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Caretas como nossos pais

Redação Pais&Filhos

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Lincoln descobriu um outro lado seu depois do nascimento da filha: mais conservador, responsável e altruísta

Anna foi muito desejada e amada, mesmo antes de ser concebida. Talvez por isso, ela seja tão carinhosa, tão feliz e cheia de vida. Contudo, quando mais jovens, a maioria de nós, homens, quer evitar filhos a todo custo e, por fim, o que prevalece é o desejo de nossas esposas. Quando chegam ao mundo, a princípio uma grande dose de medo nos assola, mas ao mesmo tempo e miraculosamente, uma dose de energia, amor e uma perspectiva totalmente diferente da vida nos invade e nos transforma.
O casamento com filhos é totalmente diferente. Não existe mais aquela saudade das baladas e da liberdade típica dos solteiros. Tudo deve ficar para trás. A carga de responsabilidade é enorme e inexorável, mas é ela que faz com que percebamos a importância que passamos a ter. Mesmo a nossa presença na sociedade passa a ter uma nova dinâmica. É como finalmente fazer parte de algo.
Creio que descobri ser um conservador, ou mais conservador do que pensava. O núcleo familiar tão fora de moda quando eu era adolescente no final dos anos 70 passa a ser fundamental. Os rituais de batismo, aniversários, domingos com os avós e festas natalinas parecem marcar melhor a passagem do tempo e dar mais colorido e significado à vida. Nosso círculo de amizades passa a girar em torno de casais com filhos da mesma idade. Amigos da praça, dos parques, da escolinha… Até de bairro mudamos.
Fomos de uma região cheia de cinemas, teatros, boates e restaurantes para um bairro familiar, onde as pessoas se encontram nas ruas, nas praças e na padaria.
Não acho que o amor por um filho seja aquele que chamam de incondicional. Ele pode ser chamado de egoísta até. Afinal, trazemos ao mundo, que não é nenhum paraíso, alguém que depende totalmente de nós e, mesmo quando bebês, parecem nos olhar com compaixão, como que nos perdoando.
Falar sobre o dia a dia na criação de um filho e na árdua tarefa que isso representa seria repetitivo. Melhor seria falar da imensa recompensa que temos em aprender a finalmente sermos tolerantes, pacientes e voltarmos a entrar no mundo de fantasia e faz de conta que havíamos esquecido em algum lugar dentro de nós e no passado, para poder entender e ajudar nossos filhos.  Ou então falar da admiração com que eles nos olham de vez em quando, como se fôssemos seus heróis, e do prazer que isso nos dá. Do carinho espontâneo com que eles nos presenteiam, das coisas simples, como passear pela rua de mãos dadas para que todos vejam, das pequenas e das grandes conquistas, das frases complexas que aprendem com a gente e com os outros.
Ensinar-lhes e desejar que eles não precisem mais de nós, talvez seja a maior exigência de superação desse amor, que antes era egoísta e se transforma aos poucos em altruísta. 

 

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Lincoln Fruchi, pai de Anna, de 4 anos, é cirurgião dentista e sócio administrador da Blinc Odontologia

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