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Lembrando do papai

Após a morte do marido, Jennifer precisou ficar bem pelo bem dos filhos

Redação Pais&Filhos

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Jennifer Gould Keil, mãe de Braden Jr e Kaitlin

Quando perdi o amor da minha vida, tive de ficar bem pelo bem dos meus filhos – e encontrar formas de manter vivo o espírito do pai

Por Jennifer Gould Keil/ Tradução de Samantha Melo, filha de Sandra e Tião

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Eu nunca pensei que meu marido, Braden, iria morrer, mesmo depois que teve diagnosticado um câncer de pele. Deram a ele de 3 a 6 meses de vida. Mas ele era um homem forte, bonito, vibrante – se alguém poderia vencer essas probabilidades terríveis, era Braden. "Não se preocupe, meu amor", ele me disse. "Nós já passamos por situações difíceis antes. Vamos sair dessa também.” Acreditei, porque ele sempre foi cheio de surpresas. Ele foi jogador de tênis, chef, piloto, comerciante e jornalista. Braden era um pai incrível, e nossos filhos, Braden Jr., de cinco anos, e Kaitlin, de três, o adoravam.

Na véspera do Ano Novo, brindamos o ano que estava por vir, com espumante. Ele me prometeu que iria, finalmente, comprar a casa dos nossos sonhos, e que um dia iríamos dançar no casamento de nossos filhos. Infelizmente, não era para ser. Ele morreu em março, apenas dois meses e meio depois do diagnóstico. Ao longo de sua jornada dramática, Braden manteve seu humor, sua inteligência, sua graça e sua coragem. Ele era meu herói e será para sempre.

Nos filmes, jovens viúvas fecham-se PARA o mundo, por várias semanas, comendo pizza e chorando. No entanto, eu não podia passar um único dia na cama – ou entrar em qualquer coisa aparentemente egoísta como a depressão – porque os meus filhos precisavam de mim. Meu objetivo era garantir que eles soubessem que estavam a salvo, que seriam amados e cuidados.

“Papai não precisa do seu corpo mais”, expliquei a eles. “Nós vamos enterrá-lo, mas o espírito dele ainda vive e ele ainda nos ama. Papai está no céu e em nossos corações sempre, e ele estará olhando por todos nós”, dizia sempre a meus filhos.
"Mamãe, o que acontece se você morrer?" As crianças perguntavam o tempo todo."Ninguém mais vai morrer", disse-lhes. "Já tivemos o bastante de mortes em nossa família. Você não precisa se preocupar mais com isso.” Às vezes, descobri, crianças pequenas precisam de segurança incondicional. É muito mais simples do que explicar as incertezas da vida às crianças, cujo senso de segurança acaba de ser quebrado.

Desde que Braden morreu, observei a luta de meus filhos para entender o quanto as suas vidas mudaram. Às vezes, fico espantada com a coragem que eles têm, como eles ainda são crianças que acordam todas as manhãs ansiosas para se divertir. Mas foi tão doloroso vê-los realizar conquistas sem o pai. Levei Braden Jr. para o seu primeiro jogo de beisebol – algo que meu marido vinha pensando em fazer, desde que nosso filho nasceu.

Sei que meus filhos estão tão felizes e bem encaminhados, o quanto é humanamente possível, após a morte de seu pai. Ainda assim, me preocupo. Eu me pergunto, às vezes, se as explosões de raiva de Braden Jr. são um sinal de que o buraco dentro dele ainda está se fechando.

Já nos acostumamos a colocar a mesa de jantar para três, em vez de quatro, e nos sentamos em cadeiras diferentes. Mas ainda sabemos onde era o lugar do papai, e ainda falamos sobre seus milkshakes e limonadas, que eram os melhores. No verão, nós ainda ouvimos música alta e cantamos suas canções favoritas no carro; e continuamos a construir castelos de areia e pegar conchas na praia. Sei que a melhor maneira de lembrar Braden é viver a vida de maneira completa, como ele fez. Quero garantir que nossas crianças saibam a sorte que é ter tido um homem tão especial como pai. 

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