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Início frustrado

Amamentar não é tão fácil quanto parece nas campanhas

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Filipe nasceu em um parto humanizado. Vasta literatura e experiência médica descrevem esse tipo de recepção ao recém-nascido, sem intervenções desnecessárias e a mais acolhedora e incentivadora amamentação. Logo que nasceu, meu filho já foi colocado no peito para a primeira mamada. Quarenta minutos depois, totalmente satisfeito, dormiu no meu colo. Somente depois é que ele foi cumprir os protocolos do hospital.


Tudo parecia perfeito. Mas ao voltar do berçário, três horas depois, o processo da amamentação começou a desandar. Ele não queria mais mamar e ainda vomitava um pouco. Segundo as enfermeiras, estava nauseado do parto. Mais algumas horas se passaram, fiz nova tentativa, mas, desta vez, ele começou a morder em vez de sugar. Com ajuda das enfermeiras e de uma amiga fonoaudióloga acostumada a trabalhar com bebês, conseguimos finalmente uma boa pega e uma mamada mais eficaz. Mas, em outras vezes, voltava a fazer errado.


Essa inconstância se repetiu pelas 48 horas seguintes, até que o pediatra deu o diagnóstico: meu filho estava com a pega errada por ter nascido com o queixo um pouco retraído e precisava aprender a mamar da forma correta, caso contrário me machucaria a ponto de eu não ter mais condições de continuar. Recomendou que eu me aconselhasse com uma fonoaudióloga especializada em amamentação e, enquanto isso, deveria oferecer leite artificial. Saí da maternidade arrasada, com o copinho de leite na mão.  

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A falta de estímulo de sucção adequada acarretou outro senão: meu leite demorou mais para descer. O que geralmente acontece nos primeiros três dias, no meu caso levou cinco. E o bebê seguia com fome, claro, pois o colostro já não o alimentava mais. Segui à risca todas as orientações recebidas. Fiz massagens nos seios, exercícios na boquinha do bebê, um número mínimo de mamadas, usei a bomba para estimular a produção de leite.


Dar o complemento alimentar no copinho era a pior parte. Eu mais derramava o conteúdo do que conseguia fazer o bebê ingeri-lo. Isso sem contar a sensação de tristeza e indignação.
"Onde está aquela serenidade das imagens de mães amamentando seus filhos que vemos nas campanhas?", eu me perguntava. Pensei várias vezes em desistir, mas meu marido me apoiou muito e participou ativamente de todo o processo.


Em seguida, passamos a utilizar o método da translactação, que eu carinhosamente apelidei de "engana bebê". Você prende uma sonda junto ao mamilo para oferecer o leite de fórmula, que tem de ser sugado como se fosse o materno, evitando o desmame. No começo, o processo foi um pouco confuso e demorado e eu precisava de, pelo menos, mais um par de mãos para dar conta do recado.


Mas, com o tempo, fui me adaptando e hoje faço tudo sozinha. Ao final do primeiro mês, já não precisei mais complementar a alimentação com tanta frequência e o Filipe começou a ganhar peso de maneira constante e ter o crescimento regulado. A batalha para tornar a alimentação dele exclusiva com leite materno continua, mas agora de uma maneira mais tranquila. Agora até sobra tempo para passear com ele e cuidar um pouco mais de mim!


Hoje, enquanto escrevia este depoimento, uma amiga que teve filho há cinco dias me ligou, perguntando se era verdade que eu tinha tido dificuldade para amamentar porque ela estava sofrendo com todo o processo e queria um consolo (porque informações e aconselhamento profissional ela tinha de sobra). Respondi que sim, que os primeiros dias foram muito difíceis. Nossos casos foram muito parecidos. Interessante perceber como alguns episódios podem ser mais comuns do que imaginamos.

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