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Fernando Meligeni fala sobre a relação sólida com o pai

Redação Pais&Filhos

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Meligeni e o pai, Osvaldo, construíram uma relação sólida, e é com este exemplo que ele deseja estar ao lado de seu filho Gael.

Tenho uma ligação muito grande com o meu pai. Muito mais do que pai e filho. Ele é um cara que sempre esteve ao meu lado como amigo, conselheiro e parceiro. Sempre foi um exemplo a ser seguido. Trabalhava muito, tratava a família com muito carinho e respeito e não media esforços para reunir todos e sair para dar boas risadas. Ele, como poucos, conseguia trabalhar duro e estar com a família o máximo que podia. E eu aproveitava todos os momentos com ele, que não cansava de me mostrar o caminho.

Foi dele a ideia de me colocar em uma quadra de tênis pela primeira vez. Como ele jogava e curtia o esporte, o mala aqui o acompanhava aos seus embates, aos sábados de manhã, nas quadras no Pacaembu, do lado do estádio. Ele e seus amigos se enfrentavam e, quando trocavam de lado, eu pegava a raquete e queria imitar meu pai. Vendo isso, ele me estimulou a jogar tênis. Como vínhamos de um país diferente, tivemos que nos unir muito. Fazíamos tudo em família, as decisões eram feitas em conjunto. Nada saía sem um porquê. Mesmo assim, por ele ser um fotógrafo e conviver com a arte, tinha uma maneira muito solta de educar. Ele conversava. Meus pais sempre me educaram – e a Paula, minha linda irmã mais velha – com exemplos.

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Quando o tênis ficou mais forte na minha vida, ele foi o primeiro que mostrou que a minha felicidade era mais importante que o poder de ser dono do seu filho. Percebeu que meu futuro era longe deles. Eles tiveram a coragem de me mostrar o mundo. Mandaram-me, com 15 anos, para a Argentina treinar e para ficar longe do rabo da saia da família. Queriam me ver feliz e com chances de ser o alguém que eu queria e sonhava. Em nenhum momento duvidaram ou foram egoístas.
Foi duro. Em conversas, hoje, percebo a garra que eles puseram para não me demonstrar isso.

Ele foi sempre muito presente nos meus jogos. Diferentemente da minha mãe, que vibrava, gritava e gesticulava, meu pai era sóbrio e quieto. Era um verdadeiro crítico nas vitórias e derrotas. Sempre exigente com a atitude e com a busca pela perfeição. Ganhar ou perder era irrelevante, se minha atitude tivesse sido ruim. Ele não aceitava um menino sem atitude. Ele cobrava. Isso durava o tempo que a viagem de carro demorava até em casa. Lá, ele voltava a ser pai.

Com tudo isso, minha parceria com meu pai foi aumentando e melhorando com os anos. Como toda família, tivemos problemas e, algumas vezes, achei que ele era muito exigente. Era difícil receber um elogio aberto. Ele me elogiava muito para os amigos ou para minha mãe. Para mim era sempre legal, mas poderia ter sido melhor. Em conversas incríveis, velejando depois de parar de jogar, ele me confidenciou que foi duro demais nesse aspecto. Mas que foi importante para não me deixar acomodar.

Hoje tenho certeza que foi mesmo. Ele me ensinou e continua ensinando muito. Tenho certeza que vou educar o pequeno Gael nos mesmos moldes de conversa, parceria, amizade e ser duro quando tiver que ser. Ele nunca levantou uma mão para mim, apenas me olhava com um olhar de reprovação, que até hoje eu conheço. Eu sabia meu limite e tento fazer com meu filho.

Ser pai é um trabalho duríssimo, que apenas as pessoas com grande coração conseguem fazer com maestria. Espero ter uns 10% de excelência que o grande Osvaldo Meligeni teve. Não falo pelos resultados, digo pela união que a família tem até hoje. Nós quatro somos um só. Nada ou ninguém pode tocar. Tocou em um, tocou em todos. Grande viejo sos un grande, sos un gênio.

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