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No consultório com os meninos

Conheça as principais doenças que só os meninos têm e como tratá-las

Redação Pais&Filhos

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Pode parecer complicado ser mãe de menino e ter que cuidar de um corpinho totalmente diferente do seu. Conheça as principais doenças que só os meninos têm e os passos básicos para tratá-las

Por Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio

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O filho homem nasceu! Enquanto o pai comemora com o charuto que ganhou dos amigos, você se dá conta de que não faz a menor ideia de como cuidar de suas partes íntimas, anatomicamente bem diferentes das suas. Bem, talvez você tenha aprendido alguma coisa no curso de gestante, ou tenha tido uma experiência anterior com um sobrinho… Mas quando aquele serzinho minúsculo está em nossos braços e só depende da gente para se desenvolver bem, a história é outra. Além das questões básicas de limpeza que você vai ter que aprender rapidinho, é bom estar informada sobre as doenças e probleminhas típicos do sexo masculino, que você, sendo mulher, nunca teve que enfrentar.

Fimose
Todo mundo já ouviu falar, mas muita gente não sabe direito o que é. A doença se manifesta quando o prepúcio, ou a chamada “pelinha” do pênis, tem uma abertura estreita demais e não deixa a glande, ou a “cabecinha”, sair, o que pode resultar em infecção urinária. Em recém-nascidos, é comum essa abertura ser meio “fechadinha”, já que o prepúcio ainda está se formando, mas com o passar do tempo, a situação deve se normalizar. A fimose pode ser diagnosticada mesmo por volta dos 3 anos. Nessa idade, cerca de 10% dos meninos descobrem ter a doença. O tratamento pode ser feito com aplicação de pomada de corticoide por dois meses e, dependendo da gravidade do caso, com uma cirurgia que remove uma parte do prepúcio.

A parafimose é uma situação similar à fimose. Nela, o prepúcio pode ser retraído, mas não consegue voltar ao lugar, formando um anel que “estrangula” a cabeça do pênis, como uma gravata bem apertada, interrompendo o fluxo sanguíneo e podendo até gangrenar. Esses casos devem ser resolvidos rapidamente. O médico vai priorizar o tratamento clínico, com aplicação de pomada no local. Caso esse tratamento não funcione, a cirurgia é indicada. Como é uma coisa relativamente simples, não exige internação e o risco de complicações é pequeno.

Infecção urinária
As modalidades da infecção urinária do trato baixo, ou seja, ali nos “países baixos” mesmo, mais comuns são a cistite, inflamação da bexiga, causada principalmente pela ação de bactérias, e a uretrite, inflamação da uretra, que é o canal que leva o xixi da bexiga até o meio externo. Os principais sintomas delas são febre baixa e dificuldade de urinar.

A ocorrência é de 60 a 70% entre meninos de 0 a 4 anos. Apesar de acontecer com bastante frequência com os meninos, as infecções urinárias são mais comuns entre as meninas.

Já as infecções do trato alto são mais graves porque atingem os rins e podem levar à insuficiência renal. Os sintomas mais característicos são febre alta e dor na região lombar – na parte de baixo das costas. Os casos afetam 5% dos meninos e representam 20 a 30% dos casos de infecção urinária.

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Disfunções miccionais
São alterações do funcionamento da bexiga, como incontinência urinária, o aumento da freqüência das urinas sem necessariamente apresentar infecção urinária. Essas são alterações do mecanismo da micção, não tem nada a ver com manifestações de trauma psicológico. Os meninos têm mais chances de ter esse tipo de problema, que ocorre com 5% deles.

Síndrome do X frágil
A doença acontece com 4 em 6 mil meninos nascidos vivos e é a principal causa de retardo mental entre meninos.

Ligada ao cromossomo X, a doença é causada pela repetição de uma região do cromossomo. As chances de que as meninas desenvolvam essa síndrome é menor por conta do “desenho” genético delas. É que como as mulheres têm dois cromossomos X, o X saudável prevalece. Mesmo assim, uma menina em cada grupo de 10 mil manifesta a doença.

Como o homem “pega” o cromossomo X da mãe e o Y do pai, a mulher atua mais como portadora ou transmissora da síndrome do que como parte do grupo de risco.

Hemofilia
O principal sintoma dessa doença é a dificuldade para coagular o sangue, ou seja, a cicatrização fica bem complicada e isso vai desde a casquinha do machucado no joelho até um ferimento interno. A causa é uma deficiência hereditária no fator de coagulação.

