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De grávida para grávida

Na gravidez, acontecem muitas coisas com o corpo, muitas mesmo

Redação Pais&Filhos

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Por Nivia de Souza, filha de Tânia e Renato

Na gravidez, acontecem muitas coisas com o corpo, muitas mesmo. Por algumas, provavelmente você já passou, outras já ouviu falar e muitas nem imaginava. O importante é saber que tudo isso acontece para preparar sua cabeça e seu corpo para a maternidade. Conversamos com 30 grávidas para saber o que acontece nos 9 meses.


A gravidez é uma fase importante, não só para a formação e desenvolvimento do bebê, mas também para a construção da mãe. Nem todo mundo vira mãe de uma hora para a outra. Quase sempre, são necessários nove meses para isso, e mais um pouco depois. E a natureza é muito sábia: cada dor, sensação, sentimento, vontade, desejo, medo ou ansiedade tem algum motivo. A preparação vai acontecendo conforme você imagina o seu bebê, faz planos para o futuro, arruma o quarto, prepara a bolsa, decide o tipo de parto e a maternidade.

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1º mês


Muitas mulheres definem a descoberta da gravidez como uma explosão de sentimentos, mesmo que não seja a primeira vez. Neste começo do desenvolvimento do bebê, o processo de divisão celular acontece muito, muito rápido. Às vezes, a futura mãe nem desconfia que está grávida. “Os sintomas dependem da sensibilidade da pessoa. De maneira geral, a gente brinca que, quanto mais sintomas, melhor”, afirma a ginecologista e obstetra Lucila Evangelista, mãe de Ana Carolina e Luis Fernando.

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E, mesmo, sem saber que está grávida, a mulher já sente algumas alterações no seu corpo e organismo, que são bem parecidos com os sintomas da tensão pré-menstrual, porém, de forma mais intensa. A mulher se sente inchada, pois mais água está sendo acumulada no organismo, para que o volume do sangue que circula pelo corpo aumente.

Além da explosão de alegria, outro estouro acontece no organismo: a explosão de hormônios. É praticamente um big bang. Antes mesmo de a menstruação atrasar, as mamas começam a produzir leite e os mamilos ficam mais sensíveis.    

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Chorar à toa, irritar-se com facilidade, vontade de ficar quietinha no seu canto e intolerância também são sinais. O olfato vai ficando mais apurado e alguns odores começam a incomodar. Até mesmo o cheiro do marido! É como se o organismo estivesse se preparando para a chegada do bebê. “Ele faz com que a mulher fique mais no ninho. O corpo se protege de tudo o que tem gosto e cheiro forte. É um aviso do bebê”, diz Lucila.  


E, então, ao descobrir a gravidez, inicia-se a espera. Espera-se o bebê, novas alegrias, medos, desafios, emoções, noites sem dormir, corujice e surpresas. “Não tem como a gente não se entregar a esse prazer da espera”, derrete-se Tatiana Moura, mãe de Lucas e à espera de Alice.

2o mês


Seios maiores, barriga mais enrijecida, cabelos mais oleosos e pele mais seca. Essas são as principais mudanças que Roberta Cavalcanti, à espera de Sophie, está sentindo neste segundo mês de gestação. “Como mulher, me sinto mais bonita”, afirma. Sentir cólicas leves, sem maiores consequências, também é comum. O feto está em processo de acomodação. As náuseas e enjoos começam a ficar mais frequentes e costumam ser mais fortes durante o período da manhã. Este sintoma está relacionado ao hormônio Beta HCG.


Também são comuns tonturas, cefaleias, aumento da salivação e sonolência. O intestino fica mesmo mais lento. As mamas continuam a aumentar e a aréola começa a escurecer. Pequenas dores na virilha, por conta do crescimento do útero e da distenção dos ligamentos que o seguram na posição, também são sentidas.


O fato mais marcante, esperado e emocionante do segundo mês de gestação é que o coração do bebê já pode ser ouvido. “Ela passa a se sentir mais grávida”, conta o ginecologista e obstetra Luiz Fernando Leite, pai de Luca. “Mais emocionante que a descoberta foi, na quinta semana, ver que tínhamos dois sacos gestacionais e, na semana seguinte, ouvir o coração deles”, conta Camila de Siqueira, à espera de Maria e Gabriel.  

