Criança

Marcelo Cunha Bueno responde principais dúvidas de pais sobre educação dos filhos

Veja quais são as maiores dúvidas em relação ao ensino das crianças e a opinião do especialista

Redação Pais&Filhos

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Marcelo Cunha Bueno, diretor pedagogo da escola Estilo de Aprender passou essa tarde conversando com as mães do Culpa, Não. Ele falou sobre educação infantil e esclareceu as dúvidas e anseios das mães sobre deixar ou não o filho a creche. Mais tarde, abrimos o papo para as mães que não participaram do encontro, e elas puderam tirar todas as dúvidas que ainda incomodavam. Veja as principais dúvidas de pais em relação à educação dos filhos:

Ivelise Giarolla: Minha filha tem quatro meses e tem síndrome de Down. Quero levá-la para o berçário com seis meses, no término da minha licença, como fiz com minha primeira filha de dois anos. Algo a me aconselhar?

Marcelo Cunha Bueno: O ideal seria que você tentasse colocar na mesma escola que sua filha mais velha. Por eles já conhecerem você, a história da sua família e pelos benefícios que a relação com uma irmã dentro a escola podem trazer.

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Fabiana Faria: Meu filho tem 4 anos e fica na escola no período integral. Ama a professora da tarde (que dá o pedagógico), mas o santo não bateu com a da manhã (que só dá brincadeiras). Já conversei com ele, com a escola, com a professora e acho que é só um caso dele não ir com a cara dela mesmo. Como nós poderíamos lidar com isso?

Marcelo Cunha Bueno: Exatamente como você começou a fazer. Conversando com a escola, tentando, juntos, criar estratégias para tornar a rotina dele interessante. Não acho que sacrificar o período pedagógico seja a melhor alternativa. Não conheço seu filho, nem a relação que ele estabeleceu com essa professora, por isso, de quem vê de longe, sugiro que o incentive, o encoraje e tente mais um pouco nesse esquema de rotina.

Larissa Purvinni: Minha filha mais nova (de 4 anos) às vezes morde os amigos. A escola nos pediu para falar com ela. Como deve ser essa conversa?

Marcelo Cunha Bueno: Vamos lá: “filha, existem formas mais adequadas de expressar o que você sente e de se comunicar com os outros do que morder. Morder afasta as pessoas e qualquer forma de entendimento dos conflitos”.

Silvia Braccio: Conheço uma escola que faz a adaptação da criança mantendo a mãe na porta da classe, do lado de fora, diante dos olhos. Você concorda com isso? Afinal, qual é a melhor maneira de adaptar?

Marcelo Cunha Bueno: A adaptação é o processo de entendimento da criança, das diferenças do meio individual, nuclear, que é a família, do meio coletivo, que é a escola com seus habitantes. Então, adaptar é entender que nossos desejos nem sempre serão atendidos imediatamente, que temos de compartilhar colos e vontades. Cada escola tem uma estratégia. Na minha opinião, a melhor forma não é já, logo de cara, levar a criança para a sala de aula, “na jaula dos leões”, ela precisa significar os espaços, as pessoas e as emoções e, para isso, precisa de representantes desses dois universos: a mãe e o educador. Acho bom que alguém da família permaneça um tempo e que entenda que o momento da despedida vai acontecer. Por isso, a família deve conversar muito com a escola para se sentir segura e confiante.

Jane Donegati: Gostaria de saber se a criança começa a ser alfabetizada em casa aos três anos de forma lúdica pode interferir de forma negativa no processo na época que vai ser alfabetizada na escola? E qual a idade ideal para ser alfabetizada?

Marcelo Cunha Bueno: É importante diferenciar a decifração do código alfabeto, que é técnico do sentido que a língua tem no meio social. Desde cedo o que devemos ensinar é o sentido da língua no coletivo, ou seja, a importância da comunicação para transformação do meio e do indivíduo. E isso é o amis difícil de se fazer pois não depende de técnicas de alfabetização, de metodologias pedagógicas, mas sim do repertório cultural e do que fazemos com esse repertório.

Se a criança tiver experimentado essa relação coma língua antes das técnicas de alfabetização, provavelmente sua alfabetização será tranquila e vai acontecer até os sete anos, idade boa pra finalizar esse processo!

Leonardo Sacco: Depois que meu primo entrou na escola ele começou a ficar mais afastado da família, meio introspectivo…isso é normal? A criança pode mudar seu comportamento depois de entrar na escolinha?

Marcelo Cunha Bueno: Tudo muda depois que entra na escola e não só pra criança. A criança muda sua rotina de sono, alimentação, humor, parece que tudo está de cabeça para o ar, mas isso se chama acomodação, até ela dar sentido a essa nova experiência, tão intensa, tudo fica bagunçado mesmo. O melhor a fazer é observar e conversar com a escola.

Natália Piassentini: Minha pergunta é: crianças que estão na escola desde muito cedo, estudando, aprendendo, tendem a se desinteressar dos estudos por ficarem esgotados de tanto já ter feito isso, anteriormente, quando realmente chegar a hora de estudar lá na Pré escola, primeiro ano e etc?

Marcelo Cunha Bueno: Não. Dependendo da escola acontece o contrário, a criança cria estruturas que ajudam a enfrentar os desafios futuros. É por isso que a escola precisa pensar nos processos educativos, ter um currículo sólido e bons professores. A criança se desinteressa pela escola quando a escola se desinteressa pela criança.

