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Depoimento Elisa Marconi

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

24/01/2013

Depoimento Elisa Marconi, mãe de Luiza, 10, Daniel, de 6 anos.

“A primeira sensação que me vem quando pedem minha opinião sobre parto normal X cesárea é de irritação, profunda, raiva mesmo. Há várias razões para que eu me sinta: 1. Porque eu nunca imaginei que meus filhos não nasceriam de parto normal. 2. Porque creio que nem sempre seja uma opção da mulher e não escolher é uma coisa que me irrita. 3. Porque entrei numa empreitada perigosa, dolorosa, quase irresponsável, quando, na segunda gravidez, decidi que queria um parto normal depois da cesárea anterior.

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Agora, a razão principal para a minha irritação é a mítica que se criou em torno disso e que, quem sai do esquadro, é menos mãe e menos mulher. Vou morrer defendendo que parto normal é o ideal, devia ser regra e não exceção. Vou morrer defendendo que a mulher deve ter o direito sagrado de escolher como e onde quer parir. Vou morrer agradecendo que tem mulheres e homens que lutam por isso diariamente. Mas alertar a quem me pedir opinião que cada caso é um, que cada mulher tem uma história e um histórico e que, fazer uma bela cesárea, marcada e programada, pode ser o melhor a oferecer a um bebê, uma mãe e uma família.

Esse é o ponto que me irrita: a injustiça como o parto de cada uma nós é tratado, como se houvesse partos mais verdadeiros, melhores. Para encerrar, tive pré-eclâmpsia nas duas gestações, tentei um VBAC (Via baixa após cesárea) na segunda, foi uma meleca em termos físicos, emocionais e familiares. E apesar de ter brigado com a família por querer parto normal, brigado com os médicos que nem queriam saber de via vaginal no meu caso, brigado com as militantes do parto normal porque não rolou, brigado com os médicos do parto normal porque não me alertaram sobre os riscos reais que eu e meu bebê corríamos, apesar de tudo, foram duas experiências divinas, das melhores que vivi. Nada, nada, nada substitui a sensação de ter um filho do lado de fora da barriga, quente, aninhado nos braços, procurando o peito da mãe para mamar”.

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