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Leia com a gente – Para Pais

Venha ler o livro com a gente, a cada dia, um comentário novo

Redação Pais&Filhos

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A cada mês, escolhemos dois livros para ler e discutir com você, no site, no Facebook, no Twitter

Indicado por Ana Cris Duarte, mãe de Júlia e Herinque, parteira domiciliar, autora de Parto Normal ou Cesárea?, ed. Unesp

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A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, de Laura Gutman
A psicoterapeuta argentina Laura Gutman, especializada no tratamento de casais e crianças, convida as mães a refletir sobre a responsabilidade de criar um bebê. Uma análise da psique feminina e dos impactos que os filhos têm sobre ela. Ataca preconceitos sociais sobre maternidade e comunicação entre adultos e crianças.
Ed. Best Seller (www.record.com.br), R$ 39,90

Confira os comentários da diretora de redação da Pais & Filhos, Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi. A cada dia ela vai comentar um capítulo do livro.

Prefácio
Capítulo 1 – Uma emoção para dois corpos
Capítulo 1 – Por que é tão árduo criar um bebê?



"É essencial a toda mãe, principalmente àquela que está tendo o primeiro filho. Melhor se lido na gravidez, mas é ótimo no pós-parto, quando as coisas começam a ficar confusas"
Ana Cris Duarte

A lista completa

  • Meditações para Gestantes, de Fadynha
    Ed. Ground
  • Quando o Corpo Consente, de Marie e Therese Bertherat e Paule Brung.
    Ed. Martins
  • Yoga para Gestantes, de Fadynha.
    Ed. Atomo
  • Memórias do Homem de Vidro, de Ricardo Herbert Jones
    À venda no GAMA
  • Parto Ativo, de Janet Balaskas
    Ed. Ground
  • Parto com Amor, de Luciana Benatti e Marcelo Min
    Ed. Panda Books
  • Parto Normal ou Cesárea?, de Simone G. Diniz e Ana C. Duarte
    Ed. Unesp
  • A Cientificação do Amor, de Michel Odent
    Ed. Momento Atual
  • Nascer Sorrindo, de Frederick Leboyer
    Ed. Ground

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Prefácio

Sim, eu gosto de ler prefácio (só evito quando se trata de obra literária clássica, porque, normalmente, contam o final achando que você já sabe qual é). Na introdução do livro, a terapeuta familiar argentina Laura Gutman (http://www.lauragutman.com.ar/) explica que aspectos da psique feminina são revelados e ativados quando chegam os filhos.

E é verdade: nunca imaginei que ser mãe pudesse ser tão conflitivo e angustiante em alguns momentos. Já ouvi dizer que nos preparamos para ser as melhores mães de nós mesmos quando éramos adolescentes. Acontece que o filho não é você, não tem a mesma história, as mesmas necessidades, ainda não é adolescente. É um bebê precisando se constituir na relação conosco. E, para completar, tem outra mãe: você!

Portanto, se você às vezes tem medo ou se sente sozinha ao viver essa experiência tão radical, venha ler este livro com a gente. Todo dia vou postar comentários aqui no site. Você pode postar os seus também. Seja bem-vinda (ou bem-vindo, claro!)
 

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Uma emoção para dois corpos

Neste capítulo, a terapeuta fala sobre a fusão entre mãe e bebê. O nascimento é uma separação física: o bebê não depende da mãe mais para respirar, seu corpo passa a funcionar autonomamente. Porém, do ponto de vista psicológico e até espiritual, eles permanecem fundidos. Segundo a autora, “o bebê vive como se fosse dele tudo o que a mãe sente e recorda”. Em um dos trechos mais interessantes, ela explica que a mãe passa esse período desdobrada, pois sua alma se manifesta tanto no seu próprio corpo, como no do bebê. Sabe aquela criança que só chora? Em vez de tentarmos eliminar o sintoma para acalmar logo a situação, a pergunta deveria ser: por que essa mãe está chorando assim? Que aspecto da sombra materna, sentimentos inconscientes que a mãe não admite para si mesma, a criança está manifestando?

“Anular um sintoma não deveria jamais ser um objetivo. Pelo contrário. Deveríamos ser capazes de sustentar o sintoma até entender o que está acontecendo e qual a situação emocional que a mãe precisa compreender ou atravessar. Parte-se do fato de que, se o bebê o manifesta, é porque faz parte da sombra da mãe”, diz Laura no livro. Para a autora, cada bebê representa uma oportunidade para o autoconhecimento. Ele manifesta todas as emoções que escondemos de nós mesmas, que não são bem aceitas socialmente, que vêm da nossa história de vida.

