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Isa e Dora

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos


Aos 13 anos, Isadora fez uma página no Facebook para falar sobre os problemas da escola em que estuda. As reclamações públicas trouxeram melhorias para os outros alunos e algumas dores de cabeça para Isadora. Aqui, a mãe, orgulhosa, conta como começou tudo isso.

A Isadora começou a página Diário de Classe, no Facebook, inspirada no blog da Martha Payne, uma menina escocesa que escrevia na internet sobre a merenda oferecida pela escola. Quem mostrou o blog pra ela foi a minha filha mais velha, Ingrid. Quando percebi que ela queria fazer algo semelhante, alertei: “não se esqueça de que estamos no Brasil e isso pode não dar resultado”.


Ela quis continuar. Isadora sempre teve acesso livre à internet. Sempre a incentivamos a usar a tecnologia e aproveitar as ferramentas para coisas boas. Assim que a página começou a repercutir, eu fiquei muito feliz e ao mesmo tempo surpresa. Não imaginava que as coisas teriam essa proporção e crescimento. Ela já apareceu em jornais internacionais como o Le Monde e o El País.

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Eu fiquei preocupada com a responsabilidade que ela absorveu no processo. O assédio da mídia foi muito grande e nós explicamos que ela fez um tipo de jornalismo que acabou dando certo, mas que agora precisava dar respostas ao público por meio dos profissionais da área, tentando atender a todos. Isso tudo nunca fez parte do mundo da minha filha, mas a reação dela foi positiva.
É interessante isso. Eu não imaginava que o Diário de Classe fosse dar certo, mas sempre falei em casa que a Isadora ia acabar fazendo algo de grande proporção um dia. Ela sempre foi polêmica, questionadora, apesar da timidez.


Quando tinha 3 anos, costumava esperar o caminhão de coleta de lixo em frente de casa, com uma garrafa de água gelada. Todos da coleta já a conheciam e, no final do ano, compraram uma boneca para dar de presente pra minha filha.


Apesar de não ser ligada a coisas materiais, sempre cuidou muito bem da boneca, porque para ela tinha um valor especial. Depois do sucesso do Diário de Classe, a direção da escola veio me procurar para dizer que o que minha filha estava fazendo era um crime, e nós, pais, poderíamos até ser presos em decorrência das atitudes da Isadora. Fiz questão de deixar claro que a minha filha estava exercendo sua cidadania. Poucas mães entraram em contato comigo, penso que o motivo disso foi a campanha feita pela escola contra Isadora, dizendo que aquilo  era uma bobagem.


Eu apoio a Isadora, não apenas por ser a minha filha, mas porque a atitude dela é legítima e correta.
Quando ela foi intimada a prestar depoimento na delegacia, sobre acusações de uma professora por crimes de calúnia e difamação, eu conversei com ela e expliquei que tudo tinha um preço, uma consequência, e nós nunca sabemos do que os outros são capazes.


Disse que ela poderia ver coisas desagradáveis, como pessoas machucadas ou bandidos algemados. Foi aí que ela me perguntou: “Mas, mãe, eu sou bandida, então?” E eu a acalmei e respondi que não, que ia dar tudo certo. Lá, ela foi muito bem tratada e teve até gente querendo tirar foto. As irmãs da Isadora dizem que ela tem o nome perfeito, além de ser geminiana. “Isa” é a parte tímida e “Dora”, é a menina que escreve no Diário de Classe. Ela continua indo para a escola, normalmente, como se o problema nem fosse com ela. Essa é a Isadora.

Veja a página Diário de Classe

“Eu Isadora Faber que tenho 13 anos, estou fazendo essa página sozinha, para mostrar a verdade sobre as escolas públicas. Quero melhor não só pra mim, mas pra todos.” É assim que se apresenta Isadora, na página que criou no Facebook, curtida por mais de 300 mil pessoas. Entre os temas dos posts, estão as merendas oferecidas, a frequência e a qualidade das aulas e a infraestrutura da escola.
 

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