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3º e 4º meses


As dores na mama e no baixo ventre começam a diminuir no terceiro mês. A barriga começa a despontar, porém é mais fácil vê-la quando a mulher estiver deitada. “Diferente das outras gravidezes, a barriga apareceu muito antes do terceiro mês, logo no segundo ela despontou”, conta Ligia Korkes, mãe de Olívia, Benjamin e grávida de três meses.


“Será que ela está grávida ou apenas deu uma engordadinha?” Todo mundo já se fez essa pergunta quando viu uma grávida no quarto mês. E, apesar de a barriga estar visível, ainda é difícil sentir os movimentos do bebê, pois ele ainda é pequeno e a água da bolsa amniótica funciona como um amortecedor.

 
Nesse período, o sangue está circulando mais pela região vaginal e a umidade na área aumenta. É normal acontecer inchaço e mudança de cor na região. As gestantes começam a ter alterações nos estímulos na hora de urinar. As mamas já aumentaram tanto que o número do sutiã muda.  


“As articulações ficam com retenção de água. A coluna fica para trás, e muitas começam a ter dores na lombar”, explica Luiz Fernando. Pois é, e ainda está na metade da gravidez! “É impressionante como a vida já começa nos exigindo muito”, diz Christina Larroudé, à espera de Raphael.

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5º e 6º meses

Rita de Cássia Davanzo, mãe de Mariana e que decidiu ter mais um filho 20 anos depois, sente que nesta fase surgiu uma ligação absurdamente grande com o seu bebê, Jonatas.  
No quinto mês, as grávidas começam a sentir mais bem-estar. “Eu me sinto muito bem, mais disposta do que no começo, menos enjoos e a vida sexual deu uma normalizada. Meu cabelo e pele estão lindos”, diz Christina Larroudé.   


O quinto mês é especial. A mulher já pode começar a sentir o bebê mexendo na barriga. O crescimento do útero faz com que a grávida comece a sentir um pouco de falta de ar. A postura começa a mudar. “Como o útero projeta-se para frente, o centro de gravidade da mulher é deslocado. A lordose aumenta e elas começam a andar com as pernas mais abertas e os pés para fora”, diz o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo, pai de Cecília, Isadora e à espera de uma menina.


Com o bebê pesando aproximadamente um quilo no sexto mês, as grávidas já têm cerca de um litro e meio a mais de sangue correndo pelas veias. Por isso, há uma tendência aos
inchaços, varizes e veias saltadas.


“Já estou me preparando para ficar com os movimentos cada vez mais lentos, mas pretendo continuar com minhas atividades”, diz Gabriela Morales, à espera de Gustavo.
Agora, a gestante pode sentir direitinho o bebê. “Minha gravidez não tem sido um mar de rosas como os padrões exigem que seja. Talvez, a única coisa boa da minha gestação é sentir a minha Manoella mexer, principalmente nos momentos ruins. É como se ela quisesse dizer: ‘se acalma, mãe, vim de intrusa, mas estou aqui e vou te trazer muita alegria’”, desabafa Patrícia Gomes, mãe de Carollina e esperando a Manoella.


Com a proximidade do terceiro trimestre e do parto, a ansiedade aumenta. “Tenho medo da dor, de não saber segurar a neném”, diz Aryanne Moraes, à espera de Guilhermina. Já Taís Venturelli, que espera Beatriz, sente que, neste sexto mês, ela está mais madura e preparada para enfrentar o turbilhão. “Tenho plena consciência de que as mudanças serão imensas, mas é isso que eu espero”, afirma Taís.

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7o mês


Nesta fase, as alterações de postura começam a agir sobre os membros inferiores e a grávida começa a sentir certa dificuldade no equilíbrio. Por isso, não é indicado que elas se coloquem em situações de risco, como usar sapatos de salto alto.


O crescimento do bebê é rápido, ele engorda cerca de 200 gramas por semana.
As grávidas acabam se sentindo mais desconfortáveis, pois órgãos como o estômago, fígado, bexiga e intestinos são comprimidos. “Tem dias em que, se não fosse a barriga, eu poderia dizer que me sinto como se não estivesse grávida. Em alguns dias, a azia vem nos visitar, mas também é algo que faz parte nesta fase”, conclui Lia Flávia Savaris, mãe de Henrique e à espera de Miguel.  


O sono é o mais prejudicado no sétimo mês. É difícil achar uma posição boa para dormir. O refluxo aumenta e as vontades de urinar também. As mamas estão mais cheias e a linea nigra, aquela linha escura, de causa hormonal, no meio da barriga, começa a aparecer.     


