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Mãe será sempre mãe

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Tenho ouvido muitos comentários e opiniões a respeito de ser avó e nunca me encaixei nesses conceitos pré-prontos. Sempre defendi a tese de que: "não, não me vejo desse jeito avó que falam por aí."
Eu me vejo como uma pessoa que ama. Ama essas crianças que, por acaso, são filhas de meu filho. Mas, há pouco tempo, entendi o que eu de fato sou. Eu sou mãe. E mãe de meu filho pra sempre.
E o que isso tem de novo? O fato de que, como mãe de meu filho, eu continuo querendo educá-lo. E, agora que ele tem filhos, eu quero educá-lo em como educar seus filhos. Por isso, os filhos sentem que os avós são (que bom!) permissivos com os netos.


Claro! Nossos filhos é que continuam nossos focos e temas. Eu me flagro dizendo ao meu filho pra fazer isso ou aquilo com os filhos dele. Eu seria a “mãe perfeita” de meus netos e mostraria ao meu filho como deve ser “o jeito certo de educar”.


Eu gosto do jeito que os franceses e os de língua inglesa nomeiam suas avós: grand-mère, grandmother. Eu sou mais isso: a grande mãe que tudo sabe e tudo vê, como a mãe de Woody Allen.

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Aliás, pedi a Arthur e Heitor que me chamassem de "grande mãe". Arthur me disse que faria isso por apenas uma semana. Heitor olhou para mim e repetiu centenas de vezes: "vovó, vovó, vovó."


Completamente derrotada na minha tentativa de mãe ao quadrado, concluí: eu não passo de uma mãe de meu filho. E desconfio que todas somos mães de filhos e filhos das mães. Netos? São amigos mais que amados e, lá no fundinho da alma, uma voz (a minha própria voz) diz: será que, dessa vez, eu vou acertar e ajudar meu filho a acertar na sua vez?

Luiza Olivetto, mãe de Homero. É arte-educadora, artista plástica, cenógrafa, figurinista, designer, astróloga e colabora com a revista Pais&Filhos desde 2003.

luizaolivetto@revistapaisefilhos.com.br

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