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Depoimento Denise de Freitas Vieira

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

18/01/2013

“Engravidei da minha primeira filha em 2007. Na época, tinha 26 anos e nenhum contato com o Universo da Maternidade, ou seja, não tinha amigas grávidas nem irmãs com quem pudesse conversar sobre a gravidez. A única coisa que para mim era fato, pois ouvia muitos falar a mesma coisa, é que a maioria dos médicos gosta mesmo é de cesárea, porque eles conseguem se organizar melhor, marcar data, é mais rápido, enfim…

Gostava (como ainda gosto) muito da minha médica. Ela sempre se mostrou muito responsável, pedia mil exames e eu sempre me senti muito segura. Quando a gravidez estava mais avançada ela me perguntou se eu tinha preferência por parto normal ou cesárea. Eu disse, quase sem pensar, que preferia parto normal. Nesse dia ela me disse que o bebê decidiria quando nascer, mas que se eu não entrasse em trabalho de parto até 40 semanas, faríamos cesárea. Argumentou dizendo que eu tive um ‘início’ de diabetes gestacional e que não gostaria de correr nenhum risco.

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Concordei, também sem pensar muito.

Trabalhava como uma louca na época (até hoje, na verdade) e a gravidez voou… não tive tempo de pesquisar e ler muito a respeito do parto, pois, para mim, estava decidido, afinal, a médica em quem eu confiava decidiu o que seria melhor para mim e minha bebê. Marcamos a cesárea para o dia em que completaria 40 semanas: 5 de novembro de 2007. No dia 3 de novembro, de madrugada, entrei em trabalho de parto. Liguei para a médica e fomos para o hospital. Para nossa feliz surpresa, o trabalho de parto ia progredindo muito bem e com 5 cm a médica resolveu romper a bolsa. Nessa hora, ela verificou a existência de mecônio e disse que se a neném não nascesse nos próximos 30 minutos, ela faria a cesárea. Não sabíamos exatamente o que significava a existência do mecônio, mas sabíamos que não era bom. Por isso, antes mesmo dos 30 minutos, optamos por fazer a cesárea.  Fiquei chateada, mas correr risco não era opção para mim. Em poucos minutos, nossa Laurinha estava em nossos braços!

Quando a Laura tinha 1 ano e 3 meses, engravidei novamente. Outra menina: Mariana. Era fevereiro de 2009 e eu tinha 28 anos. Data prevista para o parto: 8 de novembro. Gravidez normal, sem nenhuma intercorrência, inclusive sem sinais de diabetes. Dessa vez, entrei em trabalho de parto com 38 semanas, no dia 25 de outubro. Fomos ao hospital e, novamente, a médica me perguntou o que eu queria. Disse que gostaria de tentar o parto normal, mas, dessa vez, sem tanto entusiasmo, pois, como já tinha feito uma cesárea, era como se o encanto "parto normal" tivesse perdido um pouco da graça.

Diferentemente do primeiro trabalho de parto, comecei a sentir MUITA dor… Não tinha posição para ficar e o trabalho de parto progredia muito lentamente. Era nítido que a médica dava preferência para a cesárea, mas em nenhum momento me desestimulou, ainda que eu não possa dizer que ela tenha estimulado. Quase 12 horas de dor depois e quase nada de dilatação: acabei desistindo… "Quero fazer cesárea de novo!".

Mais uma vez, em pouco tempo, Mariana nascia. O pós-operatório é péssimo e mente muito quem diz que não dói nada. Acho que se eu tivesse insistido mais, me informado, procurado um médico que gostasse e estimulasse parto normal e, mais ainda, coragem, teria tido dois partos normais. Durante muito tempo me culpei por isso, pois os entusiastas do parto normal, natural, humanizado, etc. carregam uma bandeira como se a mãe de cesárea fosse menos mãe.

De fato, acredito que é importante para o bebê o processo natural, mas não admito que sugiram que a cesárea possa trazer algum prejuízo ao bebê. Minhas filhas estão ótimas e meu vínculo com elas sempre foi muito estreito (apesar de eu trabalhar… rsrsrsr Culpa, Não!).

Foi muito bom redigir este relato até mesmo para exorcizar qualquer mal-estar que tenha ficado desde o nascimento das meninas… Faltou informação e estímulo para o parto normal? Talvez… Mas, de forma alguma, quero sentir culpa por ter "fraquejado", desistido do parto normal e partido para a cesárea… Não sou menos mãe! Pelo contrário! Só vou me permitir sentir culpa se eu, mesmo podendo, não desempenhar o meu melhor papel de mãe. Se eu optei pela cesárea foi por querer o melhor para as minhas filhas, pois, no caso do primeiro parto, havia um risco, ainda que incipiente. Culpa, não!”.

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