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Palavrão, não!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Mesmo sem querer, às vezes a gente solta palavras horríveis na frente das crianças, por puro instinto. Se seu filho começou a repeti-las, saiba o que fazer

A mãe reparou que a filha de dois anos andava falando uma palavra estranha: “caco”. Depois de muito investigar, descobriu que ela queria dizer “saco”, imitando os pais, que usavam sempre a expressão. Mesmo que esse não seja um enorme palavrão, na boca de uma criança tão pequena soa horrível. E se a mãe da história não se cuidar, sua filha pode começar a falar coisas bem piores.

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Todo mundo já perdeu a paciência no trânsito, ou ficou fora de si com aquela topada na quina da cama que fez até ver estrelas. E aí fica difícil segurar a língua mesmo. Há estudos que apontam que os palavrões estão ligados aos instintos no cérebro. Por isso, não há motivo para desespero, caso você solte um palavrão na frente das crianças.

Mesmo que não seja um grande problema, provavelmente você quer ensinar as crianças que falar palavrão não é bonito. Então, é melhor se policiar e cortar esses termos do seu dia a dia, já que as crianças até os 7 anos costumam repetir as frases ditas pelos pais, sem nem saber o que significam. Elas associam aquelas palavras a uma alteração emocional, geralmente negativa, como raiva ou indignação.

Se alguma palavrão acabar saindo, demonstre que foi um erro, colocando a mão na boca e explicando que não se deve falar esse tipo de coisa. Além disso, mostre que esta é uma situação atípica.

Também é importante explicar que existem outras palavras ou maneiras de demonstrar que algo não está bem nos momentos de dor ou raiva, principalmente quando você se refere à outra pessoa. Não há necessidade de explicar o significado dos palavrões, já que as crianças não vão entender. Para eles, é apenas uma palavra dita pelos pais.

As crianças aprendem a falar e usam as palavras que ouvem por repetição. Se a família fala muito palavrão, e acha isso normal, o pequeno também criará o hábito de falar as palavras. Se o pegar falando alguma coisa feia, não adianta dar bronca – ele pode não saber que está errado.

Com crianças até os 6 anos, os pais devem explicar de uma forma clara e firme que aquelas são palavras desrespeitosas, que podem magoar ou ofender as outras pessoas. Mantenha a calma e não demonstre muito interesse pelo ocorrido: quanto mais importância você der ao palavrão, mais a criança repetirá para chamar a atenção.

Depois dessa idade, as crianças já entendem que os palavrões são uma demonstração de irritação e desagrado. Pode ser que elas comecem a falar entre os amigos, até como uma forma de aceitação social, e aí nem adianta querer proibir. Por isso, estabeleça regras e deixe bem claro que seu filho não poderá falar essas palavras em ambientes sociais, na frente dos mais velhos ou na escola. De novo, vale dar o exemplo. Nada de #%*$, como diriam as histórias em quadrinhos…

Consultoria: Blenda Marceletti, mãe de Caroline, Gabrielle e Michelle, é psicoterapeuta e psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo  Marta Bitetti, mãe de Danielle e Luis Felipe, é psicóloga e Coordenadora Pedagógica do Colégio Ápice

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