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Companheiras invisíveis

Saiba quais são as principais doenças causadas pelas bactérias e as melhores formas de evitá-las

Redação Pais&Filhos

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Antes de comer, gelzinho nas mãos. Nas paredes, tinta bactericida. Depois de brincar no parque, lencinhos antibacterianos para tirar a sujeira. De uns tempos pra cá, a gente ficou viciado nesses produtos que eliminam as bactérias. Mas, afinal, o que são e o que causam esses organismos tão pequenos?

A bactéria foi descoberta em 1693 e ganhou esse nome bem mais tarde, no século 19. Hoje a humanidade conhece cerca de 50% de todas as bactérias existentes. Se formos enumerar todas as doenças que elas causam, chegaríamos a uma lista enorme. Mas podemos ver vários sintomas no dia a dia: diarreia, dor de garganta, de ouvido…  

Mas engana-se quem pensa que elas existem apenas para causar algum mal. Pelo contrário! Alguns tipos são importantes para a indústria de alimentos, já que transformam o açúcar do leite em ácido lácteo; para a ecologia porque são elas as responsáveis pela decomposição das matérias orgânicas, e também para a saúde humana, ajudando na digestão e evitando a proliferação de micróbios patogênicos. É estimado que nosso corpo possua dez vezes mais bactérias do que células e que um quilo do nosso peso total seja de bactérias!

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É claro que também existem os malefícios. É no corpo humano que as bactérias patogênicas (que causam doenças) encontram um ambiente atrativo para sobreviver e se proliferarem. As principais formas de contágio são por meio do contato direto com o material infectado, pelo ar, pela comida, pela água e por alguns insetos. E para o tratamento, os já conhecidos antibióticos.

Proteção

Tanto o contato exagerado com as bactérias quanto a falta de exposição a elas não são positivas. Se evitarmos o contato das crianças com as bactérias que convivem conosco de forma harmônica estamos, consequentemente, enfraquecendo seus mecanismos de defesa naturais. “É necessário que exista esse contato para que o sistema imunológico responda de maneira eficiente num próximo encontro. Elas serão reconhecidas e combatidas”, afirma Débora de Marco, professora de biomedicina da Universidade de Mogi das Cruzes e mãe de André e Pedro. É o mesmo princípio das vacinas, que usam os micro-organismos atenuados e, em algumas ocasiões, podem fazer com que apareçam alguns sintomas em quem a tomou. “É o sistema imunológico sendo ativado”, completa a professora.

Segundo Gustavo Kerr, pai de Gabriel e Helena e médico de família da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, a melhor forma de profilaxia contra bactérias patogênicas é evitar o contato com quem está doente, tomar vacinas e lavar as mãos.

É comum ficarmos preocupados com as crianças em relação às bactérias, afinal ninguém quer ver o filho doente. Nos primeiros meses de vida, a proteção é fundamental. Deixe que aos poucos as crianças vão sendo apresentadas às bactérias. “De qualquer forma, entrar em contato é deixar brincar e não deixar de lado os cuidados básicos de higiene. Isso sempre”, alerta Débora. Ou seja, nada de cair na paranoia e privar seu filho de ir a um parque, brincar na terra, andar descalço e sentar no chão.       

As doenças bacterianas

O órgão do corpo humano que sofre com mais frequência de doenças bacterianas é o intestino. Diarreias e transtornos gástricos são comuns em crianças e adultos. Porém, a gravidade do caso aumenta com os pequenos porque eles se desidratam com mais rapidez e facilidade.

Os aparelhos auditivo e respiratório também são bastante afetados por elas. Otites e amidalites podem evoluir para quadros mais graves. “Dependendo do clima, podem ocorrer infecções de pele, que são transmitidas só pelo contato”, complementa Gustavo. Nos casos de meningite, a bacteriana é mais perigosa do que a viral. Ela mata cerca de 25% dos contaminados e outros 25% ficam com sequelas neurológicas.

Contra a meningite, tuberculose, difteria, tétano, coqueluche – todas elas doenças bacterianas – existem as vacinas. “A maioria das pessoas é vacinada e isso diminui a circulação das bactérias e dos vírus também. Mesmo quem não tomou a vacina acaba sendo beneficiado”, argumenta Gustavo.    

Bactérias resistentes?

É preciso ensinar às crianças três pontos importantes nessa briga com as bactérias: tomar as vacinas corretamente, comer bem e lavar as mãos. Esse último é um hábito que deve ser cultivado e ensinado desde sempre. Segundo Débora, a pele possui micro-organismos que nos protegem de infecções oportunistas. O uso do álcool em gel é importante e deve ser feito quando não temos acesso à água e sabão. “Não se deve substituir a lavagem das mãos pelo uso do álcool gel”, diz a professora.

Atualmente, existem estudos que mostram que os antissépticos não fazem com que as bactérias fiquem mais resistentes. “Ao contrário, eles nos protegem tanto das bactérias sensíveis quanto das resistentes”, explica Alexandre Marra, pai de Pedro e Vinícius, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
 
Ou seja, a tal da Vitamina S (de Sujeira, como brincam alguns médicos), é importante e inevitavelmente fará parte da vida de seu filho. Não adianta ficar correndo atrás para limpar suas mãos cada vez que ele engatinha, certo? As providências para manter as bactérias a uma distância aceitável são muito bem-vindas, mas com bom-senso!

Linha do tempo

1693
O cientista holandês Antonie van Leewenhoek descobriu organismos de um tamanho tão pequeno que os denominou de “animálculos”.

1828
O biólogo alemão Christian Gottfried Ehrenberg os batizou com um nome pelo qual são conhecidos até hoje: bactérias.

Entre 1877 e 1887
O químico Louis Pasteur descobriu três bactérias responsáveis por doenças nos homens: estafilococos, estreptococos e pneumococos.

1928
Alexander Fleming descobre a penicilina, o primeiro antibiótico.

Lavando as mãos

Álcool gel Lifebuoy,
R$5,99, www.lifebuoy.com.br

Tinta antibacteriana
Suvinil, R$70 (preço sugerido por Tintas MC), SAC 0800 011 7558, www.suvinil.com.br

Sabonete antibacteriano
Dettol, R$1,49 www.dettol.com.br

Consultoria: Débora de Marco, mãe de André e Pedro, é professora de biomedicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Gustavo Kerr, pai de Gabriel e Helena, é médico de família da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Alexandre Marra, pai de Pedro e Vinícius, é infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein

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