para esta seção sobre coisas “inesperadas” que aconteceram na minha vida depois da maternidade, um milhão de situações vieram à minha cabeça. Porque, desde que me tornei mãe, tudo o que antes era planejado, organizado e calculado na minha vida virou imprevisível. E mais demorado. E cansativo. E também mais feliz, cheio de vida e emoção. Ou seja, uma alegre bagunça… inesperada!

Sempre fui “a” certinha da turma, da família, do casal. Sou engenheira agrônoma e adoro fazer planilhas para controlar tudo, elaborar check lists para as rotinas do dia a dia, etiquetar todas as gavetas e caixas da minha casa, planejar viagens, compras importantes e comemorações com muita antecedência, controlar todas as despesas em planilhas dinâmicas e assim por diante. Tudo bem cartesiano.

Não preciso nem dizer que a gravidez do meu primeiro filho foi superplanejada, né? Pois bem, chegamos então ao capítulo que mudou meu modo de levar a vida: o Frederico nasceu em fevereiro de 2009 – e já chegou me mostrando que meu controle sobre as coisas era totalmente limitado: a bolsa estourou duas semanas antes do previsto, em plena sexta-feira à noite, véspera de Carnaval. Eu NUNCA escolheria ter um filho no Carnaval! Mas a felicidade com a chegada do meu menino forte, lindo e saudável superou tudo isso e muito mais.

Anúncio

FECHAR

A partir de então, as coisas na minha casa nunca mais ficaram arrumadinhas como antes. Eu nunca mais acordei e dormi na hora em que queria, perdi totalmente o controle da minha geladeira, passei a encontrar carrinhos, peças de Lego e bolas por todos os cantos da casa e não consegui mais manter a pontualidade de sempre nos meus compromissos.

Minha cabeça bagunçou, claro. Meu marido, descendente de italianos, brinca que esse era o toque que faltava para me tirar da rigidez prussiana com que levava a vida: nada mais estava sob meu controle. Tapete persa sempre limpinho? Refeição sem sujeira na mesa? Piso do banheiro sempre seco? Brinquedos arrumadinhos em caixas etiquetadas? Carro sem farelo nos bancos? Esquece tudo isso, Raquel! Com criança em casa, a conversa é outra!

Mas daí fui gostando dessa imprevisibilidade, tentando inserir algumas doses de organização e rotina aqui e ali; quando o Frederico tinha 2 anos, me peguei querendo ter outro bebê em casa. E veio, então, a Valentina, menina de sorriso fácil e olhar cativante, que chegou em julho do ano passado para agregar mais alegrias em nossas vidas, e também mais brinquedos pelo chão do nosso apartamento.

Hoje em dia, não sou mais capaz de prever quanto tempo vão durar as frutas e os iogurtes na minha casa, nem quantas horas (ou minutos) conseguiremos ficar em um restaurante, muito menos a que horas vou chegar nos compromissos; na verdade, muitas vezes nem usar a roupa que havia escolhido eu consigo, pois uma das crianças sempre acaba me sujando antes de sair de casa. Nossas viagens de carro têm hora para começar, mas não para terminar, pois o Frederico precisa ir ao banheiro várias vezes, a Valentina tem de mamar… Enfim, a desconstrução da minha rotina cheia de planejamentos é fato. E posso garantir: cada vez que me sento em cima de um brinquedinho barulhento esquecido no sofá por um dos meus filhos, agradeço a Deus por tê-los colocado na minha vida. Inesperado mesmo é o tamanho infinito do amor que eles me trazem.

Raquel Hermann Pötter Guindani, mãe de Frederico e Valentina, é engenheira e autora do blog Mães à Obra, www.maesaobra.com.br

Pais&Filhos TV