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Mãe sabe, mesmo sem saber

Vanessa descobriu seu próprio jeito de acalmar o bebê

Redação Pais&Filhos

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Estávamos na fila do caixa do supermercado, minha filha chorando e eu com um saco de tomates, uma alface e outra meia dúzia de batatas na mão. Atrás de mim estava uma senhora que se aproximou e disse:

 – São os dentes filhinha, é assim mesmo, são choros inconsoláveis. Criei três filhos e conheço bem este choro de dentes apontando.

Poderia ser choro de fome, sono, cansaço, calor, tantos outros motivos… O que sabia aquela senhora para dar o diagnóstico de forma tão categórica? Não perguntei, claro, e não respondi, apenas disse um político “pode ser”, paguei as compras e fui para casa. O choro e incômodo persistiam.
 
 – Acho que ela pode estar com dor na gengiva, dizem que é muito comum nesta fase – disse meu marido.
 
Essa é boa, estávamos diagnosticando o choro da nossa filha pelo que dizem por aí. Dizem, dizem, as pessoas dizem tantas coisas. Faça isso, não faça aquilo. Uma mãe de primeira viagem ouve essas duas palavras mais do que “oi” ou “bom dia”. Ufa! Como sobrevivem os filhotes de outros animais cuja mãe só se preocupa em lambê-los no momento do nascimento e fornecer leite? Eles simplesmente sobrevivem. Possivelmente com apenas alguns cuidados a mais, muitos bebês também sobreviveriam, mas nós, mães humanas, pensamos demais, sabemos demais, nos preocupamos demais, encanamos demais, nos culpamos demais e estamos na constante busca de ser não apenas mãe, mas a melhor delas. 
 
Enfim, seguindo o palpite do que os outros dizem, passamos uma pomadinha na gengiva e ela dormiu minutos depois. Talvez as mães de primeira viagem sejam mesmo todas iguais. Talvez os problemas de todos os bebês sejam exatamente os mesmos, talvez aquela sábia senhora saiba três vezes mais do que eu como cuidar de um bebê. Por um momento, desejei ter pegado o telefone dela para consultá-la em situações de apuros como essa.
 
No dia seguinte, tivemos o mesmo choro à noite, mas desta vez a pomada, infelizmente, não teve o mesmo efeito. O que será que diria a senhora à respeito disto? Não sei. Eu tampouco sabia a resposta, mas alguém precisava dar fim àquele choro. Respirei fundo, contei até dez (ou mais), observei e escutei. Por fim, arrisquei uma interpretação. Coloquei o corpo dela bem junto ao meu e assim “abraçadinhas”, dei de mamar procurando manter a barriguinha dela bem aquecida. Mamou, dormiu e eu voltei a sorrir. Estava a rir comigo mesma por me imaginar com 70 anos dizendo para uma jovem mãe atarantada na fila do supermercado: “Para aliviar a dor de cólica, experimente esquentar a barriga dele contra a sua durante as mamadas. Também já passei por isso e sei bem como é”. Seria engraçado, mas pensando bem, acho que eu não diria isso. Se bem me conheço, provavelmente respeitaria a privacidade alheia e não daria conselho algum, mas ficaria comigo mesma a pensar: “Fique tranquila, mesmo as melhores mães passam por isso. Vá para casa, respire, observe, olhe e tente escutar o que seu filho tem a dizer. Eu não sei todas as respostas, nem sou mais experiente, apenas tenho, como todas as mães, uma história de muitos erros e acertos para contar”. 
 
No outro dia à noite, repeti o cuidado extra em esquentar sua barriga durante a mamada e logo ela já estava dormindo. A senhora dizia serem os dentes, outros diziam ser fome, outros sono, ainda outros cólica. E eu finalmente estava percebendo que a solução não dependia de ter dado ouvidos aos outros, ou seguir  este ou aquele palpite, mas sim, dependia dos meus próprios erros que acabariam por acertar. 

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