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Pai também sente culpa

Não é só a mãe que sofre quando a amamentação não dá certo

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

14/09/2012

Flavio Salles, pai de Marina e Pedro.

“Aqueles primeiros dias não tinham sido nada fáceis. De dia corria tudo bem: visitas, presentes, trocar fraldas, escolher as roupas que vocês iriam vestir, uma curtição.Mas à noite, além de não podermos contar com o apoio dos familiares,as enfermeiras eram péssimas. Ao invés de nos ajudarem a amamentar, insistiam o tempo todo que era melhor levá-los para o berçário e que elas dariam o complemento durante a noite. Certo ou errado, sei que isso não era o que estava em nossos planos. Estávamos loucos para irmos com vocês para casa, fazer tudo da nossa maneira.

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De manhã, por obra do destino, um dos nossos padrinhos de casamento,
que é cardiologista, estava dando plantão no hospital e veio ver a
mamãe. Começou aí uma das maiores angústias que seu pai já viveu na
vida. Após examiná-la, ele me levou para fora do quarto e explicou que
a situação era grave, pois o coração dela havia se dilatado e havia o risco
de formar um trombo no coração.

Pelo que vocês podem ver, o problema que sua mãe tinha não era nada
corriqueiro: cardiomiopatia periparto. Na verdade, é um distúrbio raro,
causado pela gravidez, quando o coração da mãe fica enfraquecido e
passa a não bombear sangue direito. A causa? Ninguém sabe ao certo.
Depois da consulta, o médico me chamou fora da sala:
– Flávio, em função da medicação que a Roberta vai ter que tomar, ela
vai ter que parar de amamentar.
– Putz. Por quanto tempo? Mas depois ela volta, não?
– A gente não sabe por quanto tempo ela vai ter que tomar os remédios.
O importante é que ela se recupere.
Não vou enganá-los, na hora aquilo foi um tremendo baque para mim.
Acho que comecei a chorar ali na frente do médico mesmo.

É claro que sua mãe ficou chateada por ter que parar de amamentar,
mas, como diria o ditado, não adianta chorar pelo leite derramado, muito
menos pelo seio não mamado. Fiquem certos de que carinho não vai
lhes faltar. O importante é ela ficar boazinha da silva”.

 

Do livro Pai Crônico – Crônicas de um pai, de Flavio Salles

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