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Como é ser um pai precoce

Aos 18 anos, Igor soube que seria pai

Redação Pais&Filhos

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Às vezes, a vida nos coloca em caminhos que não esperávamos percorrer tão cedo. Foi assim, comigo, no caso da paternidade precoce. Em minhas ideias e planos adolescentes, eu deveria viver e fazer muitas outras coisas antes de ser pai, como viajar e namorar bastante, graduar-me, acumular títulos acadêmicos e me estabilizar em um bom emprego.

Mas na falta de experiência, eu e Alexandra, minha namorada na época, acabamos concebendo uma criança. Ora, como já disse Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. E, desse modo, a vida nos mostrava o quanto ela poderia ser imprecisa em relação aos nossos planos. O resultado? Lá estávamos nós: dois adolescentes à beira dos 18 anos, com poucas vivências e um grande desafio pela frente – cuidar de um ser humano que dependeria de nós em primeiro lugar.

Ficamos apreensivos e sentimos medo. Sentimos medo de não saber criar um filho e, quiçá, não dar conta dessa empreitada de uma vida. Confusos e desnorteados, chegamos até a pensar: e se nossas famílias não nos apoiassem? Apesar da complexidade e seriedade da situação, as famílias nos deram apoio incondicional.

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O Lucas veio ao mundo em 14 de fevereiro de 2002. De lá pra cá foram muitos os desafios, as alegrias, os aprendizados, as dificuldades e os sucessos. Com menção honrosa à sua mãe que, mesmo jovem e diante da necessidade de conciliar múltiplas tarefas, foi uma guerreira que não abriu mão de ser doce. As famílias ajudaram muito também. Assim, o Lucas cresceu e viveu bem amparado.

Hoje com 10 anos, ele vive feliz, escolhendo suas roupas, músicas, jogos e passatempos; sem deixar de ouvir e respeitar a opinião dos pais. Sempre nos preocupamos com sua educação. Além de matriculá-lo em uma boa escola, tentávamos dar exemplo em casa, trabalhar tons de voz diferentes para ele saber quando estávamos falando sério e quando estávamos brincando. Felizmente, conseguimos ultrapassar a fronteira do instruir e hoje somos amigos do nosso filho, compartilhando vivências com ele – tanto de seu universo quanto dos nossos.

O relacionamento do casal não durou por todo esse período. Cada um seguiu seu caminho, sem deixar de contribuir com o desenvolvimento do pequeno. Após a separação, ensaiamos dois anos de guarda compartilhada. A serenidade, o diálogo e as negociações se mantiveram ao longo do gerenciamento dessa vida – que veio ao mundo meio sem avisar, porém para torná-lo muito mais colorido e feliz.

Igor Otero, pai de Lucas, é funcionário público

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