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Do “eu” para o “nós”

Redação Pais&Filhos

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O vínculo de Sarita com o filho Ben começou
na hora em que ele nasceu. Foi exatamente
no primeiro choro que ela se sentiu mãe.

Assim que engravidei, decidi que o Ben nasceria de parto normal. Foi uma decisão difícil, eu estava ciente
da dor e do sofrimento que teria que enfrentar em comparação a uma cesárea rápida e pré-marcada. Os longos nove meses de gravidez têm sua razão de ser. Durante esse período, sua cabeça e corpo vão se preparando para uma nova vida. Uma vida em que você deixa um pouco de lado o “eu” e se torna “nós”. Essa decisão era por “nós”.
O vínculo materno não nasce quando você pega seu bebê nos braços, mas naquele segundo em que o mundo para e você escuta o choro dele ao nascer. Quando o colocaram na minha barriga e ele olhou bem nos meus olhos, senti que aquele era o momento mais intenso e lindo que já vivi na minha vida.
Acredito que não nascemos mães, nos tornamos mães. No começo, é tudo diferente, um pouco estranho. Para uma mulher como eu, que estava acostumada a trabalhar muito – até o dia antes de ele nascer – e que sempre teve uma vida agitada, ficar tantos dias em casa após o parto foi como desacelerar o tempo bruscamente. Como uma freada repentina.
E, de repente, dentro desse universo novo, eu percebi que sabia ser mãe, sabia amamentar, dar banho, trocar, cuidar. Aquela velha história de que bebê não vem com bula, comigo não funcionou. Foi quando descobri que
realmente nasci pra ser a mãe dele. Essa é uma das minhas missões na Terra, cuidar desse bebê tão frágil e especial.


Ser mãe de um bebê é ter novidade todos os dias. Cada dia é novo. Ele aprende algo, faz alguma coisa diferente e nós vibramos com o crescimento. Sim, o amor nasce e cresce diariamente, com cada sorriso, cada abraço, cada cheiro. Mas ele se torna mais intenso nas dificuldades, quando você precisa segurar seu filho para tomar vacina, quando ele tem febre, quando chora por alguma dor, quando vão nascer os dentinhos e ele te olha chorando. É aí que percebo que deixei de ser quem eu era antes. Mudei sem perceber.
Queria que todas as dores fossem minhas, todos os incômodos. A gente deixa de ser egoísta, é isso.
O Ben me fez mais humana, me fez sentir mais compaixão pelas pessoas. Eu penso duas vezes antes de falar e de fazer algo. Ele me fez enxergar a vida de uma maneira mais bela, mais colorida. Agora consigo entender melhor a minha mãe, respeito-a por todas as broncas, e liberto-a de todas as culpas. Só sendo mãe para perceber certas coisas. Hoje eu sei o quanto ela me ama. Eu vejo esse amor quando ela olha e cuida do Ben.

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Não existe nada mais lindo do que ver o homem que você escolheu para viver o resto da vida se tornar pai, aprender a ter delicadeza. Às vezes fico escondida assistindo os dois. Fico olhando o Teruo fazer o Ben rir, dando mamadeira, colocando-o para dormir. Percebo, então, que eles têm uma ligação tão forte quanto a minha.
Em julho deste ano, o Ben estava com três meses e eu o deixei com a minha mãe e a babá em casa para viajar para Las Vegas. Fui com meu marido assistir a luta do Anderson Silva. Foram cinco dias longe dele. Cinco dias de liberdade, tempo em que eu tive a oportunidade de ser a antiga Sarita. E foi aí que percebi que eu não queria ser a mesma de antes. Ser mãe é querer estar junto, querer presenciar os momentos, cada conquista dele. Como eu vivi todos esses anos sem o Ben na minha vida? Só consigo imaginar algo incompleto e vazio.

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