A correria também aumenta. “Estamos tentando deixar tudo bem organizado para a chegada da Mariana. Mas sempre que vamos conferir, percebemos que falta alguma coisa”, diz Ana Paula Mendes. Para ela, fazer algum plano, neste momento, é quase impossível. “Como somos pais de primeira viagem, não sabemos o que vem pela frente”.


Caroline Sanches, que está no sétimo mês da gestação da Júlia, conta que mudou sua maneira de pensar. “Todo o planejamento futuro está relacionado com a Júlia. Ao mesmo tempo em que falta pouco, parece que o tempo para”, explica. Não se preocupe com as dores nas costas e nos membros inferiores, que são culpa do sobrepeso, assim como a mudança na forma de andar.

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8o mês


A barriga está bem destendida e o equilíbrio muda de forma radical. Agora, o bebê tem um espaço mais restrito dentro do útero e os movimentos dele mudam. Isso pode fazer com que a mãe tenha a impressão de que ele está se mexendo menos.


O ritmo de vida diminui, mas atividades aquáticas ainda são bem-vindas. Talita Bustamante, à espera de Manoela, está fazendo repouso desde o quarto mês, por causa de uma abertura no colo do útero. “O difícil foi aceitar que eu não podia mais fazer 500 coisas ao mesmo tempo. Tive que me controlar demais. Foi muito difícil aceitar algumas limitações”, diz.


O intestino fica mais preguiçoso, deixando-as mais propensas a hemorróidas. Pode ser que uma secreção amarelada, o colostro, saia das mamas, que já estão bem cheias. O nariz fica com a aparência de uma batata.
As consultas médicas aumentam assim como as dores ciáticas. “Acho que já estou sentindo tudo o que poderia. Uma vez que tenho aquelas contrações de treinamento”, conta Daniela Mineiro, mãe de Alice e esperando o Bernardo, falando sobre as Contrações Braxton-Hicks (veja acima).


A alimentação fica um pouco mais difícil. Elas não conseguem comer em grandes quantidades, ou seja, comem menos e mais vezes ao dia. “Estou na fase de despedida da gestação e, sinceramente, vou sentir falta da ansiedade do primeiro movimento, dos chutes da madrugada”, diz Thays Cubos,
à espera de Mariana.   

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9o mês


Agora, é só esperar o bebê nascer. Janice Nunes, que espera a Laura, diz que a chegada da filha é uma mudança radical.
Alguns alarmes falsos acontecem, pois a grávida pode ter a sensação de ter perdido água. Isso acontece por conta do aumento da umidade vaginal ou por causa de algumas escapadas de urina, durante uma risada ou espirro, já que a bexiga está com capacidade reduzida. “Minha maior expectativa é conseguir, desta vez, o parto natural”, afirma Paola Lima, mãe de Pedro e esperando Maria.


A pele da barriga está esticada ao máximo e o desconforto respiratório e as dores no joelho são bem significativos. A grávida fica mais arredia, carente e agressiva por causa de uma série de fatores como o cansaço, as noites mal dormidas, as dores, o incômodo dos chutes do bebê, o nervosismo com o parto e o instinto de querer proteger o seu filho. “Fiquei mesmo mais insegura e carente. Nunca tive ciúme do meu marido, mas, nessa gravidez, fiquei muito ciumenta. Devem ser os hormônios”, conta Beatriz Valota, mãe de Leonardo e esperando Bernardo. O corpo muda mesmo, e o estado de espírito também. Mas depois você não vai nem lembrar desses incômodos, de tanta alegria com o nascimento do bebê.

Contrações Braxton-Hicks


Essas contrações são uma espécie de treinamento para a hora do parto e podem acontecer por volta do sétimo mês. “Elas não são preocupantes e duram menos de 30 segundos”, tranquiliza o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo. Em geral, elas acontecem à noite, quando a gestante está mais quieta e concentrada. São várias na sequência e, depois, desaparecem!

Vida Sexual


Algumas mulheres não se sentem atraentes o suficiente para manter a vida sexual durante a gravidez. Segundo a ginecologista e obstetra Lucila Evangelista, não existe nada físico ou hormonal que impeça a gestante de ter relações sexuais. Outras até, por receio de engravidar num momento não favorável, evitavam o marido e, agora, grávidas, relaxam e aproveitam muito mais a sexualidade.   

Consultoria: Alexandre Pupo, pai de Cecília e Isadora, é ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês. Lucila Pires Evangelista, mãe de Ana Carolina e Luis Fernando, é ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein. Luiz Fernando Leite, pai de Luca, é ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.

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