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Cada caso é um parto

Uma cesária depois, Juliana realizou o sonho do parto normal, e sem complicações

Redação Pais&Filhos

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Os filhos são realmente diferentes um do outro, e eu acredito que algo semelhante acontece nos partos. Falo com autoridade de quem já passou por isso duas vezes, cada parto de um jeito, mas duas incríveis e diferentes experiências.

Quando estava com 39 semanas da minha primeira gravidez, na véspera de um feriado de Corpus Christi, comecei a sentir as contrações. Minha obstetra me internou e receitou ocitocina, hormônio que estimula as contrações. Foram 16 horas de trabalho de parto. 10 cm de dilatação depois, apareceu a cabeça da minha filha no final do túnel.
 
Mas algo estranho estava acontecendo. Ela descia um pouco, e depois voltava e eu sentia muitas dores. Foi então que descobrimos que ela estava em "apresentação de face", ou seja: embora ela estivesse com a cabeça voltada para baixo, ela estava virada com o rosto para frente. Continuamos tentando, mas depois de alguma insistência, os monitores apontaram que o coração dela estava começando a cansar.
 
Senti uma frustração do tamanho do mundo! A cesariana não era opção para mim. Eu achava que, se fosse para ser mãe de verdade, eu deveria parir meu filho a qualquer custo. Além do mais, sempre tive uma vida muito ativa, inclusive na gravidez.  Mas, naquela hora, o que importava era ter a Fernanda sã e salva nos meus braços
 
Três anos depois, eu acreditava que meu sonho de ter um parto normal já tinha passado. A ideia era esperar o bebê dar algum sinal, para então tomarmos a decisão. Com 38 semanas de gestação, comecei a sentir as contrações às 10 horas da noite e às três horas da manhã, as dores começaram a ficar fortes, e decidimos ir para a maternidade.
 
Cheguei com vontade de fazer força. Fui para a sala de parto normal, pois já estava com 10 cm de dilatação. E a minha médica não estava lá ainda! O Giovanni não quis esperar nem médica, nem anestesia, nem medicação. Nasceu lindo e saudável de parto normal, depois de menos de 5 horas. Estaria mentindo se dissesse que não senti dores. Mas, ao me lembrar do primeiro trabalho de parto, tenho que falar que praticamente não senti dor nenhuma.
 
Eu não sabia que o sonho de parir meu filho ainda estava tão latente em mim. E Deus me deu esse presente. Mas antes eu tive que aprender que não devemos tentar controlar a natureza. Ela é mais sábia que a gente, sem dúvida. Hoje, depois de uma cesárea e um parto normal, posso afirmar: a experiência de colocar um filho no mundo é única, e realmente não importa a forma, pois o melhor disso tudo é tê-los em nossos braços, e depois vê-los crescendo de uma maneira maravilhosa e mágica.
 
Juliana Willik, mãe de Fernanda, de 8 anos e Giovanni, de 5 anos, é formada em educação física.

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