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Como pensa o pai?

Saiba quais são as prioridades de Rodrigo Faro, Pedro Mariano, Thiago Reis...

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Diferente da mãe. Isso com certeza. E cada pai tem o seu jeito. Saiba quais são as prioridades de cinco homens na criação dos seus filhos e os valores que eles tentam transmitir: respeito, sinceridade, limite… Ou nada disso. Ou tudo junto!

Por Samantha Melo, filha de Sandra e Tião

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Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2008, foi apontado que, para 69% dos brasileiros, a família é a instituição mais importante da vida. E o mais surpreendente: pela primeira vez, os homens priorizam mais do que as mulheres o bem-estar dos filhos e do companheiro.

Que o “novo pai” é bem diferente do modelo tradicional, fica muito mais com as crianças, divide todas as tarefas e ainda ajuda em casa, todo mundo já sabe. Não é nem novo mais, já é quase velho. Afinal, que pai não participa de tudo hoje em dia? Porém, você já parou para pensar que, se os pais estão cada vez mais presentes no dia a dia da família, os ensinamentos que são passados aos filhos também podem ter mudado? Se antes o pai era visto pelos pequenos como uma pessoa a ser temida, com o clássico “espera só o seu pai chegar” sempre na ponta da língua das mães, hoje a figura paterna também é considerada a principal responsável pela transmissão dos valores.

Claro, o que era ensinado pelas mães antigamente também pode ser passado hoje pelos pais. Mas pai é pai e mãe é mãe. Os homens pensam diferente das mulheres, e isso é ótimo – pra eles, para as mulheres e principalmente para os filhos, que têm a oportunidade de aprender com os dois. Por isso, a gente resolveu investigar e conversou com cinco pais descolados para entender melhor o que eles acreditam ser essencial passar aos pequenos. E você, concorda com eles?

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Limite
Rodrigo Faro, pai de Clara, de 6 anos e Maria, de 3, é ator e apresentador.

Eu acho importante preparar as minhas filhas para entender que a vida não é feita só de sim. Elas precisam conhecer os limites e saber conviver com a frustração. Por isso, eu e a Vera, minha esposa, procuramos não dar tudo o que elas querem e a toda hora. E eu fui educado por mulheres. A minha mãe, Vera Lúcia, e a minha avó, Benedicta, me passaram um pouco de visão feminina. Então eu tenho uma profunda admiração e carinho pelas mulheres. E agora, tendo duas filhas, eu tento passar os valores que aprendi. Eu quero que elas tenham respeito para serem respeitadas, sejam educadas, peçam licença, agradeçam… Mas sem abaixar a cabeça, claro. Outra coisa que procuro ensinar é que, mesmo nessa geração da internet, os seres humanos são importantes, que as relações interpessoais precisam vir antes da tecnologia. E elas entendem. Eu converso olho no olho, mudo o tom da voz, mas sem violência, seja verbal ou física. Apenas olhando no olho e dizendo o que eu aprendi e quero que elas aprendam: a dividir brinquedo, a amar a irmã, a emprestar, a não gritar, a respeitar a hora do almoço. Resumindo, é isso. Limite, educação, disciplina, amor e conversa são fundamentais. Mas tão importante quanto ensinar é fazer. Por isso, eu procuro sempre dar o exemplo. E elas sabem que eu sou disciplinador, quando eu falo é uma vez só. Mas também sou o bagunceiro, e elas sabem que é só chamar que eu entro na brincadeira.

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Respeito
Pedro Mariano, é pai da Rafaela, de 5 anos, e músico.

Eu tento passar para a Rafaela os valores básicos como amizade, lealdade, ética, sinceridade. Uma coisa muito importante que eu sempre converso com ela é que é preciso falar a verdade, ter paciência, e principalmente ter respeito. E isso tem muito a ver com o que aprendi com o meu pai (César Camargo Mariano). Pelo fato dele ser músico, sempre fazia tudo ao mesmo tempo. Eu chegava animado da escola e ia contar algo pra ele, mas ele estava de fone de ouvido, ou no piano. Eu saía falando, e ele dizia ‘ei, ei, respeito, calma, estou terminando aqui e depois você me conta.’ Era um balde de água fria, mas necessário. Assim, eu fui entendendo, ainda mais agora que também sou músico. E o valor mais importante que eu passo para a Rafaela é esse: esperar a sua vez.  O engraçado é que ela faz como se estivesse na escola. Ela fica do lado, levanta a mão e diz que quer falar. E espera. Às vezes, ela esquece, claro, não tem jeito.

