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Nunca é cedo para prevenir

Redação Pais&Filhos

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Pode parecer exagero, mas a vacina contra o HPV, que pode causar câncer de colo de útero, deve ser tomada a partir dos 9 anos

Você já deve ter ouvido falar do HPV (Vírus do Papiloma Humano), que pode causar câncer do colo do útero e é transmitido sexualmente. Ele é detectado no exame Papanicolau, sabe? Agora que você ligou o nome à pessoa talvez estranhe quando o pediatra recomendar que sua filha de 9 anos tome a vacina contra ele. "Ué, mas se pega com relação sexual, é meio cedo, não?" Pois é: não.

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Além de existir o risco de contaminação ao compartilhar toalhas, sabonetes e outros objetos pessoais, a idade de 9 anos não têm a ver com uma provável iniciação ultraprecoce, mas com o fato de que, a partir dessa fase, o corpo já tem capacidade de gerar uma resposta do sistema imunológico e produzir anticorpos contra o vírus.
Na maioria das vezes, as lesões causadas pelo vírus costumam ser leves e regredir. Mas existem alguns subtipos que são mais agressivos e que podem se desenvolver e causar o aparecimento de câncer do colo do útero e dos órgãos genitais. O câncer de colo de útero é o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Ou seja: não dá pra bobear.

Existem cerca de 100 tipos de HPV, dos quais 40 podem causar doenças. As vacinas disponíveis previnem contra a maioria deles. Elas são muito eficazes na prevenção de doenças pelos tipos 16 e 18 do vírus, que são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo uterino, uma das causas mais comuns de morte de mulheres. Uma das vacinas também protege contra os tipos 6 e 11, responsáveis por cerca de 90% dos casos de verruga genital.

Por causa dos altos índices desse tipo de câncer causado pelo HPV, a doença é considerada feminina, mas é transmitida a homens também e pode causar alguns tipos de câncer neles. Além disso, pelo fato de se manifestar menos na população masculina, o vírus não é tratado e pode ser passado para outras pessoas. Por isso, a vacina vem sendo testada em homens, e alguns países já a recomendam para eles também.

No Brasil, já foi solicitado pelo laboratório produtor o licenciamento da vacina quadrivalente contra o HPV para ser utilizada também em meninos e jovens, mas isso ainda não foi aprovado pela Anvisa. De fato, alguns especialistas acreditam que, pelo grande número de dados publicados na literatura internacional mostrando a capacidade imunológica da vacina também em homens, ela deveria ser recomendada também para meninos a partir dos 9 anos.

As vacinas ainda estão disponíveis apenas em clínicas particulares a um custo elevado (de R$ 300 a R$ 500 a dose, e são necessárias três doses). A introdução da vacina em postos públicos está sendo avaliada. Além de vacinar, fique atento à higiene: não permita que seus filhos compartilhem toalhas ou sabonetes (prefira os líquidos) e não adie a famosa conversa sobre sexo. É bom saber que camisinha existe. E realize check-ups anuais com o pediatra: quanto antes o vírus for descoberto, melhor.

Vacine seu filho contra a Hepatite A também

Um estudo realizado em Curitiba constatou a necessidade de vacinar as crianças cedo contra a Hepatite A. Isso porque 80% dos participantes da pesquisa apresentaram suscetibilidade à doença – e a maioria deles tinha idade inferior a 5 anos.

Esse tipo de Hepatite causa icterícia, febre, náuseas e vômitos e a sua vacina é disponibilizada nos postos públicos para crianças a partir de 12 meses, com reforço entre seis a 18 meses depois.

Consultoria: José Bento de Souza, pai de Fernanda e Débora, é ginecologista. TEL.: (11) 3027-1500, www.drjosebento.com.br  Marcelo Genofre Vallada, pai de Guilherme, é Doutor em Pediatria e médico do Serviço de Infectologia Pediátrica do Hospital Infantil Sabará. Tel.: (11) 3155- 2800, www.sabara.com.br

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