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Mundo real

Redação Pais&Filhos

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Assistir ao noticiário pode assustar as crianças. Mas você pode ajudá-las a entender o mundo sem entrar em pânico

Por Jeannette Moninger/ Tradução e Adaptação Nivia de Souza, filha de Tânia e Renato

Por que atiraram naquelas crianças?, seu filho pode ter perguntado quando viu na TV ou ouviu na escola a história da tragédia de Realengo, que aconteceu em abril no Rio. Não é nada fácil explicar esse tipo de coisa para uma criança – além do susto, ela pode temer que aconteça a mesma coisa com ela.
Para crianças essas notícias inquietantes vistas na televisão podem fazer surgir uma espécie de “síndrome do mundo ruim”, diz o Dr. Michael Rich, do Hospital Boston. “Elas podem pensar que o mundo é mais violento e perigoso do que realmente é, porque, atualmente, muitas histórias tendem a focar no sensacionalismo e na tragédia.”
TV em casa
As crianças sentem menos medo das imagens violentas de programas de ficção, pois aprendem que essas cenas não são reais. Mas ficam assustadas com os noticiários, porque sabem que esses eventos acontecem de verdade. Especialistas recomendam monitorar e reduzir a exposição de seu filho aos programas noticiosos da TV, principalmente aqueles que falam muito de crimes e tragédias. Mas, se você acha que as crianças devem assistir ao noticiário, esteja com eles. Responda calmamente às perguntas de seu filho e explique o que os repórteres estão dizendo.
Mostre a ele como a situação de vocês é diferente do que está sendo veiculado na TV, sugere Joanne Cantor, autora do livro Mommy, I’m Scared: How TV and Movies Frighten Children and What We Can Do To Protect Them (Mamãe, estou com medo: Como a TV e os filmes assustam as crianças e o que podemos fazer para protegê-los).  Você pode chamar a atenção para as coisas positivas que a TV mostra e o fato de que acontecem mais coisas boas do que ruins.
Lendo sobre o assunto
Jormais e revistas são um bom caminho para introduzir as notícias para os pequenos. Fotos impressionam menos do que vídeos reais e você pode selecionar os assuntos. Ver na TV uma casa ser levada por uma enchente e depois um adulto chorando é uma experiência mais difícil do que olhar fotos do mesmo acontecimento nos jornais, explica Melissa Henson, diretora de educação pública na Parents Television Council. Escolha os fatos que você acha mais atraentes para seu filho, leia-os em voz alta e vá direto ao assunto. Para isso, use as manchetes, as legendas das fotos, os primeiros parágrafos e, talvez, os finais.
Muita conversa
Quando seu filho fica sabendo sobre o acontecimento pelos amigos na escola, é importante discutir com ele o quanto antes, para que possa entender o que está se passando e o porquê. Harold Koplewic, presidente do Child Mind Institute, de Nova York, sugere que primeiro você converse com a criança e veja o que ela já sabe sobre o fato. Encoraje seu filho a falar abertamente sobre seus medos e preocupações. “As crianças de 6 a 8 são egocêntricas e preocupam-se com sua própria segurança, a de familiares e amigos”, diz o Dr. Koplewicz.
É claro que não é bom para a criança assistir à cobertura da mesma catástrofe muitas vezes e em vários canais. Ela pode achar que isso continua acontecendo ou que nunca vai ter fim. Tente colocar os fatos no contexto para eles. Seja verdadeiro, mas não dê detalhes sobre o que ela não precisa saber. Tenha certeza de checar com seu filho, de tempos em tempos, como ele está se sentindo com o que vocês discutiram e responda qualquer outra pergunta que possa surgir.

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"Meu filho encontrou uma forma criativa de entender a dor da tragédia de Realengo. Ele disse que toda a família havia chorado, pois uma das crianças falecidas no ocorrido era seu priminho, o que não era verdade
Simone Díez Corrêa, mãe de Enrico

 

O menino que não teve medo do medo, de Ignácio de Loyola Brandão. Um menino conta como a cidade se transformou com o aparecimento de uns cães.global Editora (www.globaleditora.com.br), R$ 29

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