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Em busca do tempo perdido

Nas férias, a regra é não ter regras. Deixe seus filhos saírem da rotina!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A palavra férias vem do latim e significa “dias de descanso, dias feriados, festa, regozijo público; interrupção, suspensão do trabalho”. É daqueles óbvios que a gente precisa lembrar sempre. Quando o assunto são os nossos filhos, parece que tempo livre é igual a tempo perdido, sabe como? É como quando surge aquele silêncio entre duas pessoas numa sala de espera: a gente tenta preencher de algum jeito. No caso das férias, com curso de férias (uma contradição em termos, vamos combinar), circo, oficina, tudo aquilo que não deu tempo de fazer no período de aulas.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), todas as escolas, públicas ou particulares, devem cumprir 800 horas anuais em atividades didáticas, distribuídas em 200 dias de aula, no mínimo. Muitas escolas ainda oferecem atividades extracurriculares e muitas crianças, além da escola, se comprometem com outras tarefas. Se você transformar as férias numa nova versão do período de aulas, quando seu filho vai descansar? Ele precisa de uma pausa para poder seguir em frente.

Pausa. É isso o que as férias precisam ser. A psicanalista Alessandra Gordon, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, explica que as férias são uma pausa necessária, semelhante ao sono e aos fins de semana. “Esses momentos servem para nos refazermos dos desgastes e das tensões diárias”, diz. Todos nós precisamos de um intervalo, especialmente as crianças, que ainda não têm a capacidade e a tolerância para enfrentar uma vida adulta plena de compromissos e solicitações.

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Múltipla escolha
A única regra que deve valer nas férias é não ter regras. Esqueça horários para levantar, para comer. O dia deve ser aproveitado da maneira mais solta possível, para que a criança possa dar um tempo no estresse da rotina. Vale dormir fora de casa durante a semana e estender a brincadeira até tarde da noite. Sem contar que, nas férias, é quando as crianças podem brincar em ambientes diferentes, como ressalta a professora Ângela Martins, mãe de Olavo e coordenadora do maternal ao 1º ano do ensino fundamental no colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Então, aproveite!

Aulas de idioma e outras atividades extras também podem ser interrompidas, a não ser que seu filho faça questão de ser matriculado. Caso contrário, elas não devem ser agendadas. Acampamentos de férias, por exemplo, têm horários relativamente fixos e atividades estruturadas. São muito bacanas, claro, mas só se seu filho realmente estiver a fim de ir. Se não for o caso, permita que ele escolha a melhor maneira de aproveitar o tempo livre. Mesmo que seja pra ficar sem fazer nada. “Durante as férias, é desejável que a criança não tenha qualquer compromisso a não ser aqueles que ela própria cria para si mesma, como aquela brincadeira na casa da vizinha, a ida ao parque ou à sorveteria” afirma a psicanalista Alessandra Gordon.

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O cardápio também pode ficar flexível, sim. Não precisa interromper a brincadeira nem acordar seu filho mais cedo para fazer refeições, diz a coordenadora de nutrição na ONG Banco de Alimentos, Camila Kneip, filha de Raimunda e Paulo Augusto. O importante é não pular nenhuma delas. “Se a criança acordou perto do horário do almoço agora no calor, ofereça um alimento leve, como uma fruta, que não atrapalhe o apetite na hora da refeição.” Também pode trocar o jantar por um lanche nutritivo. Outra dica é aproveitar o tempo livre para levar as crianças para um dia na cozinha. E tem mais: um pequeno aumento na ingestão de doces, frituras e outras besteiras está liberado, desde que a criança entenda que essas concessões estão sendo feitas perante uma situação diferente da rotina diária e não se manterão durante o ano.

Pode parecer um contrassenso, mas a falta de uma agenda esquematizada pode, inclusive, ajudar as crianças a enfrentar melhor a rotina na volta às aulas. “Como eles passam cerca de dois meses longe do colégio, acabam sentindo falta da rotina e da organização”, diz a professora Ângela Martins. Ou seja: bagunce bastante, desorganize os esquemas, saia do previsto. Você vai ver que, quando as coisas voltarem a seus lugares, seu filho vai estar morrendo de saudade da boa e velha rotina.

Consultoria:
Alessandra Gordon, psicanalista membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo;  Angela Martins, mãe de Olavo e coordenadora do maternal ao 1º ano do ensino fundamental do Colégio Dante Alighieri; Camila Kneip, filha de Raimunda e Paulo Augusto e coordenadora de nutrição da ONG Banco de Alimentos; Silvana Leporace, mãe de Fernanda e Fabiana, e coordenadora do Serviço de Orientação Educacional do Colégio Dante Alighieri; Tânia Cestari, filha de Alfredo e Lígia, é membro do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia; Vânia Barone, mãe de Luiz Otávio e coordenadora do 2º ano ao 5º ano do ensino fundamental do Colégio Dante Alighieri.

 

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