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As férias acabaram, mas o verão não!

Com a volta às aulas, o foco mudou, e muita gente esquece que o verão continua

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Matheus Monteiro, filho de Leonice e Edimar

Agora não tem mais jeito. A temporada de descanso, viagem, praia, clube, fazenda, sítio, parques acabou. Além de voltarem pra escola, creche ou berçário, as crianças ainda têm que recomeçar as aulas de inglês, os cursos de natação, o futebol ou o balé. Ou seja, voltam a passar muito mais tempo longe da nossa supervisão. Como o verão continua, o jeito é confiar no seu filho ou nos professores para manter os cuidados, mesmo longe de você.


Continue fazendo a sua parte: passe o protetor solar antes da aula e mande na mochila para repassar mais tarde; prepare uma lancheira com alimentos leves; reforce para o seu filho a importância de beber bastante água e de ficar na sombra nos horários em que o sol está mais forte.

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FECHAR

Sempre hidratado


Independentemente da idade e do sexo, criança não pede por água. Então, ofereça líquidos constantemente, ou frutas como a melancia, que tem mais de 90% de água na composição. O objetivo, de acordo com a pediatra Alessandra Cavalcanti, mãe de Guilherme, é que a criança beba por volta de um litro e meio de líquido por dia. “A criança sua mais no verão e está mais sujeita à diarreia", fala.
Ao sair de casa, leve uma garrafinha com água, sucos naturais ou água de coco. Nada de refrigerantes e sucos artificiais. “O suco fresco, feito da fruta in natura, é o ideal. Suco de caixinha não é indicado, porque, além de conter alto teor de açúcar e conservantes, perde as vitaminas e fibras durante o processo industrial”, explica a nutricionista Cátia Medeiros, mãe de Camila, Bruna e Dandara.

Pele protegida


Excesso nunca é bom. Excesso de sol, então, nem se fala. Especialmente no período entre 10h e 16h. O ideal é se prevenir. Não que seja preciso ficar aplicando protetor a toda hora; mesmo no verão, tudo depende da quantidade de exposição solar. Se a escola tiver uma área externa muito grande, o protetor solar – com fator sempre superior a 30 – tem que fazer parte do material escolar.


Para as crianças com menos de seis meses, o recomendado é que se use apenas a proteção física. No caminho do berçário, o carrinho deve ficar coberto e as roupas de algodão precisam proteger a pele. Mas, se alguma leve exposição for inevitável, produtos com Aloe Vera podem ser usados depois.
Mas sol não é apenas um vilão. Ele é importante para a saúde infantil, já que estimula a produção de vitamina D, essencial para o desenvolvimento normal dos ossos e dentes. De 15 a 20 minutos no sol antes das 10h ou depois das 16h é mais do que necessário, é saudável.


Outro cuidado com a pele deve ser tomado para evitar as brotoejas, aquelas erupções bem vermelhas que aparecem no pescoço ou debaixo dos braços. Muito calor gera transpiração, que acaba causando os indesejados pontinhos. A solução, porém, é fácil, de acordo com o dermatologista Davi Lacerda, pai de João e Maria. “Basta evitar o calor extremo, não usar colchões com plástico e nem colocar roupas que tampem muito”, indica. Prefira as peças mais soltinhas.


Quanto às assaduras e micoses, outros problemas comuns do verão, a prevenção também não é nada difícil: lavar o corpo inteiro muito bem e secar tudo com muito cuidado ao final.


Hora do recreio


Algumas crianças passam tanto tempo na escola e em cursos extras que acabam se alimentando mais fora do que dentro de casa. O ideal, então, pra não bater a culpa, é prestar bastante atenção na lancheira dos nossos filhos (veja como organizá-la no quadro ao lado). O lanche adequado vai ajudar, inclusive, no desempenho escolar.


Por estarmos numa época quente, as refeições têm que ser leves e naturais, mas sempre ficando de olho na balança. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-2009, do IBGE, mostraram que uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está acima do peso. “Os pais devem garantir que seus filhos comam na escola alimentos com alto valor nutritivo, não só calórico”, recomenda a pediatra Natasha Slhessarenko, mãe da Marina e Maria Eduarda.


Em casa, como temos mais controle, o segredo é estimular o consumo de frutas e verduras. “A dica é lavá-las bem, deixando de molho na água, de preferência com bicarbonato de sódio – que tira cerca de 90% dos agrotóxicos –, descascá-las e cortá-las. Tudo tem que ser facilitado e ficar disponível na geladeira”, aconselha Natasha.

Os benefícios da vitamina D

Olho vivo


Os olhos também precisam ficar protegidos do sol, principalmente os das crianças. Em qualquer atividade ao ar livre, o uso de óculos com 100% de proteção contra a radiação UVA e UVB é indicado. “Por causa de efeitos acumulativos, crianças devem sempre ter a proteção de óculos escuros com filtros. Óculos sem proteção são piores que nada, já que a retina se expõe mais quando há a barreira do objeto escuro”, explica o oftalmologista Canrobert Oliveira, pai de Daniel e Clara Maria.


Outra dica é ficar atento à higiene das mãos em locais públicos, como no vestiário das aulas de natação. Nesta época, é comum que as crianças peguem conjuntivite, infecção nos olhos causada por vírus ou bactérias. Se os olhos começarem a ficar vermelhos, inchados e lacrimejantes, procure um especialista.


Pequenos perigos


Ainda na estação quente do ano, os pets podem se infestar de pulgas. Por causa do calor e das chuvas, eles se molham e tomam mais banhos, mas, se não for feita uma secagem correta, a umidade acaba deixando-os propícios às pragas.


De uma maneira geral, como as pulgas são ruins tanto para os animais quanto para os pequenos, que brincam com eles, os proprietários precisam mesmo observar a carteira de vacinação e vermifugação do animal de uma maneira constante. Se ele tiver bastante contato com a rua, a checagem deve ser feita a cada três meses, no mínimo.


Outros pequenos vilões são os insetos, que atacam no verão e podem deixar as crianças cheias de picadas. Mas, de acordo com a dermatologista Renata Domingues, mãe da Laura, os cuidados são bastante conhecidos e simples: mosquiteiros e repelentes. Com certeza sua avó já te deu essa dica.


Criança leva um tempo para se acostumar a acordar cedo, ter hora pra dormir, pra comer. Dá trabalho estabelecer toda a rotina de novo, a gente sabe. Mas basta saber organizar e deixar claro: estudo e atividades – com todos os cuidados indicados – durante a semana; e, pra aproveitar o solzão, reunião de família dentro da piscina no domingo. Ah, o verão!

Consultoria
ALESSANDRA CAVALCANTI, mãe de Guilherme, é pediatra do Hospital São Luiz, tel.: (11) 3040-1100; ANDREI NASCIMENTO, pai de Sofia, é médico veterinário e gerente técnico da MSD Saúde Animal, tel.: 0800 13 11 13; CANROBERT OLIVEIRA, pai de Daniel, Felipe e Clara Maria, é oftalmologista e diretor-presidente do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), tel.: (61) 3442-4000; CÁTIA MEDEIROS, mãe de Camila, Bruna e Dandara, é nutricionista da Clínica Atual Nutrição, tel.: (11) 5093-1723; DAVI LACERDA, pai de José e Maria, é dermatologista, tel.: (11) 3231-1276; NATASHA SLHESSARENKO, mãe de Marina e Maria Eduarda, é pediatra do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica, tel.: (11) 3049-6999; RENATA DOMINGUES, mãe de Laura, é dermatologista.

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