Esse período de fusão dura até a próximo dos 9 meses de idade, quando seu filho começa a se tornar um pouco mais independente do ponto de vista motor: já engatinha e alguns ensaiam os primeiros passos. É só nessa época que o bebê atinge o mesmo estágio de autonomia a que a maioria dos mamíferos chega poucos dias depois de nascer.

Outro grande salto acontece por volta de 2 anos ou 2 anos e meio, quando começa a paulatina separação emocional. O grande marco é o desenvolvimento da linguagem verbal. No começo, elas se referem a si próprias na terceira pessoa: “Babi quer água”. Um belo dia, a criança muda e diz: “Eu quero água”. Esse é o ponto de partida do processo de separação emocional que vai terminar só na adolescência.

Mas afinal, o que é sombra? O termo foi difundido pelo psicólogo Carl Gustav Jung (1875-1961) para se referir às partes desconhecidas da nossa psique. Nosso mundo psíquico é formado por uma parte luminosa, que tem um lado sombrio. A tarefa de cada um é entrar em contato com sua própria sombra, que é desenvolvida a partir da infância. E aí é que está o grande desafio da maternidade: quando temos filho, somos confrontadas com a nossa sombra, queiramos ou não, porque o bebê se torna nosso espelho. É um pouco assustador, sem dúvida, mas também uma grande oportunidade.

Amanhã falo mais sobre este capítulo

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Por que é tão árduo criar um bebê?

Neste trecho, autora explica como é importante que a mãe aceite sua fragilidade e cuide de si mesma

As mães são, ao mesmo tempo, bebê e mulher adulta. Por isso, se queremos cuidar do bebê, precisamos cuidar da mãe. Entrevistei uma vez o psicanalista francês Bernard Golse, que estuda o vínculo mãe-bebê, e uma das frases que mais me marcaram é que se uma mãe tem dificuldades nos cuidados com seu filho, a responsabilidade é de todo seu entorno, que falhou ao apoiá-la. A argumentação de Laura Gutman vai nessa linha também.

Minha filha mais velha teve muitas cólicas. Ficava com ela no colo o tempo todo. Era bastante exaustivo. Eu não entendia por que ela chorava, tentei as soluções clássicas: funchicória, bolsa de água quente, massagens, amamentar, ruídos brancos (da máquina de lavar, por exemplo), que, dizem, acalmam. Talvez eu devesse ter me questionado sobre as minhas dificuldades: como era difícil lidar com um ser tão frágil e dependente e como eu própria me sentia tão frágil e precisando de colo.

Quando minha filha mais nova nasceu, eu estava de licença também da análise. E pretendia ficar os quatro meses. Mas percebi que seria bom voltar antes, o que foi ótimo para ambas. Eu à levava às sessões e ela ficava dormindo no carrinho na sala ao lado. Chorava quando eu falava de temas que eram difíceis para mim, como a perda de um filho dois anos antes, com a gravidez já bastante avançada.

No livro, Laura resume: “A dificuldade aparece quando é necessário reconhecer , no corpo físico do bebê, o surgimento da alma da mãe, em toda sua dimensão. Devem admitir sua fragilidade, como “mães-bebês”. Cuidar-se como tal. Respeitar-se com essas novas qualidades.” E um pouco mais adiante: “O bebê sente como se fossem seus todos os sentimentos da mãe, sobretudo aqueles dos quais não tem consciência. A maioria das mulheres não aproveita esta vantagem de ter a alma exposta; é arriscado encarar a própria verdade.”

Depois que o bebê nasce, a mãe pode mesmo se sentir bastante desamparada. Durante a gravidez, ela estabeleceu uma relação próxima com o obstetra, depois, muitos pediatras não conseguem perceber que não são responsáveis apenas pelos cuidados com o bebê, mas por essa relação mãe-bebê. Nosso colunista, o pediatra Leonardo Posternak sempre diz que é um médico da família. E é por aí mesmo: o pediatra deveria ser um pouco “mãe-diatra”.

Segundo a autora, muitas vezes o encontro com a sombra é confundido com uma depressão pós-parto. Na opinião dela, para que uma depressão se instale é preciso que tenha havido um desequilíbrio emocional antes do parto, que pode ser agravada por um experiência negativa de parto e a falta de amparo no pós-parto. Ou seja: precisamos cuidar da “mãe-bebê” tanto quanto do “bebê-mãe”.

E você, tem outras indicações ou gostaria de opinar? Deixe seu comentário abaixo!

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