Luciana Oliveira: A partir de quantos anos posso começar a introduzir um novo idioma para meu filho?

Marcelo Cunha Bueno: Se a família pertencer à cultura do idioma, desde cedo. Se a família quiser ensinar um novo idioma desconectado da cultura, a partir de quando a criança começar a falar.

Luciana Van Deursen Loew: Gostaria de saber quais os prós e contras de se colocar bebês pequenos (4 meses) no berçario. Se for para aconselhar a mãe, onde diria para ela deixar o bebê dessa idade: em casa, com uma babá, ou no berçário, com mais bebês?

Marcelo Cunha Bueno: O melhor lugar é onde a família pode bancar. Em casa, na escola, no berçário, com a babá, é uma decisão, antes de mais nada, que deve estar em harmonia com a realidade da família, mas como educador (e não poderia ser diferente) acho que a partir de um ano, quando a criança está andando, é o momento certo de experimentar o universo coletivo, sensorial e afetivo da escola.

Andrea Pintarelli: Marcelo, questão de doenças! O ideal é tirar a criança no inverno da escola? Meu filho tem ficado frequentemente doente e os médicos dizem que é porque ele sempre esta em contato com o vírus e nunca sara.

Marcelo Cunha Bueno: Afastar da escola jamais. Interromper um processo pedagógico é o mesmo que invalidar toda energia desprendida para conquistar aquilo que era um desafio, a criança entende que suas conquistas são sempre frágeis. Mas essa é uma visão de educador…Alguns pediatras pensam diferente…

Helaine Oliveira: Meu filho fica com minha sogra o dia todo já que eu e meu marido trabalhamos fora o dia todo. Pretendo colocá-lo em uma escolinha que tem a proposta construtivista como pedagógica, mas meio período já que ele é o primeiro filho e acho que ele precisa interagir mais com outras crianças… pretendo colocá-lo em setembro, quando ele tiver 1 ano e 6 meses, é melhor esperar quando ele tiver 2 anos? Quais os benefícios que o colégio construtivista pode proporcionar ao meu filho?

Marcelo Cunha Bueno: Vejo que sua decisão está tomada, não tem por que esperar até os dois anos. Lembre-se de que a escolha da escola deve estar alinhada ao modo como você se relaciona com o mundo. Ensinar conteúdos, toda escola deve fazer. Não importa se é tradicional ou construtivista. O que muda é a forma de como isso é trabalhado; e isso reflete como você se relaciona com o mundo. Eu sou formado numa linha construtivista, mas, na minha docência, estão presentes diversas outras linhas que constituem um emaranhado que chamo de educação.

Celia Almudena: Marcelo, os pediatras sempre preferem as crianças em casa. Não é melhor elas se socializarem logo, inclusive na imunidade?

Marcelo Cunha Bueno: Sim, socializar-se é a melhor forma de aprender o mundo e o mundo com todas as suas imperfeições, inclusive seus vírus e bactérias.

Danielle Saudades: Olá Marcelo, tenho um filho de cinco anos e meio que está começando a ser alfabetizado como posso ajudá-lo em casa de uma forma efetiva?

Marcelo Cunha Bueno: Quem alfabetiza é a escola, essa é nossa obrigação. Mas, é fundamental que a família incentive a leitura diária. Ler é o melhor recurso para nos tornarmos pessoas do mundo.

Denise Bobadilha: O que uma mãe pode – e deve – perguntar na hora de escolher a creche? Ele pode perguntar coisas pessoais para as cuidadoras – se têm filhos, netos? Pode perguntar de toda a rotina do dia, de como limpam as crianças no banheiro? Porque acho que muitos desses lugares focam no “pedagógico” e não olham o humano

Marcelo Cunha Bueno: Teoricamente a mãe pode fazer qualquer tipo de pergunta na hora de escolher a escola, afinal não é uma escolha simples e deixamos a coisa mais preciosa nesse espaço. Mas considero que a pergunta mais importante que se deve fazer é de como a escola pensa a formação continuada de seus professores. Escola que não incentiva essa formação, abre mão de um olhar atencioso, cuidadoso e educacional. Outras coisas importantes são a autoria da proposta pedagógica, o uso da rotina e dos espaços, os trabalhos com as famílias e sua postura com a cultura do país, da região. Agora, lógico que numa visita é possível perceber essas questões de ordem mais práticas.

Alessandra Marques: Oi Marcelo, você acredita que as crianças que vão a escola somente a partir dos dois anos, perdem conteúdo ( de uma maneira geral ) em relação as que frequentam desde bem pequenos…mesmo que incentivada em vários aspectos em casa???

Marcelo da Cunha Bueno: Não. Frequentar escola nessa idade não tem relação com aprender conteúdos, mas, sim, com experimentar o mundo. E o mundo da escola é social, da multiplicidade, da diversidade; essa é a diferença entre casa e escola.

Andrea Diniz Caruso: Tenho uma filha de 01 ano e 08 meses que entrou na escola em fevereiro. E vai tudo muito bem! Ela fica só meio período, mas penso seriamente quando ela estiver com uns 04 anos passar para outra escola de período integral. Você acha cedo?

Marcelo da Cunha Bueno: A questão é se você, realmente, precisa desse serviço da escola. Ficar meio período é o melhor para a criança. Ela precisa de espaço e tempo fora de casa para pensar e refletir sobre seus aprendizados.

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