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Fazendo arte

Entenda a importância de deixá-lo criar livremente e aprenda a estimular isso

Redação Pais&Filhos

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Se seu filho anda se sujando com tinta ou rabiscando papéis, não se preocupe: isso é ótimo!

Por Mariana Setubal, filha de Cidinha e Paulo

Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei de uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças, dizia o pintor Pablo Picasso. Ele se referia à pureza, inocência e simplicidade das crianças. Sim, porque a gente tem um monte de regras que nos deixam presos na hora de criar, as coisas têm que ser sempre assim ou assado… A criança, ao contrário, risca, rabisca, inventa e pira, sem ninguém dizendo o que é certo ou errado, bonito ou feio. Ou pelo menos deveria ser assim.

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FECHAR

“Quando uma criança desenha ou pinta, não está em questão o julgamento estético de qualquer padrão ou escola de arte. O que se tem ali é uma criança contando sua história particular, única”, explica a arte-educadora e nossa colunista Luiza Olivetto, mãe de Homero. Ou seja, deixe seu filho criar, sem julgamentos! Fazer arte é o processo, não o produto. É colocar para fora as percepções do mundo, as sensações, os sentimentos, e as crianças fazem isso melhor do que nós, adultos, que estamos mais preocupados com o resultado. Por isso, mesmo que para você o desenho do seu filho não faça sentido nenhum, não faça críticas, isso só vai bloqueá-lo. O ideal é pedir para que a criança fale sobre o seu trabalho, conte o que criou, por que usou aquelas cores etc.

Antes dos 3 anos, a criança só rabisca, são as chamadas garatujas, que começam com formas retas e depois ganham contornos circulares. Mesmo esses formatos estranhos são uma forma de comunicação da criança, é como ela enxerga seu mundo e consegue expressá-lo. As cores, força no papel e espaço que a criança ocupa nele podem dar indícios do momento que está vivendo e até de sua personalidade.

E isso vale para todas as idades. “Crianças que desenham tudo pequeno, são mais retraídas, introvertidas, chamam menos a atenção, ou são mais reprimidas. As que ocupam espaço são mais expansivas, mais soltas, se sentem mais livres”, exemplifica a arteterapeuta Mônica Guttmann, mãe de Suzana e Laszlo.

Desenhos prontos

Em geral, as crianças adoram colorir. Por isso, muitos pais compram livros com desenhos prontos. Isso é bom para a coordenação motora fina. Mas, para a maioria dos especialistas, isso não é arte, já que não permite a criação livre, com as impressões pessoais de cada criança.

Embora prefira a livre expressão artística, a arte-educadora Camila Di Giacomo, mãe de Ian e Lorenzo, e dona do Ateliê Sucatinha de Luxo, não recrimina o uso desses desenhos. “Eu acredito que mostrar referências e obras de artistas às crianças pode ser muito rico”.

Arte faz bem

“O desenho é fundamental no desenvolvimento da linguagem da criança”, diz Camila. . Além disso, estimula a criatividade, a habilidade motora, a percepção e, claro, a inteligência. Para os pais, é uma forma de conhecer melhor o próprio filho.

E não estamos falando só de desenho. Brincar com areia, água e argila também ajuda a entender noções de peso, rigidez, equilíbrio, sem falar nas formas, curvas e tamanhos.  E fazer arte é isso aí: se sujar, lambuzar, experimentar. A regra vem depois.

Como estimular

Você pode estimular sua criatividade fazendo uma exposição das obras para toda a família, por exemplo. Essa é uma forma de valorizar a arte do seu filho, além de ser ótimo para sua autoestima e para o seu desenvolvimento.

“Costuma-se pendurar nas paredes aquilo que se tem apreço. Logo, um desenho que entre nessa categoria, traduz-se como valorização à expressão individual”, diz Luiza. Afinal, quem é que não gosta de ser reconhecido?

Para saber mais

Os significados dos desenhos de crianças, de Angela Anning e Kathy Ring
Explora como as crianças pequenas aprendem a desenhar e desenham para aprender.
Editora Artmed (www.artmed.com.br), R$42.

Consultoria: Camila Di Giacomo, mãe de Ian e Lorenzo, é arte-educadora e dona do Ateliê Sucatinha de Luxo. sucatinhadeluxo.blogspot.com  Luiza Olivetto, mãe de Homero, é arte-educadora e autora da coluna Criadores e Criaturas da Pais & Filhos  Mônica Guttmann, mãe de Suzana e Laszlo, é arteterapeuta.

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