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Honestidade
Thiago Reis, é pai de Pietra, de 3 anos, e ator.

Para mim, todos os valores básicos são muito importantes, mas destaco dois em especial, a amizade e a honestidade. Sem essas duas virtudes, as relações se tornam muito difíceis, ainda mais no mundo contemporâneo. Tento sempre mostrar isso para a Pietra, que falar a verdade é essencial para que a vida seja mais equilibrada e feliz possível. E eu acho essencial que a Pietra possa identificar nas minhas ações tudo o que eu falo para ela. Se ela me vir mentindo, que sentido tem falar para ela não mentir? Tudo o que eu faço ela imita, questiona. Embora ela seja muito novinha, consegue assimilar alguns valores com muita facilidade. Então, procuro viver de acordo com princípios que penso que seria bom ela se espelhar. Digo isso porque eu mesmo sou o resultado da minha história, e sempre recebi de meus pais valores que me tornaram o homem que sou. O exemplo eu tive em casa, e hoje tento ser o exemplo da casa.

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Amor
Edgard Scandurra, pai de Daniel, de 22 anos, Lucas, de 16 anos, Joaquim, de 12 anos (na foto) e Estela, de 7 anos. É cantor e músico, e um dos integrantes da banda Pequeno Cidadão.

O meu dia a dia é supercorrido.  Por isso, o que eu acho importante mesmo é aproveitar cada segundo com eles. Então, a minha prioridade é que eles tenham uma boa educação, uma vida saudável… Isso é o mínimo que posso fazer por eles. E transmitir algumas coisas para que eles levem para a vida. Respeito, às diferenças, sem qualquer preconceito, amar ao próximo, amar as artes, além de manter o bom humor! Acredito que esses valores são importantes para que eles cresçam compreendendo a sociedade, sem mimos e birras excessivos, deixando de ser o centro do mundo. Isso já garante ao menos um futuro feliz! Claro, dou muito valor aos ensinamentos dos meus pais. Mas a vida e os amigos me ensinaram muito coisa também. Acho que os pais dão a base que forma o caráter das crianças, que depois seguem, cada uma por si… Por isso, eu ensino que é preciso valorizar o que realmente importa: as relações, o carinho, o amor e as experiências trocadas.

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Conhecimento
Antonio Pinto, pai de Manuela, de 10 anos e Joaquim, de 7 anos (na foto), Sebastião, de 40 dias, e padrasto  de Anita, de 3 anos e meio, é compositor e um dos integrantes da banda Pequeno Cidadão.

Os valores que devemos passar aos filhos não são necessariamente os que acabamos passando, não fico superencanado. Mas os valores mais importantes pra mim são dois: a sinceridade e o conhecimento. Sendo filho do Ziraldo, eu desde cedo soube que a leitura e a infância era muito importantes. E tento passar isso para os meus filhos. Pra mim, a educação deles é essencial. E a Manuela é uma leitora voraz, chega a ler três livros por mês. Ela, com certeza, é influenciada pelo ambiente da minha casa e do meu pai, que tem uma biblioteca enorme. Apenas conhecendo de tudo um pouco, é que eles podem ser cidadãos do mundo. Eu costumo ensinar tudo na base do diálogo, como eu aprendi. Sem levantar a voz, ou fazer chantagem, acho importante que eles entendam o que fizeram de errado. Nesse mundo doido, tão diferente da minha infância, em que todos vivem na internet, acho importante a conversa para ajudá-los em suas escolhas.

Mas o que são valores?

Uma das definições mais aceitas pelos especialistas é a do epistemólogo suíço Jean Piaget. Para ele, os valores são “investimentos afetivos”. Ou seja, eles estão diretamente ligados com as nossas emoções. Eles são conceitos reais, claro, mas também nossas crenças mais profundas e enraizadas. Sabe aquela história de “Tal pai, tal filho”? Agora você já sabe porque o pequeno tem um jeito tão parecido com o seu…

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