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É tudo farra

Criança aprende com todo tipo de brinquedo, todos são educativos.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

por Marianna Perri, filha de Rita e José

Elas brincam e se divertem com qualquer coisa: pode ser uma caixa de papelão, uma bola, um brinquedo de madeira ou um de plástico mesmo. Você sabe, tudo faz sucesso com as crianças, até as coisas menos esperadas. Mas você já deve ter visto algumas lojas de brinquedos educativos, que vendem produtos mais artesanais, ou de madeira. Ficou na dúvida se eles são melhores mesmo? A verdade é que não, porque todo brinquedo é educativo.

Só existe uma exceção: não são educativos os brinquedos que brincam sozinhos. Como assim? Pois é, há brinquedos tão absurdos e exagerados – do tipo que gira, pisca, voa, fala etc. – que a criança não tem nenhum tipo de ação sobre ele. Fica ali, só olhando… Para ser realmente educativo e interessante para elas, basta estar de acordo com a faixa etária. “Se isto acontece, ele despertará interesse, curiosidade, motivação e prazer e, portanto, promoverá a experiência e o aprendizado de conceitos e novas possibilidades”, diz Teresa Ruas, especialista em desenvolvimento infantil e consultora da Fisher-Price.

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Não importa o brinquedo, já que a graça da brincadeira é observar no que o objeto se transforma quando a gente interage. “Muitas vezes, o que a criança aprende não é, necessariamente, o que o brinquedo quer ensinar. Ela tem que ter a liberdade de criar em cima daquele brinquedo, poder transformá-lo em outra coisa”, diz Deyse Gonçalves, mãe de Tiago, Mariana e Helena, coordenadora da educação infantil da Escola da Vila.

Uma bola, uma boneca ou um quebra-cabeça podem ensinar muito mais do que os tais brinquedos educativos. “Os de madeira são ‘deseducativos’ e chatos. Eles foram feitos em uma época que a criança não tinha acesso a outras informações, e eles são pobres para uma criança da atualidade”, diz Gisela Wajskop, mãe de Felipe e Marcelo, e doutora em Metodologia de Ensino e Educação Comparada. As crianças, hoje, adoram brincar com celulares de brinquedo, e não tem mal nenhum isso, é a realidade delas. Mas o celular também pode conviver com um bom e velho trenzinho, que mal tem? É como no filme Toy Story, em que o cowboy Woody e o astronauta moderninho Buzz Lightyear são os brinquedos preferidos do menino Andy.

A simplicidade do brinquedo também depende da fase em que seu filho se encontra. Um chocalho, por exemplo, pode ser um instrumento chato para uma criança maior, mas é uma grande fonte de aprendizado para um bebê, durante os primeiros quatro meses de vida. Ele pode jogar no chão, fazer barulho ou segurar com as mãos. “Por outro lado, uma criança de 2 anos já sabe tudo isso e poderia utilizar o brinquedo para fazer música em sua canção ou bandinha, por exemplo”, completa Teresa Ruas.

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Um brinquedo, muitos amigos
Às vezes, quanto mais simples o brinquedo, melhor. Um quebra-cabeça pode ajudar a criança a perceber a importância da paciência. Um jogo de memória ensina que é possível gravar informações. Além disso, eles estimulam a socialização. Com uma bola, ela pode criar um novo jogo com os amigos, aprender novas regras e desenvolver senso de grupo. O brinquedo acaba se tornando um ponto de interesse em comum. As crianças compartilham momentos bons e ruins, ampliam o aprendizado por meio da aproximação com o outro, aprendem a ceder, passam a classificar o que gostam ou não e também a expressarem o que querem em cada momento.

Esta troca durante as brincadeiras, que ocorre em todas as idades, também serve como simbolização de atividades adultas. É como se estes brinquedos fossem uma representação das situações que a criança vive, mas não consegue entender. Uma brincadeira de casinha, na qual a menina cuida de uma boneca, pode representar o que ela sente em relação aos pais, por exemplo. “Por meio da brincadeira, a criança passa a compreender a rotina do adulto e reflete como ela se sente. Isso pode ajudar os pais a entenderem melhor o que se passa na cabeça dos filhos”, conta a psicóloga Daniella Freixo de Faria, mãe de Maria Luisa e Maria Eduarda.

Não se preocupe tanto em procurar brinquedos com técnicas que incentivam o desenvolvimento. Seu filho vai aprender com todos eles – cada um ensina de um jeito diferente, vai depender mais da brincadeira que do brinquedo.

O que cada brinquedo ensina
Conheça os que são fundamentais para a infância do seu filho.

• Pular corda
Ajuda no desenvolvimento motor das crianças, noção de tempo e percepção do corpo.


• Brincar de boneca ou carrinho
A criança descobre a capacidade de cuidar, de trocar experiências e de imaginar situações com o brinquedo.

• Brinquedo sonoro
Ensina que existem outros sons,além dos do corpo.

• Bola
Ajuda na descoberta de que o outro existe e que o jogo tem que ser bom para os dois.


• Brinquedo de encaixe
Trabalha a paciência, a criatividade,o raciocínio lógico e a organização.

• Jogo da memória
Marca espacialmente as coisas. É um bom exercício de memorização e localização.

Jogo da memória, Castelo Mágico

Consultoria: Daniella Freixo de Faria, mãe de Maria Luisa e Maria Eduarda, é psicóloga. Deyse Gonçalves, mãe de Tiago, Mariana e Helena, é coordenadora da educação infantil da Escola da Vila. Gisela Wajskop, mãe de Felipe e Marcelo, é Sócia Fundadora e Diretora Geral Acadêmica da Faculdade Singularidades de Educação e Doutora em Metodologia de Ensino e Educação Comparada pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

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