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Cordão que dá liga

Esperar para cortar o cordão umbilical pode diminuir o risco de anemia

Redação Pais&Filhos

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Um estudo realizado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo trouxe um novo jeito de lidar com o corte do cordão umbilical, tradicionalmente feito logo após o parto. Através do acompanhamento de 224 partos, em que em 109 deles o corte foi imediato e em 115 esperou-se um minuto para ser feito, foi observado que nos bebês cujos cordões foram cortados mais tarde o nível de ferro no sangue é maior do que naqueles que tiveram o corte feito rapidamente.

Segundo o pediatra Francisco Lembo Neto, pai de Gabriel, Bruno, Vitor e Danilo, isso acontece porque um tempo maior de espera aumenta a quantidade de sangue transferida para o sistema circulatório do bebê, e, assim, da hemoglobina, que é a proteína que contém o ferro presente no sangue. É por isso que o risco de anemia nas crianças, nesses casos, diminui.
 
Porém, há algumas contra-indicações, explica. “Se a criança tiver uma incompatibilidade de sangue com a mãe, ou mesmo um problema cardíaco, esperar para cortar o cordão não convém, pode ser perigoso”. O ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, pai de Cecília e Isadora, lembra também dos casos em que o bebê demora para chorar, ou tem poucos movimentos e cor arroxeada, quando o melhor a ser feito é entregar a criança rapidamente ao pediatra para o suporte respiratório necessário. Aí o corte deve ser feito o mais rápido possível. 
 
O cordão umbilical mantém o bebê nutrido durante a gestação, além de ser o responsável por levar seu sangue até a placenta, que funciona como um pulmão antes do parto. É lá que acontecem as trocas gasosas entre a grávida e a criança: o gás carbônico produzido pelo bebê é passado para a corrente sanguínea da mãe, e o oxigênio produzido pela mãe é passado ao sangue do feto. Tudo isso através do cordão umbilical. Com funções tão importantes como essas, é claro que o momento de romper toda essa ligação é super delicado. 
 
A adaptação para que o pulmão do bebê funcione, substituindo o trabalho feito pelo cordão, é um processo que começa no trabalho de parto e só termina quando o cordão para de pulsar. É por isso que Alexandre afirma que o momento ideal para fazer o corte é esse. “Sabemos que a adaptação respiratória da criança se deu por completo quando o cordão para completamente de pulsar, o que significa que ela está finalmente pronta para respirar fora do útero”.
 
Como é um momento importante, é bacana deixar o pai participar, cortando o cordão. Mas isso vai depender da autorização da equipe, para que tudo seja feito direitinho e não ocorra infecção.  Como na cesariana a manutenção de um ambiente estéril é primordial, é mais comum que os obstetras autorizem a intervenção paterna em partos normais.
 
Os médicos chamam de cotoco aquilo que fica no umbigo do bebê após o parto. Depois de ficar preto, o cotoco cai, com uma ou duas semanas de vida. Para a cicatrização acontecer da melhor forma possível é importante higienizar direitinho o umbigo com álcool 70%. Apesar do que muitos pensam, a maneira como é feito o corte não tem nada a ver com o formato que o umbigo da criança terá. Essa é a sua primeira separação com o bebê, então prepare-se para fortes emoções!
 
Consultoria: Alexandre Pupo Nogueira é pai de Cecília e Isadora e ginecologista do Hospital Sírio Libanês.
Clery Bernardi Gallacci é mãe de Fernando e Luca e pediatra do Hospital e Maternidade Santa Joana. 
Francisco Lembo Neto é pai de Gabriel, Bruno, Vítor e Danilo e pediatra do Hospital Samaritano. 

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