A hemofilia acontece com um a cada 5 mil homens e também é transmitida pelo cromossomo X. Ao contrário do que era feito há alguns anos, o portador da doença não precisa mais se submeter a transfusões sanguíneas, em vez disso é feita a reposição dos fatores do sangue de acordo com a necessidade. O mais difícil é ficar de olho para que a criança não sofra com tombos que possam resultar em machucados.

Daltonismo
Mais uma doença ligada ao cromossomo X. Pessoas que têm daltonismo não conseguem identificar as cores verde e vermelho. Para elas, essas cores são vistas como tons de cinza e as outras cores como azul e amarelo são vistas normalmente.

Circuncisão, fazer ou não fazer?

A circuncisão é um procedimento de ordem médica, religiosa ou cultural em que o prepúcio do pênis do recém-nascido é removido cirurgicamente. Ela pode ser feita em um ambiente hospitalar por médicos ou em uma cerimônia por uma pessoa qualificada. A prática é comum entre judeus e muçulmanos – na cultura judaica a cerimônia ocorre no oitavo dia de vida da criança.

Cada família deve decidir, baseado em suas crenças religiosas e culturais, no bom senso e em uma conversa com o pediatra se deve fazer a circuncisão ou não. A vantagem é que meninos circuncidados não sofrem de fimose. A desvantagem, porém, é que a criança fica com uma ferida exposta a urina e fezes da fralda, abrindo as portas do organismo para uma infecção. Portanto, o cuidado com a higiene deve ser reforçado.

A remoção parcial ou total do prepúcio é medicamente recomendada quando há o estrangulamento da glande por um anel fibroso, quando há infecções urinárias de repetição ou inflamações recorrentes do local. Lembrando que, em crianças pequenas, em algumas situações, é possível fazer o tratamento apenas com medicamento sem ter que recorrer à cirurgia.

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Vacina de HPV, agora também para as crianças

O HPV é uma doença quase sempre transmitida sexualmente. Ela se caracteriza pelo crescimento de verrugas na região genital, boca e garganta. Atualmente recomenda-se que as pessoas tomem a vacina antes mesmo de começar a vida sexual. No Brasil, a campanha é direcionada principalmente para indivíduos entre 9 e 26 anos.

O vírus do HPV é altamente transmissível. Para se ter uma ideia, ele é cerca de mil vezes mais contagioso que o HIV. A chance de pegar em uma relação sexual sem camisinha é de 60%. Existem mais de 150 subtipos do vírus do HPV e já estão no mercado duas vacinas que previnem as formas mais comuns dele: a bivalente, que protege contra os vírus 16 e 18 e a quadrivalente, que protege contra os  vírus 16, 18, 6 e 11. As vacinas vêm em três doses, cada dose custa cerca de R$ 300 e ainda não estão disponíveis  na rede pública de saúde. Alguns estudos mostram que as vacinas aumentam os anticorpos contra o HPV e a resposta imunológica contra o vírus é mais eficiente. A vacina quadrivalente pode prevenir em até 85% a possibilidade das verrugas genitais e 90% do câncer de colo de útero.

A vacina contra o HPV foi criada há dez anos e entrou recentemente no mercado. Até agora, nenhum estudo provou que ela precise ser reforçada de tempos em tempos, basta tomar uma vez. Mas a vacina vem em três doses que devem ser tomadas com um intervalo de um ou dois meses, dependendo do leque de proteção da vacina.

Para saber mais

Criando Meninos, de Steve Biddulph
Discute as principais questões sobre ser um menino desde o nascimento até a vida aulta.
ED. fundamento (http://loja.editorafundamento.com.br), R$39,40

Consultoria: Adriana Bittencourt Campaner, filha de Maria Emília e Wilson, chefe do setor de doenças do trato genital e HPV da Santa Casa de São Paulo, tel.: (11) 2176-7385  Antonio Macedo Jr., pai de Emanuelle e Jacqueline, professor livre-docente e chefe Setor de Uropediatria da UNIFESP, www.uropediatria.com.br  Fernando Korkes, pai de Olivia e Benjamin, urologista e professor da faculdade de medicina do ABC, tel.: (11) 3747-3227  Isabel Furquim, filha de Ligia e Humberto, médica geneticista do Hospital Santa Catarina, tel.: (11) 3016-4133  Jovelino Quintino de Souza Leão, pai de Camile, Caio e Gustavo, urologista pediátrico do Hospital Infantil Sabará e responsável pelo serviço de urologia pediátrica do Hospital Infantil Darcy Vargas, tel.: (11) 3045-6992

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